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Como otimizar o cuidado pós-parto?

Tempo de leitura: 4 minutos.

As semanas após o parto são críticas para as mães e seus bebês. É o momento em que ocorre adaptação a múltiplas mudanças físicas, sociais, psicológicas, como a recuperação pós-parto, mudanças bruscas hormonais, aprendizagem da amamentação e cuidados do recém-nascido. Além de ser um motivo de alegria e entusiasmo, esse “quarto trimestre” pode apresentar desafios consideráveis ​​para as mulheres, incluindo privação do sono, fadiga, dor, dificuldades na amamentação, estresse, início ou exacerbação de transtornos mentais, falta de desejo sexual e incontinência urinária.

Nesse período, os cuidados pós-parto podem ser fragmentados entre os profissionais de saúde materno-pediátricos, e a comunicação na transição de pacientes internados para ambulatoriais é muitas vezes inconsistente. Essa falta de atenção às necessidades de saúde materna é particularmente preocupante, uma vez que mais da metade das mortes relacionadas à gravidez ocorre após o parto.

A avaliação da pressão sanguínea, por exemplo, é recomendada para mulheres com distúrbios hipertensivos da gravidez até 7 a 10 dias após o parto, e portadoras de hipertensão grave devem ser avaliadas dentro de 72 horas; outros especialistas recomendam o acompanhamento em 3 a 5 dias. Essa avaliação é crítica, uma vez que mais de metade dos AVCs no período pós-parto ocorre dentro de 10 dias após a alta. Além disso, pacientes com alto risco de complicações como depressão pós-parto, infecção de ferida operatória pós-cesárea ou ferida perineal, dificuldades na lactação ou condições crônicas, como transtornos convulsivos que exigem titulação de medicação no pós-parto, podem necessitar de várias visitas médicas para facilitar a recuperação.

É importante salientar que, mesmo entre as mulheres sem fatores de risco, problemas como sangramento intenso, dor, exaustão física e incontinência urinária são comuns. As diretrizes da Organização Mundial de Saúde para os cuidados pós-natais incluem avaliação de rotina pós-parto de todas as mulheres e recém-nascidos em 3 dias, 1 a 2 semanas e 6 semanas. As diretrizes do Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados recomendam a triagem de todas as mulheres para a resolução do “ Blues puerperal” entre 10 e 14 dias após o nascimento, para facilitar a identificação precoce e o tratamento da depressão pós-parto. O contato ao centro de saúde nas primeiras semanas também pode permitir que as mulheres alcancem suas metas de amamentação. Entre as mulheres com desmame precoce indesejado, 20% interromperam a amamentação até 6 semanas após o parto. Para abordar essas preocupações comuns no pós-parto, todas as mulheres devem idealmente ter contato com um médico obstetra nas primeiras 3 semanas após o parto.

A avaliação, segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), não precisa ocorrer como uma visita ao consultório, e a utilidade de uma avaliação centrada na paciente deve ser ponderada contra o ônus de viajar e comparecer a uma consulta no consultório com um neonato. Mecanismos adicionais para avaliar as necessidades de saúde das puérperas incluem visitas domiciliares, suporte por telefone, mensagens de texto, monitoramento remoto da pressão arterial e apoio. O suporte por telefone durante o período pós-parto parece reduzir os escores de depressão, melhorar os resultados da amamentação e aumentar a satisfação do paciente, embora as evidências sejam contraditórias.

Dada a necessidade urgente de reduzir a morbidade e mortalidade materna grave, a Opinião do Comitê de especialistas do ACOG foi revisada para reforçar a importância do “quarto trimestre” e propor um novo paradigma para o atendimento pós-parto.

Atualmente, cerca de 40% das mulheres não participam de uma visita pós-parto. A subutilização desses cuidados impedem o gerenciamento de condições crônicas de saúde, acesso a métodos contraceptivos eficazes, o que aumenta o risco de gravidez com intervalo curto e parto prematuro. As taxas de participação são menores entre as populações de baixa renda, o que contribui para as disparidades de saúde. Aumentar a participação nas visitas pós-parto é uma meta de desenvolvimento em saúde para 2020.

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas faz as seguintes recomendações e conclusões:

  • Para otimizar a saúde das puérperas e recém-nascidos, os cuidados pós-parto devem se tornar um processo contínuo, em vez de um único encontro, com serviços e apoio adaptados às necessidades individuais de cada mulher.
  • A orientação antecipada deve começar durante a gravidez, com o desenvolvimento de um plano de cuidados pós-parto que aborde o cuidado da puérpera pelos familiares.
  • As discussões pré-natais devem incluir os planos de vida reprodutiva da mulher, incluindo o desejo e o momento de futuras gravidezes. As futuras intenções de gravidez de uma mulher fornecem um contexto para a tomada de decisão compartilhada em relação às opções contraceptivas.
  • Todas as mulheres devem idealmente ter contato com um ginecologista/obstetra nas primeiras 3 semanas após o parto. Esta avaliação inicial deve ser acompanhada de cuidados contínuos, conforme necessário, concluindo com uma consulta pós-parto abrangente o mais tardar 12 semanas após o nascimento.
  • O momento da visita pós-parto abrangente deve ser individualizado e centrado na mulher.
  • A visita pós-parto abrangente deve incluir uma avaliação completa do bem-estar físico, social e psicológico.
  • Mulheres com gestações complicadas por parto prematuro, diabetes gestacional ou distúrbios hipertensivos da gravidez devem ser aconselhadas de que esses distúrbios estão associados a um maior risco de doença cardiometabólica materna ao longo da vida.
  • Mulheres com doenças crônicas, como distúrbios hipertensivos, obesidade, diabetes, distúrbios da tireoide, doença renal, distúrbios de humor e distúrbios de uso de drogas/álcool, devem ser aconselhadas em relação à importância do acompanhamento oportuno com seus obstetras-ginecologistas ou prestadores de cuidados primários para coordenação contínua dos cuidados.
  • Para uma mulher que sofreu aborto espontâneo, morte fetal ou morte neonatal, é essencial garantir o acompanhamento com um obstetra-ginecologista ou outro prestador de cuidados obstétricos.
  • A otimização do cuidado e apoio às famílias pós-parto exigirá mudanças na política de saúde, que apoiem os cuidados pós-parto como um processo contínuo, em vez de uma visita isolada.

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