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Como cuidar da família de um paciente na terapia intensiva?

Entre 25% a 50% dos familiares de pacientes críticos experimentam sintomas psicológicos, incluindo estresse agudo, estresse pós-traumático, ansiedade generalizada e depressão. Há uma consciência crescente entre os profissionais de saúde sobre a importância de melhorar os cuidados à família e os resultados que esse apoio pode ter sobre o paciente.

A American College of Critical Care Medicine atualizou suas diretrizes para cuidar da família de um paciente na terapia intensiva, com base nas atuais evidências. Entre as recomendações, destacamos:

Presença familiar na UTI

– Recomenda-se oferecer uma presença familiar aberta ou flexível ao lado da cama, que atenda às necessidades da família. Ao mesmo tempo, deve-se prestar apoio ao staff e reforçar os aspectos positivos de trabalhar em parceria com as famílias.

– Familiares devem ter a opção de participar de rounds de equipes interdisciplinares para melhorar a satisfação com a comunicação e aumentar o envolvimento da família.

– Familiares devem ter a opção de estar presentes durante os esforços de ressuscitação, com um funcionário designado para apoiá-los.

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Apoio da família

– Os membros da família de neonatos criticamente doentes devem ter a opção de aprender como ajudar com o cuidado do recém-nascido, para melhorar a confiança dos pais e competência no seu papel de cuidar, e melhorar a saúde psicológica dos pais durante e após a internação.

– Programas de educação familiar devem ser incluídos como parte do atendimento clínico, pois demonstraram efeitos benéficos para familiares, reduzindo ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e estresse generalizado, ao mesmo tempo em que melhoraram a satisfação familiar com os cuidados.

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Comunicação

– Conferências rotineiras interdisciplinares de família devem ser usadas na UTI para melhorar a satisfação da família com a comunicação e confiança nos médicos, e para reduzir o conflito entre médicos e familiares.

– Médicos devem usar abordagens estruturadas de comunicação com os membros da família, incluindo escuta ativa, expressões de empatia e declarações de apoio em relação a não-aceitação e tomada de decisões. Além disso, sugere-se que os familiares de pacientes críticos que estão morrendo recebam um folheto sobre luto, para reduzir a ansiedade, depressão e estresse pós-traumático, e melhorar a satisfação com a comunicação.

– Intensivistas devem receber treinamento de comunicação centrado na família.

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Uso de consultas específicas e membros da equipe da UTI

– Consulta de cuidados paliativos deve ser realizada para diminuir o tempo de permanência hospitalar entre os pacientes críticos (por exemplo, demência avançada, isquemia cerebral global após parada cardíaca, pacientes com internação prolongada na UTI e pacientes com hemorragia subaracnoide em ventilação mecânica).

– Consulta ética deve ser providenciada para diminuir o tempo de permanência hospitalar entre pacientes críticos para os quais há um conflito de valor entre médicos e familiares.

– A intervenção de um psicólogo deve ser fornecida para melhorar os resultados em mães de bebês prematuros admitidos na UTI. Além disso, materiais de vídeo e de leitura direcionados devem ser fornecidos no contexto do apoio psicológico às mães.

– Assistentes sociais devem ser incluídos em uma equipe interdisciplinar para participar de reuniões familiares.

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Questões operacionais e ambientais

– Protocolos devem ser implementados para garantir o uso adequado e padronizado de sedação e analgesia durante a retirada do suporte vital.

– Enfermeiros devem ser envolvidos na tomada de decisões sobre os objetivos do cuidado e ser treinados para fornecer apoio aos membros da família como parte de um programa global para diminuir o tempo de permanência hospitalar e melhorar a qualidade da comunicação na UTI.

– Com base nas evidências sobre dano relacionado ao ruído, as UTIs devem implementar práticas de redução de ruído e higiene ambiental, e usar salas privadas.

– O sono familiar deve ser considerado e as famílias devem receber uma superfície para dormir.

Veja aqui todas as recomendações do novo guideline.

Referências:

  • Guidelines for Family-Centered Care in the Neonatal, Pediatric, and Adult ICU. Critical Care Medicine: January 2017 – Volume 45 – Issue 1 – p 103–128. DOI: 10.1097/CCM.0000000000002169

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