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CHEST 2018

Conheça novidades da diretriz CHEST 2018 sobre anticoagulação na FA

Tempo de leitura: 2 minutos.

Desde o lançamento dos NOAC, a quantidade de novos estudos sobre anticoagulação na FA cresce exponencialmente. São novas drogas, novas indicações e reavaliação do custo x benefício a todo instante. Em novembro, a CHEST, importante revista do American College of Chest Physicians (ACCP), que reúne pneumologistas e cirurgiões de tórax, publicou uma diretriz com recomendações da ACO em pacientes com os diferentes tipos de fibrilação atrial.

O documento, muito completo, é claro e traz figuras bem didáticas. Quem for especialista, vale a leitura do texto. Na figura abaixo, fizemos um resumo prático dos princípios gerais da diretriz e abaixo trazemos alguns detalhes.

Guideline CHEST Fibrilação atrial

O “C” do CHA2DS2VASc diz respeito à insuficiência cardíaca descompensada recentemente, e não à fração de ejeção ou à presença de sintomas.

Em relação à cardioversão, não houve novidades. Mantém-se recomendação de anticoagular o paciente per-procedimento e no mínimo por quatro semanas depois. Naqueles com CHA2DS2VASc ≥ 1, manter a vida toda.

Pacientes com FA < 48h, faz-se cardioversão e ACO por quatro semanas. A diretriz aponta a falta de evidências para decidir a manutenção da ACO além desse período. Ela sugere que você individualize o caso, olhando o risco tromboembólico (CHA2DS2VASc), o risco de sangramento (HAS-BLEED) e o risco de recorrência da FA (idade, tamanho atrial, cardiopatia estrutural, etc).]

Leia mais: Fibrilação atrial: NOAC é eficaz em pacientes com múltiplas comorbidades?

A diretriz enfatiza muito a importância de tentar controlar e/ou modificar os fatores de risco para sangramento, como controle da PA, redução AINE e evitar uso concomitante de antiplaquetários. O risco de quedas, per se, não deveria ser único motivo para contraindicar a ACO.

Tabela 1. Escore SAMe-TT2R2:

S

Sexo feminino

1

A

Age (idade) < 60 anos

1

Me

História Médica, definida pela presença de dois ou mais comorbidades:
hipertensão, diabetes melito, DAC/IAM, doença arterial periférica, ICC, AVC, pneumopatia, hepatopatia ou nefropatia

1

T

Tratamento com drogas com interação – ex: amiodarona

1

T

Tabaco (tabagista nos últimos 2 anos)

2

R

Raça não-caucasiana

2

*Pacientes com escore SAMe-TT2R2 > 2 apresentam maior chance de não conseguirem manter o INR na faixa alvo adequadamente. Ou seja, o ideal, é um SAMe-TT2R2 de 0 a 2.

Sobre a escolha do NOAC, não há grandes novidades, e a diretriz mantém as mesmas recomendações que as anteriores. No paciente “usual”, qualquer NOAC é adequado. Porém, em alguns subgrupos, há NOAC com melhores evidências em relação a outros, conforme tabela abaixo:

Tabela 2. Escolha do NOAC conforme comorbidade e perfil clínico:

AVCi recorrente a despeito de TTR com varfarina ≥ 65% Dabigatrana 150 mg 2x/dia
Doença renal crônica estágios 3b e 4 Apixabana*

Dabigatrana*

Edoxabana*

Rivaroxabana*

Alto risco sangramento gastrointestinal Apixabana

Dabigatrana 110 mg 2x/dia

Dispepsia e/ou sintomas gastrointestinais recorrentes Apixabana

Rivaroxabana

Edoxabana

HAS-BLED ≥ 3 Apixabana

Edoxabana

Dabigatrana 110 mg 2x/dia

*Todos com ajuste de dose conforme função renal.

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Autor:

Ronaldo Gismondi

Doutorado em Medicina pela UERJ ⦁ Cardiologista do Niterói D’Or ⦁ Professor de Clínica Médica da Universidade Federal Fluminense

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