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Descobertas no Brasil bactérias resistentes ao tratamento padrão da Hanseníase

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A Hanseníase ainda é um problema de saúde pública no Brasil e voltou a crescer nos últimos anos. Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença tem 28 mil novos casos registrados por ano no país. O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de novos pacientes diagnosticados, atrás somente da Índia.

Um estudo realizado recentemente no país indica que o problema pode ser ainda mais sério. Foi detectada a existência de bactérias resistentes ao tratamento padrão em maior proporção do que os números divulgados pela OMS.

“Por muitos anos, a OMS dizia que não existia resistência, que a hanseníase era 100% curável. Isso não é verdade. O que aconteceu foi que no passado não tínhamos as ferramentas para detectar isso. A Mycobacterium leprae é a única bactéria que causa a doença em humanos e que não pode ser cultivada em laboratório, em meio de cultura. Só nos anos 90 começaram a surgir os primeiros testes moleculares, que permitiram identificar a resistência diretamente no genoma do bacilo”, explica Marcelo Mira, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da PUC-PR e líder do estudo em entrevista ao portal G1.

No estudo, os pesquisadores brasileiros detectaram a maior proporção de cepas resistentes da M. leprae já identificada em uma comunidade: 43,2% dos casos apresentavam resistência a algum dos medicamentos, e 32,4% possuíam resistência dupla.

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Metodologia do estudo

Os cientistas acompanharam por 12 anos a população da Vila Santo Antônio do Prata, uma ex-colônia de hansenianos no interior do Pará, localizada a 110 km de Belém.

Os casos confirmados de hanseníase foram investigados quanto à resistência bacteriana usando uma combinação de testes in vivo e sequenciamento direto dos genes de resistência folP1, rpoB e gyrA. A análise epidemiológica molecular foi realizada com dados de 17 repetições de número variável (VNTR).

Resultados encontrados

O M. leprae foi obtido a partir de biópsias de 37 casos de hanseníase (18 recaídas e 19 novas); 16 (43,24%) apresentaram variantes de resistência a drogas. Resistência multidroga a rifampicina e a dapsona foi observada em oito recaídas e quatro novos casos. Resistência única à rifampicina foi detectada em um novo caso. A resistência à dapsona esteve presente em duas recaídas e em um novo caso. Dados de resistência molecular combinada e VNTR revelaram evidências de transmissão primária intrafamiliar de M. leprae resistente.

Conclusões

Foi revelado um cenário alarmante de emergência e transmissão de cepas resistentes. Esses achados podem ser usados ​​para o desenvolvimento de novas estratégias de vigilância da resistência a drogas em outras populações.

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“Claro que essa é uma população muito particular, isolada e que foi submetida a praticamente todos os protocolos de tratamento aplicados nos últimos 100 anos por décadas. Mas os resultados são um importante sinal de alerta, de que ainda sabemos muito pouco sobre o fenômeno da emergência de resistência ao tratamento. Em um cenário em que as autoridades de saúde continuem subestimando a gravidade desse problema, é provável que daqui a 20 ou 30 anos haja uma hanseníase muito mais resistente disseminada nas populações endêmicas”, ressalta o pesquisador Marcelo Mira.

 *Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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