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Bons processos de comunicação podem aumentar a confiança e a esperança de pais de crianças com câncer

Tempo de leitura: 2 minutos.

Dar notícias ruins para família de pacientes é sempre uma questão delicada e quando se tratam de pais de crianças com câncer isso se torna ainda mais difícil. A maioria dos pacientes deseja todas as informações prognósticas disponíveis, mas alguns médicos hesitam em discutir resultados. Pensando nisso, a American Cancer Society publicou um estudo que teve como objetivo examinar os resultados da divulgação de prognóstico entre os pais de crianças com câncer.

Métodos

A pesquisa foi realizada com 353 pais de crianças que tinham acabado de ser diagnosticadas com câncer  em dois centros terciários de câncer e com o oncologista de cada criança. Usando regressão logística multivariada, os autores avaliaram associações entre o relato feito pelos pais sobre como foi realizada a discussões sobre o prognóstico com o oncologista (qualidade da informação, comunicação e divulgação de prognósticos) e as potenciais consequências dessas conversas (confiabilidade, esperança, tranquilidade, compreensão do parecer, depressão e ansiedade). As análises foram estratificadas por prognóstico relatado por oncologistas.

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Resultados

Não foi encontrado nenhum resultado que indicasse que a revelação prognóstica possa ser associada ao aumento da ansiedade, depressão ou diminuição da esperança dos pais. No caso de crianças com diagnósticos menos favoráveis ​​(<75% de chance de cura), o recebimento de informações de boa qualidade por parte do oncologista foi associado a maior tranquilidade dos pais (odds ratio [OR], 5,23; intervalo de confiança de 95% [95 % CI], 1,81-15,16) e esperança relacionada à comunicação (OR, 2,54; IC95%, 1,00‐6,40).

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O estilo de comunicação do oncologista que dá boas informações para os pais das crianças foi associado a uma maior confiança no médico (OR, 2,45; IC95%, 1,09‐5,48) e esperança (OR, 3,01; IC95%, 1,26‐7,19). O entendimento preciso do prognóstico foi menos comum entre os pais de crianças com prognósticos menos favoráveis ​​(OR, 0,39; IC95%, 0,17-0,88). O recebimento de informações de boa qualidade, comunicação precisa e divulgação de prognósticos não se mostraram como uma associação significativa para uma compreensão mais precisa do resultado.

Conclusões

O estudo concluiu que não existiam evidências que comprovassem que a divulgação esteja associada à ansiedade, depressão ou diminuição da esperança. Entretanto, os processos de comunicação podem aumentar a paz mental, a confiança e a esperança. Ainda não está claro qual o melhor método para melhorar a compreensão do prognóstico.

Referências:

  • Marron, J. M., Cronin, A. M., Kang, T. I. and Mack, J. W. (2018), Intended and unintended consequences: Ethics, communication, and prognostic disclosure in pediatric oncology. Cancer, 124: 1232-1241. doi:10.1002/cncr.31194

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