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Caplacizumabe é eficaz no manejo da púrpura trombocitopênica trombótica?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Síndromes de Microangiopatia Trombótica (MAT) são um espectro de nove doenças agrupadas por características clínicas que contém anemia microangiopática hemolítica, trombocitopenia e lesão orgânica. Dentre elas, encontramos a MAT mediada por deficiência de ADAMTS13, antigamente chamada de púrpura trombocitopênica trombótica (PTT).

O que devemos saber sobre PTT?

A PTT pode ser dividida em adquirida e hereditária. Sua fisiopatologia consiste em diminuição da protease ADAMTS13, que cliva multímeros do fator de Von Willebrand secretados pelas células endoteliais vasculares. Consequentemente, ocorre formação de multímeros gigantes associados a trombos plaquetários em pequenos vasos, trombose e disfunção orgânica.

PTT hereditária x PTT adquirida

PTT hereditária, também chamada de Síndrome de Upshaw-Shulman, ocorre por mutações no gene da ADAMTS3. A PTT adquirida é uma doença imune causada por autoanticorpos que inibem a atividade de ADAMTS3.

Como fazer o diagnóstico e o tratamento?

O diagnóstico da doença geralmente se baseia na apresentação clínica com comprovação da deficiência da atividade ADAMTS13 menor que 10% e o tratamento convencional inclui plasmaférese, glicocorticoide e/ou rituximabe. Porém, o jornal The New England Journal of Medicine lançou recentemente um artigo sobre um novo medicamento utilizado no tratamento da doença.

Confira os detalhes do estudo caplacizumabe x placebo na PTT adquirida

O caplacizumabe é um anticorpo monoclonal que age no fator de von Willebrand e impede a interação do fator com o receptor plaquetário de glicoproteína Ib-IX-V, consequentemente, minimiza trombose microvascular e suas consequências catastróficas.

Foi realizado um estudo de fase 2, com 145 pacientes, duplo-cego, placebo-controlado, que avaliou a infusão venosa de caplacizumabe x placebo durante 28 dias juntamente com a terapia usualmente recomendada para PTT. O objetivo era avaliar o potencial da medicação, obter como desfecho primário tempo para resposta, considerada desde a primeira administração intravenosa de caplacizumabe ou placebo até a normalização plaquetária. O grupo foi acompanhado 28 dias após o final do período de tratamento. Desfechos secundários incluíram:

  • morte relacionada a PTT
  • recorrência de PTT ou evento tromboembólico maior durante o período de tratamento do estudo
  • recorrência de PTT no período de acompanhamento do estudo
  • PTT refratária

Resultados

O tempo mediano para normalização das plaquetas foi significativamente menor no grupo que utilizou caplacizumabe. Em qualquer momento, os pacientes desse grupo tiveram 1,55 vezes maior probabilidade de normalização plaquetária (IC 95%, 1,09-2,09; P=0,01).

Em relação aos desfechos secundários, morte relacionada à PTT, eventos trombóticos maiores e recorrência durante todo período do estudo, encontramos 12% no grupo caplacizumabe e 38% do grupo placebo.

Conclusões

Os pacientes que apresentaram doença refratária após o tempo do estudo foram associados a dosagens muito baixas de ADAMTS13. Mais tempo de seguimento clínico e novos estudos precisam ser realizados com a medicação, que, para uma doença tão catastrófica, parece ser promissora.

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Referências:

  • Scully, M, et al. Caplacizumab Treatment for Adquired Thrombotic Thrombocitopenic Purpura. N Engl J Med 2019; 380:335-346. DOI: 10.1056/NEJMoa1806311.
  • George, NJ; Nester, CM. Syndromes of Thrombotic Microangiopathy. N Engl J Med 2014; 371:654-666. DOI: 10.1056/NEJMra1312353.

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