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Demência e capacidade funcional na meia-idade.

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Estudo observacional sueco publicado recentemente acompanhou mulheres de meia-idade (coorte iniciada em 1968) por até 44 anos e a relação de condicionamento cardiovascular e o risco de demências. A incidência foi obtida nessa coorte através de avaliações neuropsiquiátricas frequentes e diagnósticos dados pelos registros gerais de altas hospitalares quando os diagnósticos foram feitos durante internações.

As participantes da coorte foram submetidas a teste de esforço na meia-idade. Outros dados avaliados foram: escolaridade, tabagismo, prática de atividade física lazer/ocupacional, consumo de vinho, HAS, DM, IMC, lipidograma, histórico de doença arterial coronariana e cerebrovascular.

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A relação entre a prática de atividade física já foi avaliada em estudos observacionais, mas, em sua maioria, estes dependeram de informações colhidas por questionários preenchidos pelos participantes. Além disso, a maioria envolvia pacientes com mais de 60 anos de idade e com seguimento mais curto que o ideal, de forma a limitar a interpretação dos resultados e hipótese de causalidade. Postula-se também que a meia idade seja um período-chave para demências e que atividade física possa atuar como prevenção, apesar da crença atual que demência precoce tenha muita relação com fatores genéticos.

Resultados

 As 191 participantes foram divididas em 3 grupos quanto à capacidade funcional (CF) máxima atingida no teste em cicloergômetro: baixa (< ou igual a 80W), intermediária (88 a 112W) e alta (> ou igual a 120W). No total, 44 mulheres (23%) tiveram demência (todas as causas) durante o seguimento de 1968 a 2012, tendo a idade de 80,5 anos como a média de idade do início do quadro. Quanto aos 3 grupos mencionadas acima, a incidência cumulativa foi: CF baixa (32%), CF intermediária (25%) e CF alta (5%).

Discussão

Alta capacidade funcional estimada pelo pico de esforço em cicloergômetro esteve associada a uma redução de 88% do risco de demência quando comparado com as pacientes de CF intermediária. Os resultados encontrados nesse estudo, junto com outros da literatura médica, parecem sugerir uma relação dose-resposta.

Mesmo quando analisados quanto à variável de IMC, os resultados sugerem que obesos com alta performance em teste de esforço teriam uma chance menor de desenvolver demência que não-obesos com baixa CF, o que poderia mudar a abordagem para algo direcionado a melhoria da saúde cardiovascular em detrimento do apelo para o emagrecimento e a estética.

Mesmo as pacientes que não praticavam atividade física (lazer/ocupacional) mas que atingiram alta carga de esforço, a capacidade funcional pareceu ser um preditor mais forte de proteção contra demências que praticar atividade física com frequência, dificultando ainda mais a análise de dados de estudo que envolveram só o relato dos pacientes quanto a seus hábitos saudáveis.

Apesar de ser um estudo observacional e de haver a necessidade de estudos nos quais haja intervenção em relação às variáveis em análise, os resultados permitem supor que alta capacidade funcional atua como fator preditor de demências por todas as causas, ressaltando a diferença significativa de incidência acumulada entre o grupo de alta CF e o de CF intermediária na meia-idade.

Autor:

Referência 

* Helena Horder et al, Midlife cardiovascular fitness and dementia – Neurology 2018

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