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Deglutição prejudicada: avaliação e intervenções de Enfermagem

Tempo de leitura: 4 minutos.

A World Gastroenterology Organisation (WGO) define a disfagia em dois tipos; primeiro como a dificuldade em dar início a deglutição (disfagia orofaríngea) e a segunda como a sensação de retenção de líquidos e/ou alimentos sólidos na transição da boca para o estômago (disfagia esofágica).

Já para a Classificação Internacional de Diagnósticos de Enfermagem NANDA-I no domínio relacionado a nutrição, encontramos a disfagia dentre os fatores relacionados ao diagnóstico de enfermagem denominado Deglutição Prejudicada. Por sua vez, ela é definida como o funcionamento anormal do mecanismo de deglutição relacionado a deficiências na estrutura ou função oral, faríngea ou esofágica. 

Deglutição Prejudicada

A disfagia é um problema mundial e comum dentro dos serviços de saúde, a incidência pode chegar a 33% nas unidades de urgência e 30% a 40% em lares de idosos. Estima-se ainda que: 40% a 70% dos pacientes com sequelas de acidente vascular cerebral (AVC), 60 a 80% de pacientes com doenças neurodegenerativas e 60 a 75% dos pacientes que realizam radioterapia de cabeça e pescoço apresentam algum grau de disfagia. 

A disfunção da deglutição é por si só um problema de saúde, mas deve se considerar que a incapacidade de finalizar o trânsito completo dos alimentos e líquidos podem ser a causa de diversos agravos como: broncoaspirações, infecções recorrentes, perda de peso, desidratação, lesões por pressão entre outros tornando-se um problema maior dentro do sistema de saúde, provocando internações recorrentes e, até mesmo, aumento da mortalidade diante de algumas condições. 

Na prática, poucos profissionais, com exceção o fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, estão habilitados para realizar a avaliação e os cuidados que estes pacientes precisarão ter ao longo da trajetória da condição. Porém, é de extrema importância que toda equipe de saúde esteja habilitada a realizar ao menos a abordagem mínima que estes pacientes necessitam. 

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Como o Enfermeiro deve avaliar o paciente com Deglutição Prejudicada?

A avaliação baseia-se na anamnese e exame físico específico. O enfermeiro deve estar apto em reconhecer os principais sinais e sintomas como: dificuldade para iniciar a deglutição, sensação de obstrução na passagem dos alimentos, aspiração pela traqueia seguida de tosse, comida sai pelo nariz (regurgitação nasal), presença de saliva saindo pela cavidade oral, refluxo gastroesofágico, engasgos frequentes, perda de peso, dor associada a deglutição, mudança do tom da voz e a halitose. 

O enfermeiro deve levar em consideração durante a avaliação: 

  1. Coletar histórico pessoal e clínico detalhado (atentar para internações frequentes por infecções pulmonares); 
  2. Coletar dados antropométricos e avaliar estado de nutricional e hidratação;
  3. Questionar sobre a deglutição: a localização, tipos de alimentos/líquidos que são mais difíceis, se progressivo ou intermitente, fatores de melhora (ex: ingestão de água durante as refeições), início e duração dos sintomas e capacidade de tossir.;
  4. Realizar exame físico padrão e atentar para a avaliação dinâmica e de estruturas: observar controle de tronco, hemiplegias, assimetrias faciais, dentição e aspecto da cavidade oral, encerramento de lábios, integridade da língua e higiene, habilidade de falar, mudança de tom ou rouquidão e ainda realizar a palpação do pescoço à procura de nódulos ou massas que possam obstruir mecanicamente a passagem de alimentos ou líquidos;  
  5. Atentar para a capacidade de realizar sucção, mastigação e deglutição usando líquidos, alimentos liquefeitos e pastosos.

Principais intervenções de enfermagem ao paciente com Deglutição Prejudicada

  1. Posicionar o paciente de forma adequada: idealmente o paciente deve estar sentado com os pés apoiados no solo e cotovelos apoiados na mesa. Pacientes acamados devem estar com a cabeceira elevada;
  2. Verificar estado de consciência previamente durante as refeições;
  3. Incentivar o paciente a se alimentar sozinho desde que possível;
  4. Observar se paciente usa prótese dentária que deve estar bem fixada;
  5. Vincular paciente aos profissionais, mostrar-se disponível durante as refeições;
  6. Ambiente calmo, sem distrações ou movimentação constante. O paciente deve focar na deglutição;
  7. Sugerir líquidos espessos ou líquidos com espessante;
  8. Oferecer alimentos durante as refeições apenas quando estiver completa a deglutição, observar se há alimentos retidos na boca;
  9. Se o paciente se engasgar deve pedir que ele tussa com força; 
  10. Em caso de engasgos totais ou parciais, manobras para desobstrução poderão ser realizadas (ex: Manobra de Heimlich);
  11. Adaptar a textura da dieta e consistência de líquidos conforme a capacidade de deglutição do paciente. Importante salientar que alimentos que exigem alguma forma de mastigação diminuem o risco de aspiração (ex: consistência de purê);
  12. Fletir o pescoço e rodar a cabeça para lado que foi afetado durante a deglutição, indicado para pacientes com comprometimento de alguns dos lados do corpo;
  13. Promover exercícios para fortalecimento da musculatura do pescoço indicado por fonoaudiólogos ou terapeutas ocupacionais;
  14. Diminuir o tamanho dos utensílios e adaptar utensílios (ex: colheres de sobremesa, pratos antiderrapantes);
  15. Assegurar que o paciente consiga cerrar os lábios após a introdução dos alimentos;
  16. Reforço verbal vindo do profissional sobre o processo de deglutição (ex: -Engula);
  17. Realizar higiene da cavidade oral sempre após as refeições;
  18. Evitar que paciente se deite pelo durante 30 minutos após as refeições;
  19. Promover adaptações em domicílio para melhora da deglutição durante as refeições;
  20. Treinar cuidadores e familiares envolvidos na assistência destes pacientes. 

O enfermeiro tem papel estratégico na reabilitação e prevenção de complicações dos transtornos relacionados a deglutição. O diagnóstico rápido e preciso relacionado a deglutição prejudicada e a individualização do plano de cuidados devem ser padrão ouro no cuidado de excelência. O objetivo, além da melhor assistência e prevenção de agravos, é também a redução de internações recorrentes e suas complicações dentro do sistema de saúde. 

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Referências:

  • NANDA- I (EUA). Diagnósticos de enfermagem NANDA-I: definição e classificação 2018-2020. [Internet]; 2018; [citado em julho de 2019]: 11. ed. – Porto Alegre: Artmed.
  • Ministério da Saúde (BR). Manual de rotinas para atenção ao AVC. Secretaria de Atenção à Saúde. [Internet]; 2013; [citado em julho de 2019].
  • World Gastroenterology Organisation (EUA). Disphagia. [Internet]; 2014; [citado em julho de 2019].
  • Domingos A, Verissímo D. Cuidados de Enfermagem à Pessoa com deglutição comprometida. Ordem dos Enfermeiros (Portugal). [Internet]; 2014; [citado em julho de 2019].

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