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rato saindo do meio do mato, causador da peste pulmonar

Casos de peste pulmonar na China preocupam entidades internacionais

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Duas pessoas foram hospitalizadas no início de novembro, em Pequim, na China, após contraírem a peste pulmonar ou pneumônica, uma variante altamente infecciosa da doença e, muitas vezes, fatal. A notícia foi confirmada por representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que afirmaram que o governo chinês aumentou a vigilância em toda a região.

Os dois pacientes, vindos da Mongólia Interior, região do norte da China, foram colocados em quarentena após serem diagnosticados com a enfermidade, segundo autoridades de saúde do distrito de Chaoyang.

Os investigadores de vigilância sanitária do país descobriram que um dos pacientes consumiu um coelho poucos dias antes de passar mal.

Peste pulmonar

A peste pulmonar, também chamada de “febre do rato”, é causada pela bactéria Yersinia pestis, afetando humanos e outros mamíferos. Os seres humanos, geralmente, se contagiam pela picada de pulgas infectadas, que vivem em pequenos mamíferos como ratos, ou ao manipular um animal infectado com a doença.

Existem três formas de infecção por peste: a bubônica: a mais comum, que afeta os gânglios linfáticos; a septicêmica, que ocorre quando a infecção se propaga pelo fluxo sanguíneo; e a pulmonar, quando afeta os pulmões.

“A forma pulmonar pode se desenvolver tanto por meio de aspiração da bactéria, normalmente decorrente de exposição a aerossóis de secreções respiratórias ou inalação de poeira de solo contaminado (peste pulmonar primária), quanto de disseminação para os pulmões durante as formas bubônicas ou septicêmica”, explica a infectologista Isabel Cristina Melo Mendes, residente no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e colunista da PEBMED.

Principais sintomas e sinais

Os sinais e sintomas da peste pulmonar primária começam brevemente após a exposição, geralmente de dois a quatro dias depois da exposição, mas pode ter um período de incubação tão curto quanto algumas horas.

“A sintomatologia inclui quadro respiratório febril de início súbito, com tosse, dor torácica, expectoração, hemoptóicos e dispneia. O indivíduo infectado pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória aguda. Diarreia, agitação, prostração e cefaleia podem acompanhar o quadro. Sem tratamento, a enfermidade pode evoluir rapidamente para o óbito em 24 a 72h”, diz a especialista.

Normalmente, as formas pulmonares secundárias causam um comprometimento respiratório menos importante, com os sintomas respiratórios se desenvolvendo após cinco a sete dias.

Leia também: Leptospirose: saiba como realizar o diagnóstico e tratamento da doença

Como fazer o diagnóstico

Por ser uma doença rara nos dias atuais, o diagnóstico exige do médico um alto grau de suspeição. Vínculo epidemiológico com possíveis vetores, especialmente pulgas e roedores ou com outras pessoas doentes, deve ser pesquisado, incluindo histórico de viagens recentes.

Atualmente, os países com maior circulação da doença são República Democrática do Congo, Madagascar e Peru, mas casos podem ser encontrados em diversos outros países, incluindo no oeste dos Estados Unidos.

Segundo Isabel Mendes, o quadro clínico febril e pulmonar rapidamente progressivo, dentro de contexto epidemiológico adequado, é o principal ponto para suspeição em relação à sintomatologia. A presença dos bubões (linfonodomegalias progressivas que evoluem com fistulização), característicos da peste bubônica, também configura uma pista para o diagnóstico, nos casos de peste pulmonar secundária.

“Amostras clínicas, como sangue e secreções respiratórias, devem ser enviadas para cultura e bacterioscopia pelo Gram. Importante lembrar que o laboratório de microbiologia deve ser notificado da suspeita para que os testes de identificação e as medidas de biossegurança adequadas sejam realizadas. Técnicas de Aplicações e Padronização de Reações (PCR) foram desenvolvidas para o diagnóstico molecular, mas, apesar de alta especificidade, possuem a sensibilidade não tão elevada. O diagnóstico sorológico é possível, mas a soroconversão, geralmente, ocorre a partir do 7º dia de enfermidade, o que é tardio para o diagnóstico de formas pulmonares de evolução rápida”, ressalta a colunista da PebMed.

O diagnóstico é realizado a partir da análise laboratorial e identificação da presença da bactéria no sangue, no escarro e nos linfonodos.

“Sua taxa de letalidade pode ser alta, mas o tratamento com antibióticos é eficaz se administrado até 24 horas depois do contágio. Essa taxa é menor em casos com tratamento correto, mas ainda pode alcançar taxas de 50%. Embora não se esperem complicações a longo prazo, pacientes com peste podem, durante a doença, evoluir com disseminação hematogênica e apresentar comprometimento de outros sistemas, como ocorre na forma pulmonar secundária ou nos casos que evoluem com sintomas de meningite”, analisa a infectologista.

Tratamento

Antibióticos das classes dos aminoglicosídeos, tetraciclinas ou fluoroquinolonas podem ser utilizados como tratamento para os casos de peste pulmonar. A experiência é maior com gentamicina, doxiciclina e tetraciclina, como alternativas.

O uso de fluoroquinolonas, como levofloxacino, ciprofloxacino ou moxifloxacino, mostrou-se eficaz, mas a experiência clínica com estes antibióticos é menor.

Geralmente, a duração do tratamento varia de sete a dez dias, podendo ser estendido dependendo da resposta clínica do paciente.

Recomendações aos médicos

Pela possibilidade de transmissão aérea, todos os pacientes com suspeita ou com diagnóstico confirmado de peste devem ser mantidos em isolamento respiratório até a negativação de exames de escarro ou por, pelo menos, 48 horas de antibioticoterapia.

Assim, os profissionais de saúde devem utilizar os equipamentos de proteção individual adequados, além da correta higienização das mãos. Casos de pós-exposição podem ser manejados com profilaxia dos profissionais com ciprofloxacino ou doxiciclina por sete dias.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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