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Cuidado paliativo melhora a qualidade de vida em pacientes com IC avançada

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A prevalência da insuficiência cardíaca tem aumentado nos últimos anos, especialmente entre indivíduos idosos. É uma condição progressiva associada à elevada morbidade e mortalidade. Além disso, a progressão da insuficiência cardíaca é uma experiência assustadora e desconfortável para os pacientes, ocasionando sequelas físicas e psicológicas. Pacientes com insuficiência cardíaca geralmente apresentam depressão, qualidade de vida reduzida e sofrimento espiritual.

Apesar das opções de tratamentos disponíveis, a terapia convencional pode não reduzir suficientemente o sofrimento do paciente e melhorar a qualidade de vida.

O estudo Palliative Care in Heart Failure (PAL-HF) publicado no Journal of the American College of Cardiology teve como objetivo investigar se os cuidados paliativos interdisciplinares, além dos cuidados tradicionais, melhora a qualidade de vida dos pacientes com insuficiência cardíaca avançada.

Entre agosto de 2012 e junho de 2015, 150 pacientes com insuficiência cardíaca avançada foram randomizados para receber os cuidados habituais (n=75) ou cuidados habituais mais cuidados paliativos (n=75). A duração da fase de intervenção foi de 6 meses, entretanto os pacientes em ambos os grupos foram acompanhados até a morte ou o final do estudo.

A média de idade foi de 71 anos, 47% eram mulheres e 41% afro-americanas. A média de duração da insuficiência cardíaca foi de 66,9 meses e os pacientes tiveram cerca de 2,2 hospitalizações nos 12 meses antecedentes ao estudo.

Veja também: ‘Cuidados Paliativos: Qualidade dos cuidados difere conforme diagnóstico’

Duas avaliações de qualidade de vida, Kansas City Cardiomyopathy Questionnaire (KCCQ) overall summary e Functional Assessment of Chronic Illness Therapy–Palliative Care scale (FACIT–Pal), foram os desfechos primários avaliados. Adicionalmente, avaliações de depressão e ansiedade (Hospital Anxiety and Depression Scale [HADS]), bem-estar espiritual (FACIT–Spiritual Well-Being scale [FACIT–Sp]), hospitalizações e mortalidade também foram realizadas.

Os pacientes que receberam ambos os cuidados (habituais mais paliativos) apresentaram melhora clinicamente significativa nos escores KCCQ e FACIT-Pal quando comparados aos pacientes que receberam apenas os cuidados habituais do período da randomização até 6 meses de terapia (diferença no KCCQ = 9,49 pontos; intervalo de confiança [IC] de 95%: 0,94 a 18,05; p=0,030; diferença no FACIT-Pal = 11,77 pontos; IC 95%: 0,84 a 22,71; p=0,035).

Foi observada melhora na depressão em pacientes que receberam os cuidados habituais mais paliativos (diferença na HADS de depressão = -1,94 pontos; p=0,020) versus pacientes que receberam somente os cuidados habituais, com resultados semelhantes para ansiedade (diferença na HADS de ansiedade = -1,83 pontos; p=0,048). O bem-estar espiritual também apresentou melhora em pacientes que receberam os cuidados habituais mais paliativos versus somente cuidados paliativos (diferença FACIT-Sp= 3,98 pontos; p=0,027).

Durante o seguimento de seis meses, 30% dos pacientes foram hospitalizados por insuficiência cardíaca e 29% dos pacientes morreram. Não foram observadas diferenças entre os grupos de tratamento para esses parâmetros clínicos, ou seja, a randomização para cuidados habituais mais cuidados paliativos não afetou a hospitalização ou a mortalidade.

De acordo com os resultados do estudo PAL-HF, pode-se concluir que a intervenção interdisciplinar de cuidados paliativos em pacientes com insuficiência cardíaca avançada mostrou maiores benefícios na qualidade de vida, ansiedade, depressão e bem-estar espiritual.

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Referências:

  • Rogers JG, Patel CB, Mentz RJ, Granger BB, Steinhauser KE, Fiuzat M, et al. Palliative Care in Heart Failure. J Am Coll Cardiol. 2017 Jul 18;70(3):331-341. doi: 10.1016/j.jacc.2017.05.030.
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