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Celulite: a importância de uma avaliação dermatológica precoce em pacientes internados

Tempo de leitura: 2 minutos.

Celulite é uma infecção de pele, que atinge camadas mais profundas, e é causa frequente de atendimentos em emergência e internação hospitalar. Nos EUA, chegou a ser a causa de 650.000 internações em um ano e a um custo estimado de 4,5 bilhões de dólares em 2009. Diagnósticos equivocados (“pseudocelulite”) podem representar um custo desnecessariamente alto e risco de efeitos adversos para os pacientes em uso de antibióticos. O diagnóstico recai normalmente sobre emergencistas que se deparam com achados clínicos pouco específicos (vermelhidão mal delimitada, inchaço, calor e dor). Será que avaliação dermatológica poderia mudar esse panorama?

Estudo publicado no JAMA Dermatology randomizou 175 pacientes admitidos por celulite não-complicada no Massachusetts General Hospital entre 2012 e 2017 ou para o braço A (tratamento padrão por emergencistas / médicos da unidade de internação) ou para o braço B (avaliação dermatológica nas primeiras 24h desde a admissão).

Desfechos primários: duração da internação e da antibioticoterapia;
Desfechos secundários: número de ATBs usados, melhora clínica em 2 semanas e taxa de readmissão hospitalar em 1 mês;
– Braço A (n=87 pacientes) X Braço B (n=88 pacientes);
– Foram realizadas consultas ou telefonema de seguimento duas semanas após a alta hospitalar para reavaliação.

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Resultados

  • Duração da internação: B vs A (<4 dias: 76.2% vs 64.4%; diferença absoluta, 11.8%; 95% IC, -1.6% to 25.2%; P = 0.14);
  • Duração da antibioticoterapia endovenosa: B vs A (<4 dias: 85.2% vs 74.7%; diferença absoluta, 10.5%; 95% IC, 0.5%-20.5%; P = 0.04);
  • Não houve diferença significativa na duração total do tratamento entre os dois braços;
  • No braço B, 89,3% dos pacientes obtiveram melhora da área acometida contra 68,3% no braço A;
  • Readmissão hospitalar 1 mês pós-alta: 4,5% no braço B X 6,9% no braço A;
  • No grupo intervenção, 27 de 88 (30,7%) pacientes foram diagnosticados como pseudocelulite (dermatite por estase venosa, eritema migrans, eritema nodoso, etc) pela avaliação dermatológica contra 5,7% de pseudocelulite no controle.

Conclusão

Nesse estudo em centro único, uma avaliação dermatológica precoce detectou 30,3% dos diagnósticos equivocados de celulite feito por generalistas/emergencistas. Houve também uma taxa maior de melhora das áreas acometidas 14 dias após a alta muito provavelmente porque a avaliação dermatológica contribuiu para o cuidado direto das lesões além do tratamento antibiótico.

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Autor:

Referências:

  • Lauren N. Ko, BA, MEd et al, Effect of Dermatology Consultation on Outcomes for Patients With Presumed Cellulitis; JAMA Dermatol. 2018; 154(5):529-536. doi: 10.1001/jamadermatol.2017.6196

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