Como e quando o profissional de enfermagem pode orientar sobre aleitamento materno?

O incentivo ao aleitamento materno sempre deve ser fortalecido em todos os cenários de assistência à saúde da mulher e da criança.

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O mês de agosto, aqui no Brasil denominado como agosto dourado em alusão ao padrão ouro de qualidade do leite materno, é destinado a intensificação e desenvolvimento de ações de promoção e proteção à amamentação. A Semana Mundial de Aleitamento Materno, que vai de 1 a 7 de agosto, foi estabelecida pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) em 1992, com foco principal na sobrevivência, proteção e desenvolvimento da criança, bem como na importância da garantia de aleitamento materno exclusivo até os seis meses e complementado com outros alimentos até no mínimo os dois anos.

O foco das ações é intersetorial, com destaque para o papel fundamental dos profissionais de saúde na luta pelo incentivo à amamentação de qualidade e empoderamento das famílias nesse processo.

O mês de agosto é uma oportunidade ímpar para realização de palestras, rodas de conversa, eventos, divulgação de materiais nas diversas mídias, reuniões e interações com a comunidade, ações de divulgação em espaços públicos, iluminação ou decoração de espaços públicos com a cor dourada para conscientização da população.

Leia também: Transmissão de citomegalovírus via leite materno em bebês com baixo peso ao nascer e em prematuros

Entretanto, a luta e incentivo ao aleitamento materno deve ser fortalecido em todos os cenários de assistência à saúde da mulher e da criança durante todo o tempo, bem como nos espaços públicos, incluindo não só a dupla mãe e bebê, mas toda a sua rede de apoio e sociedade.

É importante ressaltar que o incentivo à amamentação não deve se limitar a ações pontuais de educação em saúde para mulheres e famílias, mas também em ações públicas que fiscalizem e garantam o cumprimento da Norma Brasileira para Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL), Portaria MS nº 2051, 2001.

Como e quando o profissional de enfermagem pode orientar sobre aleitamento materno

Como educar e apoiar à amamentação no pré-natal?

Durante as consultas de enfermagem de pré-natal, a enfermeira deve abordar sobre a temática do aleitamento materno, tendo em vista que é o momento da construção de um processo importante. É fundamental considerar todas as expectativas da gestante e sua família, história anterior de amamentação e esclarecer dúvidas.

Em todas as consultas, a temática pode ser pontuada, entretanto interessante que uma delas seja destinada apenas à abordagem da amamentação. Fica a critério do profissional, ser consulta individualizada ou em grupo com outras gestantes. Ações coletivas podem ser benéficas no sentido de facilitar a troca e fortalecer uma rede de apoio entre mães. Independente de ser coletiva ou individual, é sempre bom que a mulher esteja acompanhada com uma pessoa da sua rede de apoio, para ser alvo da educação também.

Como aspectos a serem abordagem na consulta de pré-natal com foco em amamentação, sugerimos:

  • Benefícios do aleitamento materno para mãe, bebê e família;
  • Importância da golden hour para a dupla mãe e bebê;
  • Como realizar a pega e posicionamento corretos;
  • Como identificar se o bebê está mamando bem;
  • O que é apojadura e como manejar;
  • Porque os bicos artificiais prejudicam à amamentação;
  • Puerpério e amamentação.

Como educar e apoiar à amamentação na sala de parto?

No que tange a abordagem na sala de parto, é fundamental que todos os profissionais durante a assistência estejam alinhados acerca dos benefícios do contato pele a pele e início precoce da amamentação e garantam esse direito à dupla mãe e bebê. Além disso, esse aspecto deve ser previamente conversado com a gestante, para que ela pontue o seu desejo diante dos benefícios que essa prática oferece para ela e para o recém nascido.

Estudos mostraram uma queda de 22% no risco de mortalidade em bebês que iniciaram a amamentação precocemente. Essa proteção contra a mortalidade neonatal está relacionada à aquisição de bactérias saprófitas que colonizam o trato intestinal e fatores imunológicos bioativos como a Imunoglobulina A, que reduzem consideravelmente os riscos de infecção e consequentemente mortalidade por essas causas.

Apoiar à amamentação na sala de parto é fundamentalmente garantir um nascimento respeitoso, livre de intervenções desnecessárias, promover o contato pele a pele e permitir que a amamentação seja iniciada ainda na primeira hora de vida, se bebê com boa vitalidade ao nascer.

Como educar e apoiar à amamentação no puerpério?

O puerpério é um período transformador e marcado por inúmeras adaptações na rotina da família. É extremamente importante que a mulher encontre apoio e acolhimento na sua rede de apoio, formada por profissionais de saúde e familiares.

Nesse período, é possível que ocorram inúmeras dúvidas em relação ao aleitamento materno, bem como intercorrências como dor durante a mamada, lesões mamilares, ingurgitamento mamário, que precisam ser manejadas para restaurar o bem estar materno e do bebê.

Pode ser necessário uma visita domiciliar ou consulta de enfermagem para avaliar como se encontra a amamentação, saúde da mãe e bebê, bem como esclarecer dúvidas, empoderar à mulher para todo o processo e reforçar a importância da rede de apoio nesse período. Além disso, é uma oportunidade para educar sobre os cuidados com as mamas e leite materno.

Saiba mais: Consumo de leite materno por prematuros está associado ao melhor desempenho cardíaco?

Como educar e apoiar à amamentação na UTI neonatal?

Qualquer situação que resulta em separação entre mãe e bebê se configura em um fator de risco para o sucesso do aleitamento materno, um exemplo é a necessidade da internação do bebê em uma UTI neonatal. Esse fator de risco está relacionado à alguns aspectos, dentre eles:

  • Comprometimento da amamentação em livre demanda;
  • Estresse, ansiedade e medo da mãe em ter o bebê hospitalizado e incertezas sobre o futuro, que podem impactar na produção de leite;
  • Dificuldade em realizar contato pele a pele;
  • Uso de dispositivos como acessos venosos, eletrodos de motorização, sondas, que podem deixar a mãe insegura ao pegar o bebê e, dificultar o posicionamento e a pega ao seio também.
  • Bebês que estejam impossibilitados de receber dieta oral ou incapazes de sugar no momento.

Nesse sentido, se torna importante proteger o aleitamento materno em qualquer situação, seja nos casos em que o bebê pode ir ao seio, mas também nos casos em que o aleitamento materno esteja contraindicado. Quando a dieta oral estiver liberada, o leite materno deve ser o alimento de escolha, para que sejam garantidos todos os benefícios nutricionais e imunológicos ao bebê.

É importante que, dentro do possível, o profissional de enfermagem promova um ambiente confortável para a dupla, ofereça auxílio para posicionar o bebê no seio de forma correta, avalie a pega e a realização de uma mamada efetiva. Além disso, é importante que seja garantido livre acesso da mãe ao setor, uma vez que é um direito da criança ter acompanhante em tempo integral, durante todo o período de hospitalização.

Para todos os casos, inclusive os que não seja possível o aleitamento materno direito ao seio, é fundamental que a equipe de enfermagem oriente a mulher a cerca dos cuidados com a mama, massagens e ordenha para prevenção de ingurgitamento e proteção da produção de leite.

Diante do aumento do risco de impactos negativos na produção de leite, é importante que se avalie junto a equipe assistente a necessidade da realização de medidas para estímulo e manutenção da produção de leite, como protocolos de ordenha e galactagogos, uma vez que a hospitalização do bebê é um período transitório e o leite materno será importante para o seu crescimento e desenvolvimento.

Por fim, o apoio ao aleitamento materno perpassa pelo não oferecimento de bicos artificiais como chupetas e mamadeiras, que promovem prejuízos à biomecânica de sucção ao seio e podem provocar confusões de bicos e fluxo.

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# Perilo TVC. Tratado do especialista em cuidado materno-infantil com enfoque em amamentação. Belo Horizonte: Mame Bem, 2019. # Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção humanizada ao recém-nascido: método canguru. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. # Tavares CBG. Técnicas de amamentação. Bases científicas. 4ª ed. Rio de Janerio: Guanabara Koogan, 2015. # World Health Organization. Positioning a baby at the breast. In: Integrated Infant Feeding Counselling: a trade course. Genebra: WHO, 2004.