Home / Enfermagem / Arteterapia: a arte como cuidado na saúde mental
mãos de um homem rocando guitarra em arteterapia

Arteterapia: a arte como cuidado na saúde mental

Enfermagem, Saúde Mental
Acesse para ver o conteúdo
Esse conteúdo é exclusivo para usuários do Portal PEBMED.

Para continuar lendo, faça seu login ou inscreva-se gratuitamente.

Preencha os dados abaixo para completar seu cadastro.

Ao clicar em inscreva-se, você concorda em receber notícias e novidades da medicina por e-mail. Pensando no seu bem estar, a PEBMED se compromete a não usar suas informações de contato para enviar qualquer tipo de SPAM.

Inscreva-se ou

Seja bem vindo

Voltar para o portal

A arte é um caminho que estreita a relação entre a loucura e a saúde através da criatividade. Criatividade é entendida como o movimento contra a repetição e a estereotipia; um ato que amplia as possibilidades do sujeito apresentando-o a uma nova modalidade de apreensão do mundo por meio da ampliação do contato afetivo com a realidade.

A presença da arte, como os ateliês de pintura e escultura, oficinas de dança, literatura, música, entre outros, nas instituições psiquiátricas, facilita a expressão criativa do sujeito e pela qual os doentes podem recorrer como uma forma de se comunicar com o mundo e de se reestruturarem internamente. Esse fato se dá por proporcionar que as defesas do sujeito sejam restruturadas, permitindo-o contatar, sentir, elaborar outra forma de vida, que não lhe seja ameaçadora. A arte possibilita, que a quem dela se utiliza, possa exprimir sentimentos nunca antes vivenciados, se tornando mais profundo e autêntico.

Arteterapia

A reforma psiquiátrica vem permitindo práticas humanizadas no tratamento de sofrimentos psíquicos. A arteterapia é uma dessas práticas, que pode ser coadjuvante no tratamento, servindo como instrumento de intervenção voltada ao enfrentamento e à diminuição do sofrimento psíquico; ou mesmo a saída de um grande sofrimento. Um caminho para o sujeito perceber as possibilidades de expressão, construção e reconstrução de suas dificuldades de se relacionar com o mundo e consigo mesmo.

Leia também: Choosing Wisely: práticas comuns que a enfermagem deve questionar

Música

A arte envolve muitas atividades e conhecimentos que podem ser trabalhados com os usuários. A musicoterapia, por exemplo, desempenha um importante papel na vida do sujeito. Resgata e ativa o potencial criativo através dos instrumentos. No instante da criação, a criatividade é vivenciada pelo sujeito de forma espontânea.

É o momento em que se aprende pela experimentação. Por meio da música, o sujeito pode se diferenciar de um outro pelo ritmo, por um som produzido, pela repetição de sons, pela forma de tocá-la, pela intensidade. Tal ação produz um efeito energizante para quem compõe uma melodia.

vivência com os instrumentos musicais e seus elementos constitutivos possibilita à criança autista, através dos sons produzidos, iniciar um processo de comunicação em que seja menos ameaçador e mais suportável se relacionar.

Ao estabelecer esta comunicação, novas possibilidades podem ser possíveis a esses indivíduos permitindo a eles desenvolverem-se de forma mais ampla. No caso dos psicóticos, o trabalho é voltado para a autopercepção e percepção do outro por meio do contato direto com a realidade ao compartilhar, musicoterapeuta e paciente, o momento de fazer música.

A música envolve e atinge o ser humano em sua totalidade. A musicoterapia é um forte instrumento facilitador de mudanças, por estar em contato íntimo e profundo com as várias facetas do ser humano. Outro ponto importante é a coletivização para a produção do som, acabamos por trazer a ressocialização de maneira natural para os usuários.

Dança

Outro dispositivo para essa atividade é a dança, que como um recurso expressivo favorece a tomada da consciência corporal além de possibilitar ao sujeito compreender sua existência e sua relação com o mundo, a partir dos movimentos.

A dança não é apenas uma arte, mas, sobretudo um modo de existir. Ponto em que começa a brotar o futuro e pelo qual se vive a liberdade. A dança nos coloca um curioso questionamento: “O que aconteceria se, em vez de apenas construirmos nossa vida, tivéssemos a loucura ou a sabedoria de dançá-la?”. Fala em dançar a vida como uma forma de centralizar-se na própria experiência como existência.

Mais do autor: Deontologia em enfermagem: caminhos possíveis para boas práticas

Teatro

Temos também o teatro que é uma arte capaz de tocar o espectador fazendo-o experimentar intimamente o que se passa no palco além de enriquecer a vida interior do mesmo deixando impressões que não se apagarão com o tempo. Ao ator cabe representar o papel verdadeiramente, viver o papel. Interpretação num sentido fenomenológico existencial refere-se ao vívido. Ao desdobramento das possibilidades da compreensão. E compreensão é consciência pré-reflexiva, vivência. As várias formas de expressão que o sujeito tem como possibilidades de se expressar genuína e existencialmente, como uma demonstração do seu ser-artista.

Saúde mental e arteterapia

A história da saúde mental nos apresenta tantas outras atividades que contribuem até hoje para a recuperação, ressocialização e terapêutica de usuários dos diversos serviços de saúde. A arte como dispositivo de cuidar teve grande avanço no Brasil, a partir de grandes figuras, seja por profissionais ou usuários do serviço que mostraram ao mundo que mesmo no transtorno mental grave, pode o ser, existir de diversas formas, sendo a arte um grande veículo para essa grande transformação e que de forma muito potente, nos leva ao central objetivo terapêutico.

Figura ilustre que não poderia deixar de ser lembrada, Nise da Silveira apresentou ao mundo muitas possibilidades quando se permite que pessoas em sofrimento psíquico existam em sua natureza. Nise da Silveira, fundou a seção terapêutica ocupacional no Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro, em 1946, seis anos depois, após diversos avanços com usuários do serviço por meio da arte, fundou o museu do inscosciente.

De acordo com Santos (1994), o museu de Imagens do Inconsciente tornou-se conhecido em todo o mundo e suas pesquisas deram origem a exposições, filmes, documentários, simpósios, conferências e cursos, tanto no que se refere à terapêutica ocupacional, quanto à importância das imagens do inconsciente na compreensão do mundo interior do esquizofrênico. Esse mesmo autor entrevista Nise da Silveira pergunta: uma emoção? E a mesma responde: “São tantas. Ver por exemplo, um esquizofrênico que não se relacionava com pessoa alguma, vê-lo abraçado com um cão, mostrando que a afetividade está viva no esquizofrênico, enquanto os livros dizem que a afetividade está embotada”.

Não podemos reduzir o sujeito aos diagnósticos, isso leva ao empobrecimento do cuidado. A arte amplifica desconstrói esse paradigma quando muitos desses usuários deixam essa posição e se tornam grandes artistas. Emídio de Barros é um grade exemplo disso. Bispo do Rosário também não pode ser esquecido, pois concentra uma das maiores produções artísticas culturais existentes no país.

Aos poucos, contaremos a história desses grandes artistas por aqui, contudo precisamos compreender que as diversas modalidade de arte nos tocam e são profundamente terapêutico para nossas demandas pessoais. Se há sofrimento, também há saída, cada tipo de arte é uma grande ciência da experimentação estética, por isso, temos muitas possibilidades.

Para os profissionais poderíamos discutir aqui como gerenciar, planejar ou simplesmente fazer uma oficina. Mas quando falamos no sensível a palavra sempre será experimentar. Não importa muito o caminho, essas grandes figuras ilustres da saúde mental apenas experimentaram a arte, muitas vezes sem o mínimo de planejamento, mas arte os absorveu para um lugar onde nosso devir infantil, se permite acontecer sem os grandes julgamentos da sociedade, pois afinal, a arte é do sensível e é isso que se busca para cuidar.

Baixe grátis o aplicativo para tomada de decisão em enfermagem: Nursebook! Já disponível no Android!

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde : volume 3 – 1. ed. atual. – Brasília : Ministério da Saúde, 2017.
  • Luiz Gonzaga Pereira Leal. (1994). Entrevista com Nise da Silveira. Psicologia: Ciência e Profissão , 14 (1-3), 22-27. https://dx.doi.org/10.1590/S1414-98931994000100005
  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Cadernos de Atenção Básica, n. 34, volume 1. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.

One comment

  1. Avatar
    Armando José Tavares Ferreira

    Excelentes as matérias de vcs, sou psicólogo mas não deixo de ver……
    Se pudessem fazer matérias de psicologia seria uma bençåo…..

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.