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Terapia intensiva – fim da linha para o burnout

O burnout é um tema recorrente no mundo médico. Não apenas pelo crescimento nos últimos anos dos pacientes com esta síndrome do esgotamento profissional, mas também pela alta incidência de profissionais de saúde acometidos.

Como já falamos antes, os médicos que lideram a lista de incidência de burnout são os intensivistas. Isto ocorre principalmente pelo alto número de escolhas, com grande nível de responsabilidade e pressão, em tomadas de decisão rápidas e com alto risco de morte. Médicos que trabalham em terapia intensiva são submetido a muitas coisas ao mesmo tempo, e não poderia ser muito diferente levando em conta a gravidade dos seus pacientes.

A consequência desse esgotamento são os inúmeros casos de estresse e desgaste, conduzindo a depressão, desmotivação e deslocamento social. Isto pode resultar em graves resultados, não apenas para o indivíduo, como também para o hospital.

A situação se agrava ainda mais quando os médicos colocam-se em uma posição solitária sobre o problema e, no fundo, não enxergam que ele é muito maior e também acomete outros colegas de trabalho. Ficamos tão imersos em uma rotina de trabalho feroz, com longos turnos, noites acordados, cobranças individuais e coletivas, que nos afundamos e absorvemos o desgaste como algo comum e aceitável da profissão. O grande problema é identificar a linha tênue entre dedicação e esforço, contra o limite de desgaste físico e mental.

Nos últimos anos, com uma maior conscientização sobre burnout, hospitais começaram a desenvolver iniciativas que podem contribuir para identificar médicos em risco e estimular um melhor equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos seus profissionais de saúde. O objetivo é claro e envolve ampliar o nível de satisfação com o trabalho, garantir a retenção do profissional e prevenir o burnout. Alguns hospitais estão revendo escalas de trabalho, rotação de trabalho nos fins de semana, estímulo para atividades fora do local de trabalho, incluindo relaxamento e práticas de atividade física regular.

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Dados de um estudo envolvendo enfermeiras, e publicado na Dimensions of Critical Care Nursing, apontou que a melhora do ambiente de trabalho impactou uma redução de 49% do absenteísmo entre estes profissionais, e redução das quedas dos pacientes em 75%. As estratégias envolviam colaboração entre profissionais e reconhecimento significativo, tudo apoiado pelas lideranças.

Existe a crença que ampliação de staff e disponibilização de mais recursos financeiros resolvem sozinho os fatores relacionados ao esgotamento. Entretanto, para muitos pesquisadores mostra-se cada vez mais claro que o resolver o burnout diz respeito a modificar o ambiente de trabalho e as relações, principalmente quando falamos entre equipe de enfermagem e médicos. Eles precisam estar alinhados e com uma comunicação clara e efetiva.

Veja também: ‘Slow Medicine: uma solução para o burnout?’

Fica evidente nos estudos mais recentes que a cada dia que aumenta-se o número de casos de burnout, aumenta-se proporcionalmente as consequências negativas diretamente relacionado a pessoas e indiretamente a instituições e pacientes. A cada dia mais diretores de redes de saúde e chefe de unidades e setores percebem que investir nos profissionais e garantir o equilíbrio necessário para um bom ambiente é fundamental para o sucesso.

Em lugares estressantes, cheio de cobranças e responsabilidades como uma sala de emergência ou uma unidade intensiva, é necessário que a equipe esteja cada vez mais alinhada e conectada para garantir o sucesso coletivo, além de cada ator envolvido garantir uma percepção não apenas individual, mas também do outro.

Referências:

  • Dimensions of Critical Care Nursing: July/August 2013 – Volume 32 – Issue 4 – p 166–173. Critical Care Clinicians at High Risk for Burnout – Society of Critical Care Medicine (SCCM) 46th Critical Care Congress. Presented January 22, 2017. Terapia intensiva – fim da linha para o burnout

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