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Choosing Wisely: o que deve ser evitado na hematologia pediátrica?

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Recentemente, como parte da campanha Choosing Wisely, a American Society of Hematology e a American Society of Pediatric Hematology/Oncology emitiram uma lista de cinco práticas que devem ser evitadas em hematologia pediátrica. Vamos falar um pouco sobre cada uma delas neste artigo!

1. Não realize testes hemostáticos pré-operatórios de rotina (PT, PTTa) em uma criança saudável, sem antecedentes pessoais ou familiares de sangramento.

A triagem hemostática pré-operatória em pacientes pediátricos saudáveis, sem histórico pessoal ou familiar de sangramento excessivo, não identifica efetivamente aqueles que terão sangramento cirúrgico inesperado. Artefatos ou distúrbios que não afetam o risco de sangramento podem ser identificados, como deficiência de fator XII ou um anticoagulante transitório associado a infecção. Os testes hemostáticos aumentam o custo e podem gerar estresse adicional, seja devido à coleta de sangue ou se a criança apresentar resultados “anormais”.

2. Não transfunda plaquetas em um paciente pediátrico (por exemplo, anemia aplástica, leucemia etc.) assintomático (por exemplo, sem sangramento), com uma contagem de plaquetas > 10.000/mcL, a menos que outros sinais e/ou sintomas de sangramento estejam presentes, ou se o paciente será submetido a um procedimento invasivo.

Em pacientes pediátricos assintomáticos (isto é, sem sangramento) com uma contagem de plaquetas > 10.000/mcL, a transfusão não é clinicamente indicada, a menos que estejam presentes sinais, sintomas ou fatores de risco aumentados de sangramento. Essa prática é consistente com as recomendações das diretrizes clínicas de várias associações (National Institute for Health and Care Excellence, British Society for Haematology, American Society of Clinical Oncology e American Society of Hematology). O risco de sangramento espontâneo é baixo em contagens de plaquetas > 10.000/mcL.

Transfusões desnecessárias colocam os pacientes em risco de reações transfusionais, aloimunização, infecções e refratariedade a futuras transfusões de plaquetas. Esta recomendação não se aplica à antecipação de um procedimento invasivo.

Leia também: Choosing Wisely: recomendações em cirurgia pediátrica

3. Não solicite testes de trombofilia em crianças com trombose associada a acesso venoso (periférico ou central) na ausência de um histórico familiar positivo.

O teste de formas hereditárias de trombofilia não influencia o tratamento inicial de um primeiro episódio de trombose venosa provocada e não deve ser realizado rotineiramente. Os resultados de tais testes não demonstraram prever a recorrência de trombose venosa ou informar a intensidade ou a duração da terapia anticoagulante.

O teste de trombofilia tem um custo financeiro substancial e um resultado positivo tem o potencial de interpretar mal a avaliação de risco, levando a sofrimento psicológico indevido ou impacto nos planos para gestação futura, bem como possível discriminação de seguro de vida para os pacientes afetados.

4. Não transfunda concentrado de hemácias em pacientes pediátricos assintomáticos com anemia por deficiência de ferro quando não houver evidência de instabilidade hemodinâmica ou sangramento ativo.

Em pacientes pediátricos com anemia assintomática por deficiência de ferro, não transfunda concentrado de hemácias na ausência de instabilidade hemodinâmica ou sangramento ativo. As transfusões desnecessárias colocam os pacientes em risco de complicações, como reações transfusionais, infecções e sobrecarga de volume. O uso criterioso das transfusões também estaria associado à economia de custos para os sistemas de saúde.

5. Não administre rotineiramente o fator estimulador de colônias de granulócitos (granulocyte colony stimulating factor – G-CSF) para tratamento empírico de pacientes pediátricos com neutropenia autoimune assintomática na ausência de infecções bacterianas e/ou fúngicas recorrentes ou graves.

Em pacientes pediátricos com neutropenia autoimune assintomática, não há evidências suficientes para apoiar o uso rotineiro do G-CSF como estratégia de profilaxia para melhorar os resultados. O uso do G-CSF nessa população deve ser orientado pela avaliação clínica. O uso rotineiro desnecessário pode levar a efeitos colaterais intoleráveis, como dores nos ossos, bem como custos evitáveis de assistência médica.

Mais da autora: Choosing Wisely: práticas que devem ser evitadas em reumatologia pediátrica

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