Oncologia

Biópsia líquida pode detectar recidivas de Câncer de Mama

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Estudo encontrou níveis séricos de DNA circulante de células tumorais (DNA-ct) após o tratamento do câncer de mama inicial em média 10,7 meses antes das pacientes apresentarem qualquer tipo de sintomas ou do aparecimento da recidiva em exames de imagem. Isso caracterizao que podemos chamar de recidiva “bioquímica”. O teste foi desenvolvido por cientistas do The Institute of Cancer Research e do The Royal Marsden NHS Foundation Trust.Ele funciona nos diferentes tipos de câncer de mama (triplo negativo – TN, HER2 super-expresso, receptores hormonais positivos – RH+). 

As biópsias líquidas, que são testes capazes de detectar DNA-ct, emergiram nos últimos anos como um empolgante campo de pesquisa. Com elas, é possível detectar os pacientes respondedores em real time, detectar possíveis resistências ao tratamento e detectar recidivas o mais precoce possível. 

O estudo – PROSPECTIVO – incluiu 170 mulheres com diagnóstico de câncer de mama inicial sem sinais de progressão em 5 hospitais britânicos. O estudo foi liberado pelo Dr Nicholas Turner et al no Breast Cancer Now Research Centre at The Institute of Cancer Research (ICR). Foram identificadas mutações somáticas, que puderam ser rastreadas ao longo do tempo.

Em 101 pacientes, 165 diferentes mutações foram encontradas, com 1 mutação detectada em 78 pacientes e múltiplas nas 23 outras. Amostras foram colhidas a cada 3 meses no primeiro ano e, em seguida, de forma semestral até cinco anos após. Após três anos, 29 de 144 pacientes recidivaram (14 de 101 e 15 de 43 de uma segunda coorte inicial), sendo que 23 de 29 pacientes tiveram biópsias líquidas positivas antes dos sinais de recidiva; 22 das 23 pacientes que recidivaram tinham doença extra-craniana e DNA-ct. Uma das limitações do estudo foi que, nas pacientes com recidiva cerebral exclusiva (6), apenas 1 tinha DNA-ct detectável.

A sobrevida livre de recidiva (SLR) foi significativamente pior para as pacientes com câncer de mama inicial quando DNA-ct foi detectado no seguimento (HR 25.2, 95% CI 6.7-95.6, P<0.001). E, nas 101 pacientes com mutações somáticas, a SLR foi também bastante pior se DNA-ct foi detectado antes do início do tratamento (HR 5.8, 95% CI 1.2-27.1, P=0.01), mostrando o valor prognóstico do teste. Pacientes TN tiveram a mediana mais alta de DNA-ct (4.96 cópias/mL), seguido das pacientes HER2-positivas (0.81 cópias/mL) e RH+ (0 cópias/mL). Já nas recidivas por subtipo molecular tivemos: RH +: 13.3 m, HER2-positivas: 14.5 m, TN: 10.6 meses. 

É importante ressaltar que a concentração de DNA-ct é extremamente baixa nas pacientes com câncer de mama em estádio inicial. A metodologia empregada (dropletPCR) se mostrou factível e teve sua metodologia validada, sendo capaz de detectar DNA-ct em apenas gotículas de sangue.

O estudo é pequeno, mas é prospectivo e multi-institucional. Não sabemos o custo futuro em larga escala e o seguimento é relativamente curto em especial para pacientes RH+. Mas é um passo adiante na possível incorporação de biópsia líquidas. Detectar recidivas 11 meses faz diferença? Pode ser que sim! Um novo paradigma pode ser quebrado no futuro, já que a utilidade clínica da DNA-ct ainda precisa ser validada em estudos randomizados oferecendo terapêutica vs braço controle sem tratamento nas pacientes com recidiva molecular e avaliando se a SLR e a sobrevida global são de fato maiores. Ou ainda se com a detecção precoce de DNA-ct já no diagnóstico o tratamento adjuvante pode ser “recalibrado”. O futuro nos reserva as respostas.

Autora: 

Referências:

  • Murillas IG, Chopra, N, Méndez IC et al. , Assessment of Molecular Relapse Detection in Early-Stage Breast Cancer JAMA Oncol. doi:10.1001/jamaoncol.2019.1838 Published online August 1, 2019.
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Publicado por
Gilberto Amorim

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