Como acontece a transmissão da Covid-19 em ambientes familiares?

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Pesquisadores chineses e americanos analisaram em parceria a transmissão da Covid-19 dentro dos ambientes familiares. O resultado aponta que os indivíduos com menos de 20 anos têm uma chance menor de desenvolver a infecção após o contato com os parentes ou outros indivíduos que convivem dentro da mesma casa do que os adultos e os idosos.

Segundo o estudo publicado no The Lancet no dia 17 de junho, a transmissibilidade entre contatos domésticos e não-domésticos ainda não havia sido desvendada. Para tanto foram utilizados dados de rastreamento dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), na cidade de Guangzhou, na China.

Indivíduos da mesma família ou parentes próximos, como pais e sogros, independente do endereço residencial, e indivíduos que moravam na mesma residência, independente do grau de parentesco e nível de relacionamento foram considerados durante o estudo.

Leia também: Covid-19: risco potencial de transmissão aérea

Foram analisados 215 casos de Covid-19: 2 primários e 134 secundários ou terciários (infectados por contato com familiares) entre os dias 7 de janeiro e 18 de fevereiro. Também foram obtidas informações de 1.964 pessoas que estavam sendo observadas, mas não contraíram a enfermidade.

Após análise estatística, os pesquisadores mostraram que indivíduos com menos de 20 anos têm uma chance média de 5,2% de contraírem uma infecção “caseira” pelo novo coronavírus. O índice é menor do que o encontrado nas outras faixas etárias analisadas. Entre 20 e 59 anos, a possibilidade é de 14,8%. Já em idosos com mais de 60 anos, é de 18,4%.

O estudo aponta que os indivíduos começam a transmitir o vírus mesmo antes da fase pré-sintomática. Na opinião dos autores, essas informações podem servir para criar uma estratégia de proteção dentro das instalações e entre contatos familiares.

Surto atingiu platô e Brasil tem a oportunidade para assumir controle, diz OMS

Com 2 milhões de casos de Covid-19, o Brasil vive um momento de grande oportunidade em relação à pandemia, segundo o diretor de operações da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan.

O representante afirmou em uma coletiva de imprensa realizada recentemente que existem sinais de que os números de proliferação de casos da Covid-19 no país tenham se estabilizado nos últimos dias e que o país tem, pela primeira vez, a chance de iniciar um caminho em direção ao controle da enfermidade.

Um dos grandes desafios do Brasil será reduzir a taxa de novos casos de transmissão. Mas sem uma ação conjunta das autoridades, não existem garantias de que a pandemia perca força no país.

Veja mais: Covid-19: Manifestações gastrointestinais e transmissão fecal-oral

“Não estamos vendo o aumento que tivemos no mês de abril e maio, quando houve uma taxa elevada de crescimento. Entretanto, essa doença não está descendo a montanha. Os números se estabilizaram. Contudo, eles deveriam começar a cair de uma forma sistemática e diária. O Brasil está ainda no meio da luta”, apontou Michael Ryan.

Para a OMS, outro sinal positivo é o número de reprodução do vírus, que estaria entre 0,5 e 1,5 no país. Nos meses de abril e maio, ele chegou a variar entre 1,5 e 2. Ou seja, cada pessoa infectada contaminava duas outras pessoas.

“Hoje, o vírus não esta dobrando na população com a velocidade que ocorria antes. O aumento não é mais exponencial. Ele tem atingido um platô. Mas os casos e mortes não pararam e não há garantiria de que vá cair por si só. Já vimos isso em outros países”, frisou o diretor de operações da OMS.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências bibligráficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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