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Consumo de nuts X incidência de 7 doenças cardiovasculares

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Nuts são fontes de ácidos graxos insaturados, proteínas, fenóis, vitamina E, minerais, etc. Seu consumo parece estar associado com uma redução da mortalidade por doenças cardiovasculares, tendo sido postulados efeitos anti-inflamatórios, melhora do metabolismo de lipídios, melhora da função endotelial e redução do risco de ganho ponderal como possíveis mecanismos. Porém, dados oriundos de estudos prospectivos sobre consumo de nuts e a incidência de doenças cardiovasculares específicas (IAM, AVE, IC, FA etc) são escassos.

Um estudo recém-publicado envolvendo duas coortes suecas foi realizado para avaliar a relação do consumo de nuts (dados obtidos por questionários) e a incidência de sete doenças cardiovasculares. Foram analisados dados de um total de 61.364 participantes com idade entre 45 e 83 anos.

O questionário abrangia outros fatores como: tabagismo, etilismo, peso, altura, IMC, prática de atividade física, história familiar para doença coronária (DAC), uso de AAS, diabetes, hipertensão e hipercolesterolemia, além de outros 92 itens dietéticos. Quanto à frequência de consumo: nada, 1 a 3x/mês, 1 a 2x/semana, 3 a 4x/semana, 5 a 6x/semana, 1x/dia, 2x/dia e 3x ou mais/dia.

Dos registros nacionais de saúde na Suécia, foram extraídos dados de mortalidade e de internação com diagnósticos de: IAM, IC, fibrilação atrial (FA), Estenose Aórtica (EA), aneurisma de aorta abdominal (AAA), AVE isquêmico, hemorragia SNC.

Nuts e as doenças cardiovasculares

Os participantes que mais consumiam nuts eram, em geral, mais jovens, tinham menor IMC, tinham mais diabetes, exercitavam-se mais e consumiam mais álcool, frutas e vegetais que os não consumiam.

Durante 17 anos de seguimento, quando ajustados para o sexo e idade, o consumo de nuts esteve inversamente proporcional ao risco de IAM (fatal e não-fatal), IC, FA e AAA. Quando ajustado por múltiplos fatores de risco, a associação foi menos intensa, permanecendo apenas uma relação linear dose-resposta com a incidência de FA e não-linear com IC.

Comparando com quem não consumia nuts, os hazard ratios (HR) para FA entre categorias de consumo foram:

  • 0.97 (95% IC 0.93 a 1.02) para 1 a 3x/mês;
  • 0.88 (95% IC 0.79 a 0.99) para 1 a 2x/semana;
  • 0.82 (95% IC 0.68 a 0.99) para 3x ou mais/semana.

Mesmo ajustando por gênero, a relação não foi diferente de maneira significativa.

Discussão

Apesar de outros estudos não terem evidenciado a mesma relação, baseado nesse estudo prospectivo sueco, um maior consumo de nuts esteve associado com um risco menor de incidência de FA, mantendo uma relação dose-resposta em diferentes categorias. Houve uma suposta redução da incidência de IC com um consumo moderado (1 a 2x/sem). Dão “peso” a esse estudo a quantidade de participantes e a confiabilidade dos dados do registro nacional de saúde sueco.

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Autor:

Cristiano Carvalho de Oliveira

Formado em Medicina pela UFRJ em 2009/2 ⦁ Residência de Clínica Médica no HUCFF (UFRJ 2010 -2012) ⦁ Residência de Cardiologia no HUCFF (UFRJ 2012 – 2014) ⦁ Trabalho na Emergência do H. Pró-cardíaco ⦁ Ergometrista na CardioClin.

Referências:

  • larsson sc, Drca n, Björck M, et al, Nut consumption and incidence of seven cardiovascular diseases. Heart epub ahead of print (April 16th 2018).

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