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Choosing Wisely: práticas comuns que a enfermagem deve questionar

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Qual a responsabilidade ética dos profissionais da saúde em questionar a efetividade de ações comumente realizadas? Com base nesse questionamento, em 2012, a American Board of Internal Medicine (ABIM), em parceria com outras associações e pesquisadores, lançou a campanha Choosing Wisely, com o objetivo de promover uma conversa franca entre os profissionais médicos e os pacientes sobre a necessidade e eficácia de alguns procedimentos e exames comumente realizados.

Desta forma, no mesmo ano, a campanha solicitou que as associações profissionais de cada especialidade verificassem exames, procedimentos e ações comumente realizadas que deveriam ser questionadas em relação a sua efetividade. Essa campanha resultou em uma lista denominada “Things Providers and Patients Should Question”.

Atualmente, a missão principal da iniciativa que virou organização é a escolha de ações com sabedoria, baseada em evidências científicas, livre de danos aos pacientes e que realmente sejam proporcionais a condição a ser investigada ou tratada.

enfermeira usando as melhores ações da enfermagem para cuidar de idosa

Choosing Wisely na enfermagem

As associações americanas de enfermagem também participam das iniciativas Choosing Wisely, solicitando que os profissionais questionem a efetividade de suas ações, logo, a American Academy of Nursing criou uma lista “Twenty-Five Things Nurses and Patients Should Question” traduzido em português para “Vinte e cinco ações que enfermeiros e pacientes deveriam questionar”.

Alguns desses questionamentos sobre práticas comumente realizadas incluem:

  • Não utilizar restrições físicas em pacientes idosos hospitalizados: restrições físicas aumentam o risco de complicações e até de morte. Cuidados seguros e de qualidade dependem de uma equipe multiprofissional que antecipe, identifique e solucione as principais necessidades. Quando a equipe dos profissionais envolvidos no cuidado está ciente desses riscos e a instituição apoia essas decisões, a implementação de uma cultura que não restrinja os pacientes torna-se possível;
  • Não acorde o paciente para cuidados de rotina, a menos que a condição do paciente exija: estudos evidenciam que a privação do sono afeta de forma negativa o organismo do paciente. A abstenção de sono afeta também a capacidade realizar as atividades físicas e pode causar delirium, depressão e outras condições psiquiátricas;
  • Não mantenha ou realize sondagem vesical em um paciente, a menos que exista uma indicação específica: As infecções do trato urinário associadas ao cateter vesical estão entre as infecções mais comuns associadas aos cuidados de saúde nos Estados Unidos. O número de infecções pode ser reduzido desde que haja remoção do cateter assim que possível ou a indicação do procedimento somente se necessário;
  • Não utilize soluções a base de Aloe Vera para prevenir ou tratar radiodermite: esse tipo de lesão causada em tratamentos radioterápicos pode causar dor e prurido e afeta negativamente a qualidade de vida dos pacientes. Muitos profissionais ainda recomendam o uso de aloe vera, no entanto, alguns estudos revelaram que esses produtos são ineficazes para tratar e podem até piorar as lesões;
  • Pacientes com câncer devem ser aconselhados a praticar atividade física e exercícios durante e após o tratamento para controle de fadiga e outros sintomas: estudos demonstraram que exercícios supervisionados e proporcionais devem ser incentivados, em contraste com as orientações tradicionais de repouso, exercícios de resistência e aeróbico podem ser seguros e eficazes na redução de sintomas como: ansiedade, depressão e fadiga em várias fases do tratamento do câncer;
  • Não administrar oxigênio suplementar para aliviar dispneia em pacientes com câncer avançado que não apresentem hipóxia: a oxigenoterapia suplementar é comumente prescrita para aliviar a dispneia em pessoas com doença avançada, apesar dos níveis de oxigênio arterial dentro dos limites normais, e tem sido vista como tratamento padrão. O uso de oxigênio para tratar dispneia sem hipóxia foi revelado como ineficaz, no entanto, intervenções associadas ao uso de opioides em pequenas doses demonstraram eficácia no controle desse sintoma;
  • Não administrar medicações para prevenir ou tratar delirium sem primeiro avaliar, investigar, remover ou tratar as causas subjacentes do delirium: o delirium é uma condição que frequentemente tem uma causa tratável. Muitas medicações também estão associadas ao desenvolvimento de delirium, portanto a indicação de medicações se necessário devem ser evitadas antes de avaliação e tratamento da causa principal. Além disso, devido ao potencial de dano e falta de evidências suficientes que apoiem a segurança e eficácia das medicações antipsicóticas para a prevenção e tratamento do delirium, esses medicamentos devem ser administrados apenas na menor dose efetiva, pelo menor tempo em pacientes que estão severamente agitados e / ou em risco de se machucar. Em termos de prevenção de delirium, recomenda-se que os sistemas de saúde implementem intervenções multiprofissionais e não farmacológicas;
  • Evitar a remoção completa com lâmina ou navalha de cabelos e pelos em pacientes que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos: a recomendação é que se evite a raspagem completa dos pelos com lâmina ou navalha, caso seja necessário os pelos devem ser removidos de outras maneiras. A remoção com navalha de pelos e cabelos no local da cirurgia está associado a um aumento da taxa de infecções devido a microtraumas e abrasões na pele. As infecções pós-operatórias de feridas aumentam os custos e o tempo de internação hospitalar. Um estudo que analisou 23.649 feridas cirúrgicas, encontrou uma taxa de infecção de 2,3% para locais cirúrgicos raspados com navalha, 1,7% para locais onde os pelos foram cortados e 0,9% quando não houve remoção de pelos. Além disso, a ideia de remover cabelos e pelos pode afetar a imagem corporal do paciente.

Existem outras ações comuns que foram questionadas e podem ser encontradas no site da Choosing Wisely. A ideia principal da campanha não é estabelecer decisões ou excluir práticas, mas estimular o debate sobre quais as melhores escolhas para o paciente e que beneficiem também o sistema de saúde na diminuição de custos.

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Autor:

Referências bibliográficas:

  • American Academy of Nursing. Twenty-Five Things Nurses and Patients Should Question. [Internet]; 2018; [citado em novembro de 2019].
  • Choosing Wisely. American Academy of Nursing Announces Five New Recommendations for the Choosing Wisely Campaign. [Internet]; 2018; [citado em novembro de 2019].

5 comentários

  1. Avatar
    Dileuza do Socorro Magno Ramos

    Rxcelente aprendizado. Mto obgda.

  2. Avatar

    Muito bom o artigo…o cuidado na medida certa visando o conforto sem traumas desnecessários, é o melhor remédio para o paciente e familiar.

    • Avatar

      Não concordo com alguns procedimentos por exemplo oxigenoterapia se o cliente encontra se com dispneia embora os níveis de oxigênio no sangue seja normal e não se colocar uma máscara de oxigênio, isso já se observa q há sim uma melhora qdo colocamos seja por conta do oxigênio ou por conta do psicológico o importante é o conforto do cliente. M

      • Avatar
        Renato Tonole

        Melhor solicitar a avalição de um psicólogo, até por que nobre colega, nossas atividades são embasadas em evidências e não em suposições.

  3. Avatar

    Excelente parabéns

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