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A Síndrome de Burnout ou Síndrome do esgotamento profissional surge como um importante problema decorrente da alta demanda de usuários, precárias condições de trabalho e sentimentos de frustração. Por definição, o burnout é um fenômeno tridimensional formado por: exaustão emocional, despersonalização e falta de realização pessoal que podem acarretar transtornos mentais, uso abusivo de álcool e psicotrópicos, queda na produtividade e desgaste das relações familiares e sociais. Tradicionalmente, é um quadro bem observado em profissionais que atuam em regime de plantões em enfermarias clínicas e terapia intensiva. No entanto, pesquisas que avaliam sua prevalência em médicos da Atenção Primária estão sendo cada vez mais realizadas.

Os profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) exercem responsabilidade de cuidado a uma significativa parte da população, principalmente por garantirem o acesso ao sistema de saúde. Em 2013, mais de 320 mil trabalhadores da saúde atuavam nas equipes de saúde da família, fornecendo cobertura a aproximadamente de 118 milhões de pessoas no país. Dessa maneira, esses profissionais são de extrema importância para todo o sistema de saúde de forma que condições que alterem a saúde desses trabalhadores têm consequências na qualidade do cuidado que é oferecido.

Morais et al. (2018) investigaram a prevalência da síndrome de Burnout em 89 médicos da Estratégia Saúde da Família em Montes Claro, MG e observaram prevalência de 100% para síndrome de Burnout moderada. Além disso, constataram que as dimensões “exaustão” e “despersonalização” foram relacionadas à alta demanda psicológica e profissional, comprometimento excessivo as funções e desequilíbrio da relação esforço-recompensa.

Moreli et al. (2015) realizaram uma revisão sistemática para analisar quais as principais variáveis individuais e as relacionadas ao exercício profissional que estiveram mais associadas à síndrome de burnout em médicos da APS. Os autores supracitados concluíram que o tempo de atuação na área, o número de horas trabalhadas por semana, o número de pacientes atendidos e o tipo de contrato de trabalho foram as principais características do trabalho associadas.

Entre outras, pode-se citar: atividade docente adicional, a duração do período de férias e dificuldades no relacionamento com outros profissionais. Vale ressaltar que em um dos artigos incluídos na revisão, os médicos de família que atendiam mais de 25 pacientes por dia apresentaram maior exaustão emocional que aqueles que atendiam menos de 25 pacientes ao dia. Nessa revisão foi observada também uma prevalência de burnout variando entre 34,8% a 85,7% nos artigos analisados.

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Muñoz et al. (2003) comparam a prevalência entre médicos da Atenção Primária e aqueles que atuavam em hospitais e verificaram maior nível de burnout entre médicos da Atenção Primária. Os autores associaram os resultados obtidos na hipótese que a consulta na APS demanda maior relacionamento emocional com o paciente já que presta um serviço de cuidado continuado e integral.
O que isso significa?

Primeiro, que precisamos desqualificar a narrativa que a atividade na Atenção Primária é simples e isenta de riscos de adoecimento. Segundo, a importância real da necessidade de elaborar intervenções sobre as características do trabalho como redução do número de pacientes atendidos e do número de horas trabalhadas. Além disso, os gestores precisam estar atentos a medidas de gerenciamento de conflitos entre equipes e melhora do relacionamento interprofissional.

Outro aspecto relevante que se pode concluir é o impacto em relação ao desequilíbrio entre o esforço desprendido no trabalho e baixa recompensa recebida, isto é, o desequilíbrio-esforço-recompensa que foi observado. Agrega-se a isso outros fatores, como a desvalorização econômica do profissional, a frustração com as funções exercidas, a fragilidade do vínculo com a Estratégia Saúde da Família que é dependente de interesses políticos e à desvalorização do médico frente à sociedade.

Dessa maneira, como profissionais sob o risco de adoecimento, devemos elaborar e praticar estratégias de enfrentamento individuais e coletivas, seja com base em atividades físicas, gerenciamento de tempo, inteligência emocional, habilidade de comunicação e/ou relacionamentos familiares e pessoais.

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Autor:

Referências:

  • de Souza Lima, A., Farah, B. F., & Bustamante-Teixeira, M. T (2018). Análise da prevalência da Síndrome de Burnout em profissionais da atenção primária em saúde. Trabalho, Educação e Saúde, 16(1), 283-303.
  • Lima, AS; Farah, BF; Bustamante-Teixeira, MT. Análise Da Prevalência Da Síndrome De Burnout Em Profissionais Da Atenção Primária Em Saúde. Trabalho, Educação e Saúde, [s.l.], p.1-21, 11 dez. 2017.
  • Martins LF, Laport TJ, Menezes VP, Medeiros PB, Ronzani TM. Esgotamento entre profissionais da atenção primária à saúde. Ciênc Saúde Coletiva. 2014;19(12):4739-50.
  • Morelli SG, Sapede M, Silva ATC. Burnout em médicos da Atenção Primária: uma revisão Sistemática. Rev Bras Med Fam Comunidade. 2015;10(34):1-9.
  • Muñoz AM de la C. Estudio sobre la prevalencia del burnout en los médicos del Área Sanitaria de Talavera de la Reina. Atención Primaria. 2003;32:343–8.
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