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Carga viral e gravidade de Covid-19 têm correlação?

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Após a constatação da severa pandemia que assolou o país há quase um ano, levando a mais de um milhão de óbitos no mundo e graves consequências em todos os setores da sociedade, inúmeros estudos estão sendo realizados rotineiramente a fim de entender e constatar fatores que possam levar ao agravamento e uma maior contaminação da população por esse vírus. Como é um vírus que afetou todo os continentes, estudos equalizados tornaram-se difíceis, pela diversidade epidemiológica da população, onde certas afirmativas correspondem a determinada região, porém não se aplicam a outras. Poucos estudos foram realizados comparando a quantidade de carga viral com a gravidade e a presença de comorbidades nos pacientes com SARS-CoV-2. O estudo em questão visou realizar essa comparação entre carga viral, comorbidades pré-existentes, idade, gravidade e desfecho hospitalar.

Um estudo da National Public Health Organization comparou carga viral, comorbidades pré-existentes, idade, gravidade e desfecho hospitalar.

Método de comparação entre carga viral e gravidade

Esse estudo foi o maior estudo de análise de database de carga viral do SARS-CoV-2 e o único a comparar pacientes assintomáticos e sintomáticos. Ele foi realizado com a análise de dados colhidos em unidades de saúde da região de Atenas, pela National Public Health Organization, no período de 26 de fevereiro a 3 de maio de 2020, com 1122 pacientes testados positivos para SARS-CoV-2, através do teste PCR-RT (time reverse transcriptase polymerase chain reaction). Baseado no número de ciclos de replicação da genética viral (Ct), foram separados três grupos: alta, moderada e baixa carga viral (Ct < 25, Ct entre 25-30 e Ct >30 respectivamente).

Os pacientes foram definidos como assintomáticos, quando possuíam PCR-RT positivo e ausência de sintomas. Em relação aos sintomáticos, os casos foram classificados como severos, quando os pacientes precisavam ser admitidos em uma unidade de tratamento intensivo, intubados ou quando iam a óbito. As comorbidades encontradas foram: doenças cardiovasculares, diabetes, doenças pulmonares crônicas, doenças hepáticas, renais e neurológicas crônicas, imunossupressão, obesidade e câncer. E as complicações definidas como pneumonia, SARA, distúrbios cardíacos, falência renal e falência múltipla de órgãos.

Dos pacientes incluídos no estudo, 55,2% eram do sexo masculino. A idade média era de 46 anos e 29,9% apresentavam pelo menos uma comorbidade. Do total de pacientes, 24,4% eram assintomáticos. Da totalidade dos pacientes sintomáticos, 61,1% foram hospitalizados e 19,1% necessitaram de internação em CTI. Dos pacientes admitidos no CTI, 17,9% precisaram de intubação traqueal e 17,2% evoluíram para óbito.

Em relação a carga viral da amostra selecionada, 309 pacientes (27,5%) apresentaram alta carga viral, 316 (28,2%) moderada e 497 (44,3%) baixa. Dos pacientes que apresentaram alta carga viral, a maioria era de idade mais avançada e possuía pelo menos uma comorbidade.

Resultados

Dentre os pacientes analisados, evidenciou-se que aqueles que possuíam alta carga viral também evoluíram para as formas mais graves da doença, apresentando complicações e necessitando de internação prolongada em CTI e intubação traqueal. Alguns evoluíram para óbito. Dos pacientes internados em unidade de tratamento intensivo, os de carga viral mais alta também apresentaram tempo maior de internação e intubação, em comparação com aqueles com carga viral moderada. A maior parte dos pacientes assintomáticos desenvolveram baixa carga viral.

Doenças cardiovasculares, hipertensão, imunossupressão, obesidade e doenças neurológicas e pulmonares crônicas estavam relacionadas a uma maior taxa de replicação viral.

Em relação a população pediátrica inclusa nesse estudo, 29,3% apresentaram alta carga viral, o que não mostrou diferença significativa com a população adulta jovem. Isso demonstrou ser um fator que, ao lado de outros estudos, corroborasse o fato da população infantil contribuir para a transmissão do vírus em seu ambiente familiar.

Em relação as comorbidades, tanto esse estudo em questão como outros realizados, demonstraram que pacientes com doenças auto imunes ou com imunossupressão são os que  estão mais relacionados intimamente a uma extensa e incontrolável replicação viral e com uma resposta imunológica ineficiente. Pacientes obesos também apresentaram essa característica por desenvolverem inflamação crônica sistêmica com disfunção do sistema imune.

Esse estudo apresentou algumas limitações como baixa amostragem, falta de dados sobre o tempo entre aparecimento de sintomas e hospitalização, além de não ter havido outras medições de replicação viral durante a evolução da doença.

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Conclusão

O presente estudo demonstrou que a carga viral de SARS-CoV-2 está diretamente relacionada a pacientes que apresentam comorbidades, principalmente relacionadas a imunossupressão e obesidade e também com uma  evolução ruim da doença, com maiores chances de internação no CTI e necessidade de ventilação artificial.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Maltezou HC,et alls.Association Between Upper Respiratory Tract Viral Load, Comorbidities, Disease Severity, and Outcome of Patients With SARS-CoV-2 Infection.The Journal of Infectious Diseases.03 January 2021.

 

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2 comentários

  1. Olá,
    Parabéns, excelente artigo!

    Poderia escrever, ou se já o fez indicar o link, sobre a relação da carga viral em crianças e a capacidade de transmissão.

    Obrigado!

  2. (…) três grupos: alta, moderada e baixa carga viral (Ct 30 respectivamente).
    É isso mesmo? Quanto maior o Ct, menor é a carga?

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