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Cardiomiopatia Hipertrófica: uma das principais causas de morte súbita em atletas

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Tempo de leitura: 3 minutos.

No último dia 12 de julho, o jogador de futebol profissional Adilson Warken, 32 anos, volante do Atlético-MG, anunciou sua aposentadoria do futebol em razão de uma miocardiopatia hipertrófica (MCH). Assim, acendeu-se um alerta sobre a doença e o porquê ela teria sido tardiamente diagnosticada. Vamos a literatura para correlacionar essa doença ao esporte.

“A MCH é uma das principais causas de morte súbita em atletas relacionada com exercício e o esporte em indivíduos com menos de 35 anos”

Essa é a primeira frase do tópico da diretriz sobre MCH. Esta evidencia a importância dessa enfermidade no dia-a-dia de quem trabalho com atletas de alta performance. Algumas evidências são interessantes e mostram que 10,3% dos óbitos com atletas são causados por MCH. E, desses, 27,5% possuíam coração normal.

Conceitua-se a doença por ter base genética, autossômica dominante. E se caracteriza por um desarranjo miofibrilar dos miócitos, apresentando hipertrofia assimétrica com ou sem obstrução da via de saída. 

Os portadores da MCH podem ser totalmente assintomáticos ou apresentar sintomas como: lipotimia, síncope, palpitações e angina. Isso se correlaciona ao esporte por aumento da demanda miocárdica ou obstrução da via de saída. Além disso, é possível diagnosticar por alguns testes e exames, como:

Teste Genético

Os testes genéticos vêm mudando o olhar sobre essa doença. Já estão mapeados mais de 1700 mutações genéticas. Os genes da cadeia pesada da betamiosina (MYH7) e da miosina carreadora da proteína C (MYBPC3) são os mais frequentes. Nesses casos, aconselhamento genético por equipe multidisciplinar se faz necessário.

ECG

Há alterações características no segmento ST e na onda T, inversão de onda T, sendo profundas nas derivações laterais. Além dessas alterações, é possível verificar o aumento atrial esquerdo, com prolongamento da onda p > 120 ms nas derivações I e II, com porção negativa da onda p >= 1 mm na derivação V1 e BRE, podendo sugerir MCH.

Ecocardiograma

Método fundamental na avaliação da MCH. Pois, além do grau da hipertrofia, pode determinar o gradiente entre VE e a aorta, alterações da valva mitral, como movimento anterior sistólico da mitral e padrões de alteração da função diastólica. É importante a integração de informações como distribuição da hipertrofia, espessamento parietal, tamanho das cavidades, função diastólica pelo doppler tissular e história familiar. Os atletas apresentam menor espessura de parede de VE, maior diâmetro diastólico final e maior fração de ejeção. Porém, há uma zona cinzenta (13 a 15 mm), como mostra a tabela abaixo, que sugere atenção a alguns pontos.

Saiba mais: Cardiomiopatia hipertrófica e o risco de morte súbita

Ressonância Magnética Cardíaca

A RNM vem ganhando papel de destaque no diagnóstico por imagem na MCH. Isso acontece por esse exame ser considerado padrão ouro em casos de dúvida diagnóstica. No exame, é possível visualizar mudanças sutis na espessura e na contratilidade do VE ao longo do tempo. Além disso, é capaz de detectar áreas de fibrose, assim como auxilia no diagnóstico diferencial entre amiloidose e sarcoidose.

Teste Ergométrico e Teste Cardiopulmonar

O TE apresenta seu valor no prognóstico do paciente. Uma das alterações que é possível ver são alterações no segmento ST, que podem indicar isquemia sem ter alteração nas coronárias. Geralmente, utiliza-se o protocolo de rampa, individualizado, sendo feito para durar de 8 a 12 minutos. 

O TECP pode estratificar os doentes com relação a morbimortalidade e auxiliar atletas que se encontram na zona cinzenta, entre a hipertrofia fisiológica do coração do atleta e a patológica da MCH. Isso é possível pois esse teste consegue mensurar o consumo de oxigênio e o pulso de oxigênio de pico. Atletas possuem consumo de pico de oxigênio mais elevado do que atletas com MCH.

Logo, é comum, e há relatos de atletas de descobriram a doença após a aposentadoria, indicando que a MCH não necessariamente irá causar morte súbita. Porém, é importante ressaltar que o exercício intenso pode ser um gatilho para arritmias graves, aumento da obstrução da via de saída do VE e/ou isquemia por compressão dos pequenos vasos e pode causar morte súbita. 

Sendo assim, atletas com diagnóstico provável devem ser excluídos dos esportes competitivos. Exceto, os de baixo risco, que podem participar de esportes como golfe, bilhar, boliche e tiro.

Autor: 

Referências:

  • Ghorayeb N, Stein R, Daher DJ, et al. Atualização da Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e Esporte. Arq Bras Cardiol. 2019; 112(3):326-368.

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