Delirium pediátrico: Como o diagnosticar, evitar e manejar durante a pandemia de Covid-19?

Foi publicado um artigo com importantes recomendações sobre o manejo de delirium em pediatria durante a pandemia de Covid-19.

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A fim de prevenir a disseminação do vírus SARS-CoV2 nos hospitais pediátricos na pandemia de Covid-19, foi necessário adotar medidas de restrição de visitas, isolamento de pacientes com suspeita de Covid-19 e uso de equipamentos de proteção individual. Essas medidas associadas à escassez de profissionais de saúde para assistência aos pacientes podem tornar ainda mais desafiador diagnosticar e tratar não farmacologicamente o delirium, que ocorre principalmente na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP). O delirium aumenta o tempo de internação hospitalar e mortalidade. Por isso, Castro e colaboradores publicaram na Revista Brasileira de Terapia Intensiva um artigo que traz importantes recomendações para diagnóstico, prevenção e tratamento do delirium em pediatria durante a pandemia de Covid-19. Destacaremos aqui os principais pontos desse importante artigo.

delirium

Como diagnosticar delirium pediátrico? 

O diagnóstico dessa síndrome neurocognitiva iniciada há horas ou dias, que cursa com alteração flutuante na atenção e no estado de consciência com desorganização do pensamento pode ser diagnosticada em pediatria por meio de: 

  • Avaliação do estado mental de base do paciente; 
  • Anamnese com o acompanhante, que tem informações sobre o estado mental de base do paciente, idealmente presencialmente e, se não for viável, por telefone; 
  • Uso de uma ferramenta válida e confiável de 12/12 horas nos plantões:  
  • psCAM-ICU – PreSchool Confusion Assessment Method for the Intensive Care Unit;  
  • pCAM-ICU – Pediatric Confusion Assessment Method for the Intensive Care Unit (já tem versão traduzida e validada para o Português do Brasil por Molon e colaboradores); 
  • CAPD – Cornell Assessment of Pediatric Delirium (tem versão traduzida e ainda não validada para nosso idioma);  
  • SOS-PD – Sophia Observation Withdrawal Symptoms – Pediatric Delirium Scale Delirium (tem versão traduzida e ainda não validada para nosso idioma). 

A avaliação dos fatores de risco para delirium ajuda a equipe a ficar mais atenta para o rastreio de delirium e a atuar nos fatores precipitantes (modificáveis). São fatores de risco predisponentes (inerentes ao paciente) para delirium: idade < dois anos; história prévia de atraso no neurodesenvolvimento; comorbidades prévias; gravidade da doença de base; desnutrição (albumina sérica <3g/dL). Enquanto os fatores de risco precipitantes (modificáveis) são: uso de benzodiazepínicos e de medicamentos anticolinérgicos, cirurgias cardíacas com bypass, imobilização no leito, tempo prolongado de internação na uti pediátrica, uso de contenções físicas, dor, síndrome de abstinência, bexigoma, fecaloma, hipoxemia, infecções superpostas, desidratação, distúrbios eletrolíticos e polifarmácia.

Como evitar e manejar delirium pediátrico durante a pandemia de Covid-19? 

As medidas não farmacológicas para delirium servem tanto para evitar quanto para tratar delirium pediátrico e incluem a atuação nos fatores de risco precipitantes. O tratamento medicamentoso de delirium na pandemia permanece o mesmo. Como as medidas não farmacológicas são o maior desafio no tratamento do delirium e para implementação hospitalar, Castro e colaboradores descreveram muito bem as medidas não farmacológicas a serem adotadas. A medida diferente que passou a ser incorporada em vários hospitais na pandemia é o uso de tablets ou smartphones para a comunicação com a família caso esteja sozinha ou quando há restrição de visitas. 

Resumo das medidas não farmacológicas para prevenção e tratamento de delirium pediátrico apresentadas no artigo: 

  • Promoção de ambiente calmo, tranquilo e previsível: 
  • Mais silencioso para pacientes com delirium hiperativo; 
  • Com maior interação para pacientes com delirium hipoativo; 
  • Com presença de familiar sempre que possível, uso de tablets/smartphones para comunicar com família e de objeto familiar;  
  • Promoção do sono com implementação de rotina para acordar, dormir, ter atividades, ajudar a diferenciar dia e noite minimizando luzes, ruídos e procedimentos à noite;
  • Otimizar a comunicação com o paciente, falando claramente, de forma simples, explicando o que está fazendo e se identificando; 
  • Concentrar as atividades que o paciente realizará ou os procedimentos que serão feitos para permitir períodos de descanso; 
  • Incentivar a mobilização e atividades com estimulação cognitiva; 
  • Técnicas de relaxamento dirigido por profissionais de saúde; 
  • Atenuar a dor leve/moderada em procedimentos em neonatos/lactentes por meio de: aleitamento materno ou uso de solução de glicose por sucção não nutritiva, toque facilitador, enrolamento (swadling), contato pele-a-pele e/ou por meio de estimulação sensorial (ex. massagem e carinho).

Leia também: Perturbações do sono e delirium em crianças após cirurgia cardíaca

Conclusão 

Mesmo antes da pandemia de Covid-19, prevenir, diagnosticar e tratar delirium já eram um desafio. A pandemia de Covid-19 aumentou essa dificuldade por conta de sobrecarga de trabalho para os profissionais de saúde, maior quantidade de pacientes em leitos de isolamento e restrição de visitas. Precisamos tentar driblar essas dificuldades revendo com nossas equipes quais medidas não farmacológicas podemos adotar ou aprimorar, e agir sobre os fatores de risco modificáveis. Paralelamente, é importante adotar ferramenta de diagnóstico de delirium e treinar a equipe para aplicá-la.

Referências bibliográficas:

  • Castro VER, Rodríguez-Rubio M, Magalhães-Barbosa MC, Prata-Barbosa A. Delirium pediátrico em tempos da COVID-19. Rev Bras Ter Intensiva. 2021;33(4):000-000.  
  • Molon ME, Castro RE, Foronda FA, Magalhães-Barbosa MC, Robaina JR, Piva JP, et al. Tradução e adaptação transcultural para o Brasil do Pediatric Confusion Assessment Method for the Intensive Care Unit para detecção de delirium em unidades de terapia intensiva pediátrica. Rev Bras Ter Intensiva. 2018;30(1):71-79 
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