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Cuidados de enfermagem ao uso de antidepressivos

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Indubitavelmente todos conhecem a depressão. A doença é caracterizada por alterações afetivas, sendo um transtorno de humor que acaba gerando modificação da percepção da pessoa de si mesma, passando a ter a negatividade como condição de vida, levando-a a ver sua vida como uma grande catástrofe.

A depressão é tratada como a doença do mundo moderno, pode ser grave ou apenas um sintoma, caracterizado pelo estado melancólico e anedótico. Enquanto sintoma, a depressão pode surgir a partir de vários quadros clínicos, tais como: câncer, transtornos psíquicos diversos, qualquer uso de substância psicoativa ou qualquer doença clínica. Já na síndrome, a depressão possui alterações do humor, cognitivas e vegetativas.

Depressão e uso de antidepressivos

As alterações do humor podem ser anedonia, tristeza, falta de capacidade de sentir prazer, apatia, irritabilidade, dificuldade de responder a solicitações ou a em conflitos; há as alterações vegetativas como sono e apetite; alterações psicomotores onde a pessoa apresenta dificuldade de realizar atividades físicas ou atividades do dia a dia que necessitem de mobilização do corpo; dificuldades cognitivas que a pessoa deixa de realizar normalmente atividades relacionadas a escrita e a fala.

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O diagnóstico de depressão

O diagnóstico de depressão leva em consideração vários sinais e sintomas. De maneira diversa, devem ser avaliados os sintomas psíquicos de maneira geral, os sintomas fisiológicos e as evidências comportamentais.

Os sintomas psíquicos são relacionados ao humor depressivo que gera a sensação de tristeza, autodesvalorização e sentimento de culpa. Temos também a dificuldade de sentir prazer na maior parte das atividades e fadiga com sensação de perda gradual de energia e, por fim, a dificuldade de pensar e tomar decisões.

Os sintomas fisiológicos são relacionados a alterações no sono, alterações no apetite e redução do interesse sexual.

Os sintomas comportamentais acontecem pelo retraimento social, ansiedade relacionada, episódio de choro, comportamentos suicidas e comprometimento psicomotor, caracterizada pela agitação psicomotora e lentificação generalizada. O retardo psicomotor é muito comum. Dor crônica é muito relatada nos casos de depressão sendo um fator comportamental importante por se apresentar muitas vezes de forma obscura.

Tipos de transtornos depressivos

Os transtornos depressivos podem ser classificados pela Classificação Internacional de Doenças (CID) ou por pela associação psiquiátrica americana na utilização do DSM. Os transtornos podem ser representados por: transtorno depressivo ou episódio; transtorno distímico, depressão maior, transtorno bipolar associado ou não a depressão maior, transtorno ciclotímico, transtorno de humor induzido ou não por substâncias.

Tratamentos para a depressão

A depressão é uma doença que pode ser tratada de várias maneiras, com psicoterapia, terapia farmacológica, terapia alternativa etc. É sabido que múltiplas formas de tratamento geram efeitos desejados em pessoas com diagnósticos de depressão. Muitas são as possibilidades principalmente pela existências de diversos tipos de psicoterapias.

As psicoterapias pode ser realizadas de diversas formas e com suporte teórico diverso. A psicoterapia interpessoal, psicoterapia cognitiva e comportamental, e psicoterapia psicodinâmica breve são muito utilizadas no tratamento da depressão. Outras psicoterapias como psicanalítica e existencial também possuem excelentes resultados.

Finalmente falaremos da psicofarmacologia da depressão. O tratamento é uma possibilidade terapêutica muito utilizada, cada fármaco possui suas peculiaridades e os principais fármacos usados estarão apresentados a baixo devendo considerar as seguintes abreviações: 5HT- serotonina, NE – noradrenalina, DA – dopamina.

1. Os inibidores da monoaminaoxidase (IMAO)

Não seletivos e irreversíveis:

  • Iproniazida;
  • Isocarboxazida;
  • Trenilcipromina;
  • Fenelzina;

Seletivos irreversíveis: clorgilina.

Seletivos e reversíveis:

  • Broferomina;
  • Moclobemida;
  • Toloxatona;
  • Befloxatona.

2. Inibidores não seletivos da recaptação de monoaminas (ADTs)

Inibição mista da recaptação de 5HT/NE:

  • Imipramina;
  • Desipramina;
  • Clomupramina;
  • Amitripitilina;
  • Nortripitilina;
  • Doxepina;
  • Maprotilina.

Inibidores seletivo recaptura de serotonina (ISRS):

  • Fluoxetina;
  • Peroxetina;
  • Sertralina;
  • Citalopram;
  • Escitalopram;
  • Fluvoxetina.

Inibidores de recaptação de 5HT/NE (ISRSN):

  • Venlafexina;
  • Duloxetina.

Estimulante da recaptura de 5HT (ERS): Tianeptina.

Inibidores seletivos da recaptura de NE (ISRN):

  • Reboxetina;
  • Viloxatina.

Inibidores seletivos da recaptura de DA:

  • Amineptina;
  • Bupropiona;
  • Minapramina.

Antagonista Alfa-2 adrenoreceptores:

  • Miaserina;
  • Mirtazapina

A psicofarmacologia busca a melhora do quadro clínico da pessoa em sofrimento psíquico. O avanço tecnológico oferece medicamento com perfil farmacocinético completamente diferente, bem como, interação e tolerância. Os efeitos adversos também são variados.

Conhecer os efeitos adversos dos fármacos é fundamental para a equipe de enfermagem, uma vez que as orientações devem ser feitas na resposta do fármaco à pessoa. A seguir vamos descrever os principais cuidados para as três principais classe de medicamentos, IMAOS, ADTs e ISRS e outros fármacos de maior utilização terapêutica.

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Cuidados aos medicamentos antidepressivos

Alguns cuidados devem ser realizados para todos os medicamentos tais como: verificar se é apropriado o local de armazenamento, seu prazo, sua identificação está correta, se é certo a pessoa que a droga está sendo administrada, se a dose e a hora da administração está correta, como está os sinais vitais no momento da administração e se atentar para os efeitos adversos dos fármacos antidepressivos.

Duas classe de antidepressivos possuem relevância de atenção para os cuidados de enfermagem, são elas os inibidores da monoamina oxidase (IMAO) e os antidepressivos tricíclicos (ADTs) e vamos citar outros medicamentos relevantes. Sendo assim, alguns aspectos gerais para o planejamento da assistência de enfermagem podem ser consideradas.

Inibidores da monoamina oxidase (IMAO)

Os fármacos são inibidores da enzima monoamina oxidase (MAO). Os fármacos IMAOS possui a hipotensão ortostática grave como principal efeito adverso, devendo a equipe de enfermagem se atentar para quedas. Com menos frequência esses medicamentos provocam diarreia e edemas em membros inferiores, necessitando assim, de um plano terapêutico para o alívio dos sintomas por toda equipe multiprofissional. O fármaco gera estimulação do SNC, causando insônia, convulsão e principalmente tremor.

Outro sintoma abrupto é a crise hipertensiva, causada por pessoa que fazem uso da medicação e associação da ingestão de alimentos ricos em tiramina, substância encontrada em queijos, vinhos e laticínios. O quadro clínico conhecido como “reação do queijo”, acontece por a tiramina ser degradada pela monoamina oxidase no intestino e no fígado, uma vez inibida a tiramina são aumentados causando o aumento dos efeitos simpaticomiméticos, como a elevação da pressão arterial, cefaleia e até hemorragia intracraniana. Devendo a pessoa ser orientada sobre alimentação e os riscos no consumo desses alimentos.

A equipe de enfermagem deve se atentar para o consumo de alimentos ricos em tiramina como: queijos, vinhos e alimentos enlatados, extratos de carne, iogurte não pasteurizado, feijão verde, figo, fígado de galina e chocolate.

Outro risco é que esses não podem ser utilizados com antidepressivos tricíclicos e caso aja substituição dos fármacos o tempo estimado é de duas semanas entre a substituição terapêutica, a administração em conjunto pode causar febre alta, hipertensão arterial, nervosismo, acatisia e excitação. O uso de descongestionante nasal deve ser cessada assim como outras substâncias simpaticomiméticas.

A equipe de enfermagem deve se atentar com a Peptina, conhecida pelo nome comercial de dolantina, que em associação com IMAO pode causar coma, depressão respiratória e morte. Aumentam os efeitos hipoglicemiantes da insulina e de fármacos que tratam a diabetes. O uso de cafeína, também é contra indicado por gerar taquicardia. A pessoa deve ser orientada pelo enfermeiro que os IMAOS diminuem a atenção e que pode haver aumento da pressão arterial e por esse motivo é necessário o monitoramento.

Antidepressivos tricíclicos (ADTs)

Esses fármacos bloqueiam a recaptura das monoaminas: noraepinefrina, serotonina e dopamina. Por esses efeitos adversos há a necessidade da equipe de enfermagem conhecer os principais sintomas. Os principais sintomas são anticolinérgicos tais como: boca seca, vista turva, aumento da pressão ocular, retenção urinária, taquicardia, constipação, ganho de peso e confusão mental.

Temos os efeitos histamínicos tais como: hipotensão, ganho de peso, náusea, tontura, sonolência, sedação, fadiga, potencialização de dorgas depressoras; temos ainda os efeitos alfa-adrenérgicos como: hipotensão postural, taquicardiareflexa, obstrução nasal, tontura, síncope, disfunção erétil e ejaculatória, vertigem e tremores; Ainda temos os efeitos 5ht2-érgicos qu são: fadiga, tontura. Alteração do sono, irritabilidade, ganho de peso, hipotensão e disfunções sexuais.

Os cuidados de enfermagem a esses fármacos são diversos de acordo com os sinais e sintomas. Temos cuidados quanto a orientação na alimentação, nas funções do pensamento. No entanto, são nas alterações adrenérgicas que o problema se torna grave uma vez que, muitas pessoas abandonam o tratamento no inicio do tratamento. É importante ressaltar que esse medicamento estará presente na terapêutica do câncer e de outras doenças, não só por seus efeitos antidepressivos mas por ser fármaco utilizado também no processo de analgesia neuropática.

Os medicamentos tricíclicos necessitam de grande vigília da equipe de enfermagem, uma vez que essa classe de medicamentos possui vários efeitos adversos perigosos à saúde da pessoa. Na administração desses medicamentos deve-se redobrar a atenção com tendências suicidas. Deve a equipe se atentar também com a administração de Cimetidina que pode aumentar a concentração plasmática dos tricíclicos e provocar toxidade.

Os medicamentos tricíclicos vão requerer da equipe atenção nos sinais em sintomas que a pessoa sentirá gerada pelos efeitos adversos dos fármacos, nesse sentindo o controle dos sinais vitais é essencial para essas pessoas, bem como realizar em um tempo mais curto que o esperado a consulta de enfermagem, para perceber os reais problemas da pessoa.

Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS):

Esses fármacos são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, sendo assim inibem de forma potente e seletiva a recaptação de serotonina. Suas estruturas diferentes provocam perfis farmacocinéticos diversos. Possuem menos efeitos colaterais, mas a podemos nos atentar à efeitos colinérgicos gastrointestinais, reações dermatológicas, discreta perda de peso no início do tratamento e disfunção sexual com retardo ejaculatório.

Por sua seletividade esses fármacos geram menos efeitos adversos que os demais. A equipe de enfermagem deve ficar atenta com a retirada do medicamento, efeito chamado de descontinuação, a pessoa pode sentir fadiga, tontura, agitação, insônia, aumento de sonhos, etc.

Outros fármacos antidepressivos

Outros fármacos antidepressivos possuem efeitos adversos diversos tais como a venlafaxina, que principalmente gera náuseas, tonturas, sonolência; Nefazodona que pode gerar cefalalgia, boca seca, sonolência diurna, náuseas, vômito, obstipação intestinal; visão turva, prostração e “rash” cutâneo. O importante sempre será analisar cada fármaco antidepressivo.

Os efeitos adversos são muito relevantes para a equipe de enfermagem. Uma vez que os cuidados para a além dos cuidados de enfermagem relativos a doença possuem cuidados relativos ao uso dos fármacos, por isso, importante conhecer os efeitos adversos desses medicamentos.

Algumas associações medicamentosas entre antidepressivos podem ser danosas a saúde da pessoa, cuidado ao administrar alguns tipos de fármacos em associação. O uso de fluoxetina (ISRS) e os IMAOS podem gerar crises cardíacas. A minapramina não pode ser administrada em pacientes agitados e a paroxetina deve possuir grande atenção da equipe de enfermagem, uma vez administrada concomitante a ácido acetil salicílico, possui seus efeitos de toxidades aumentados.

A consulta de enfermagem é um importante espaço para orientações sobre os efeitos dos medicamentos antidepressivos, deve-se valorizar os espaços de cuidado e orientação a pessoa para que não haja acidentes severos.

O enfermeiro deve conhecer a psicofarmacologia para não cometer iatrogenias no processo de cuidar em saúde.

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Autor:

Referências bibliográficas:

  • Lima SO, Lima AMS, Barros ES, et al. Prevalência da Depressão nos Acadêmicos da Área de Saúde. Psicologia: Ciência e Profissão, 39, e187530. Epub December 20, 2019.
  • Alberto MR, Hupfeld MD, Macedo SMB. Psicofarmacologia de antidepressivos. Rev. Bras. Psiquiatr. May; 21( Suppl 1 ): 24-40, 1999.
  • Tadeu IP, Inocenti MA, Maria PC, et al. Antidepressivos: uso e conhecimento entre estudantes de enfermagem. Rev. Latino-Am. Enfermagem , June ; 18( 3 ): 421-428, 2010

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