Choque séptico pediátrico: uso de vitaminas e hidrocortisona interfere na mortalidade?

Tempo de leitura: 2 min.

O choque séptico é uma das principais causas de morte em crianças graves. A combinação de hidrocortisona, ácido ascórbico (vitamina C) e tiamina (vitamina B1) intravenosos (IV) foi proposta como terapia adjuvante em adultos, visando a abordagem, principalmente, do estresse oxidativo observado no choque séptico. Essa combinação também é conhecida como “terapia HAT”.

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Terapia adjuvante no choque séptico pediátrico

De acordo com o recente estudo Hydrocortisone-Ascorbic Acid-Thiamine Use Associated with Lower Mortality in Pediatric Septic Shock de Wald e colaboradores (2020), o tratamento do choque séptico em crianças utilizando-se a terapia HAT está associado a uma menor mortalidade. O estudo foi publicado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.

Os autores conduziram um estudo de coorte retrospectivo de propensão combinada em pacientes pediátricos em choque séptico admitidos na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Ann & Robert H. Lurie Children’s Hospital of Chicago, entre janeiro de 2014 e fevereiro de 2019.

Os pacientes com choque séptico foram definidos como aqueles com suspeita ou infecção confirmada que necessitaram de infusões de medicamentos vasoativos nas 24 horas seguintes à admissão. A terapia com hidrocortisona em dose de estresse (“apenas hidrocortisona”) e a terapia HAT foram iniciadas a critério dos médicos à beira leito. A terapia HAT foi usada pela primeira vez em maio de 2017.

Leia também: Choque séptico em pediatria: quais corticosteroides usar?

O protocolo consistiu no uso de:

  • Hidrocortisona IV (50 mg/m²/dia, dividido a cada 6 horas);
  • Ácido ascórbico IV (30 mg/kg/dose a cada 6 horas por 4 dias; máximo de 1500 mg/dose);
  • Tiamina IV (4 mg/kg/dia por quatro dias; máximo de 200 mg/dose).

Os pacientes foram considerados tratados com essas terapias se fossem iniciadas dentro de 24 horas após o início dos medicamentos vasoativos.

Foram incluídos 557 pacientes. Sessenta e quatro (11,5%) morreram dentro de 30 dias da admissão na UTIP. Os pacientes tiveram início de infusões de medicamentos vasoativos em uma mediana de 0,5 horas [intervalo interquartil (IQR) – 0,4-6 horas] a partir da admissão na UTIP. Os pacientes tratados com terapia HAT receberam ácido ascórbico IV em uma mediana de 12 horas (6 a 19 horas) após a admissão na UTIP . O escore de propensão correspondente reduziu as diferenças padronizadas entre os grupos de tratamento.

Resultados

Os pesquisadores compararam 43 pacientes com choque séptico que receberam o tratamento com terapia HAT com 43 pacientes com perfil clínico semelhante que não a receberam (grupo controle) e com 43 pacientes que receberam apenas hidrocortisona como terapia adjuvante. Wald e colaboradores observaram que, enquanto os controles tinham mortalidade de 28% em 30 dias, a mortalidade nos pacientes tratados com a terapia HAT caiu para 9% no mesmo período.

Veja ainda: Avaliação da sepse infantil: uma iniciativa americana de qualidade

O tratamento com hidrocortisona isolada não melhorou a mortalidade (30% em 30 dias). Além disso, os autores notaram reduções semelhantes na mortalidade aos 90 dias (14% com protocolo versus 35% nos controles e 37% no grupo exclusivo de hidrocortisona).

Em resumo, o estudo de Wald e colaboradores mostrou que crianças com choque séptico tratadas com terapia HAT apresentaram uma mortalidade mais baixa quando comparadas a controles pareados não tratados com essa terapia e pacientes tratados apenas com hidrocortisona. No entanto, os pesquisadores destacam que ainda são necessários estudos multicêntricos maiores em crianças com choque séptico para confirmar esses achados.

Autor:

Referência bibliográfica:

  • Wald EL, Sanchez-Pinto LN, Smith CM, et al. Hydrocortisone-Ascorbic Acid-Thiamine Use Associated with Lower Mortality in Pediatric Septic Shock [published online ahead of print, 2020 Jan 9]. Am J Respir Crit Care Med. 2020;10.1164/rccm.201908-1543LE. doi:10.1164/rccm.201908-1543LE
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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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