Desastres naturais e não naturais: ações de enfermagem na atenção primária à saúde

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Os desastres naturais são cada vez mais presentes na realidade dos brasileiros. O aumento da gravidade e frequência é relatado por Freitas et.al. (2014), segundo o autor de 2005 a 2010, diversos eventos ocorreram no Brasil, como secas na região norte, onde habitualmente há locais de grande disponibilidade hídrica e inundações nos mesmos locais, ciclones e inundações no sul do país, inundações e deslizamentos no sudeste, como o caso da região serrana do Rio atingida por um dos maiores desastres registrados com quase mil óbitos imediatos, causados por inundações e deslizamentos. Secas no Nordeste, as mais longas dos últimos 50 anos, levando três em cada quatro municípios a situação de emergência. Todos esses desastres continuaram nos anos seguintes. Por esse motivo, pensar ações de trabalho de forma preventiva e também que trabalhem os danos posteriores ao evento se faz tão importante quanto as ações imediatas de atenção.

Outros tipos de desastres não naturais, também causam severos danos à população. Esses possuem ação direta do homem, tais como: desastres petrolíferos de 1975 e 2000 na Bahia de Guanabara no Rio de Janeiro e: liberação de gases tóxicos pelas indústrias do pólo petroquímico de Cubatão em 1980 e incêndio na vila de socó no mesmo município, acidente com césio-137 em Goiânia em 1987, naufrágio da plataforma na Bacia de Campos (2001), Rompimento da barragem em Cataguases (2003), Bom Jardim em (2007) Vazamento de óleo na Bacia de Campos em 2011, Incêndio na Ultracargo no porto de Santos e o rompimento da barragem do fundão em Mariana, ambos em 2015; e rompimento da barragem Mina do Feijão em Brumadinho em 2019. Todos esses desastres causam problemas de saúde diversos e assim como os desastres naturais também podem ser temas de discussão para a criação de soluções de atenção à saúde das populações atingidas.

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Uma questão importante é como o enfermeiro na prática assistencial pode gerar ações nas unidades de saúde descentralizadas por sua existência. Freitas (2014) traz uma discussão importante sobre o que fazer pós-desastre. Segundo o autor, durante o desastre (horas/dias) o impacto seria relacionado entre o resgate e socorro na relação traumas agudos e óbitos. Já nas semanas e meses seguintes, temos atendimentos a casos de doenças transmissíveis e não transmissíveis, na relação com a vigilância de doenças transmissíveis e não transmissíveis. Já relacionado a meses e anos em uma escala temporal, a atenção deve estar nas doenças crônicas, assim como sua vigilância e nas ações de reparação de danos a pessoa que o desastre causou no longo prazo.

Carmo e Teixeira (2020) apresentam três etapas em relação aos desastres classificando os desastres como emergência de saúde pública. Os autores consideram que na primeira etapa deve-se analisar o desastre, se esse se constitui a saúde pública, necessariamente o risco não necessita de repercussão imediata, mas inclusive posterior. Na segunda etapa, após analisar o risco de ocorrência, analisa-se o impacto, presente ou potencial. Ou seja, capacidade de produção de elevado número de pessoas afetadas, agravos e óbitos possíveis. No terceiro momento, medidas imediatas de saúde pública devem direcionar atenção para além daquelas relacionadas a contenção e mitigação do desastre. Ou seja, questões relativas aos danos e efeitos ambientais causados pelos desastres.

Mas como proceder no planejamento preventivo de desastres antes que esses aconteçam? Como avaliar as possíveis vulnerabilidades? O enfermeiro é peça fundamental nessas ações juntamente com a equipe multiprofissional. Realizar ações posteriores de planejamento e cuidado como citam os autores supracitados é essencial para reverter os danos ocorridos pelos desastres. Mas o plano que pode esperar o desastre depende de alguns eventos. Buscaremos nesse texto algumas possibilidades que possam prevenir as potencialidades negativas de um desastre. Visando a prevenção de agravos à população e a observância da epidemiologia e do conhecimento do território para diminuir os efeitos do desastres antes mesmo que eles ocorram.

O enfermeiro deve avaliar

  • O território e as vulnerabilidades geográficas e espaciais;
  • Possíveis riscos para a região de atenção observando a historicidade local;
  • Áreas de risco que requerem atenção imediata e aquelas que podem estar em um planejamento de atenção pertinente ao risco;
  • Famílias e os locais de domicílio;
  • Condição socioeconômica das famílias;
  • A estrutura das edificações;
  • O acesso das edificações domiciliares;
  • O risco geográfico(terremoto, vulcão, movimento de massa);
  • O risco meteorológico (Vendaval, tempestade, ciclones e tornados);
  • O risco hidrológico (Inundação, alagamento, tsunamis);
  • O risco de movimento de massa( Deslizamento, queda, tombamento, rolamento, corrida de massa, subisidência e colapso);
  • Bueiros e locais onde o lixo pode ser um causador de risco;
  • Acessos, os domicílios e os locais de convivência;

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Construir programa básico de atividades preventivas

  • Criar atividades na escola e nas associações sobre possíveis desastres;
  • Criar uma organização para evacuações e locais de abrigo; 
  • Criar alertas auditivos e visuais para evacuações rápidas;
  • Realizar treinamento de situações reais com profissionais competentes;
  • Realizar educação em saúde para evitar ações humanas que possam gerar desastres;
  • Estar em constante contato com a defesa civil do município;
  • Criar por meio da tecnologia (redes sociais e outros formas de comunicação), aviso de atenção a desastre;

Espera-se que ações políticas sejam obrigatórias na produção do serviço em saúde. Que não só a atividade de atenção imediata nos desastres seja realizada, bem como aquelas posteriores ao desastre, mas aquelas que possam evitar as complicações dos desastres e a proteção humana durante o ocorrido, gerando menos danos a toda a sociedade. O enfermeiro possui papel fundamental na discussão da temática e a atenção primária à saúde é um espaço de construção de práticas preventivas que pode colaborar para a melhoria da condição de vida da população. O cuidado preventivo é aquele que evita, que afasta a negligência do cuidado e que pode ser a única saída para um País com tantas diferenças climáticas, populacionais e territoriais, políticas e sociais.

Autor:

Referências bibliográficas

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