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Devemos realizar ooforectomia bilateral durante a histerectomia por doença benigna?

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A realização de ooforectomia bilateral em pacientes submetidas a histerectomias em virtude de patologias benignas está associada a um aumento no risco de doenças cardiovasculares e mortalidade.

O British Medical Journal (BMJ) publicou, em janeiro de 2017, um estudo com 113.00 mulheres histerectomizadas, onde 67% mantiveram pelo menos um o ovário (grupo de conservação ovariana) e 33% foram submetidas à ooforectomia bilateral. Através da análise da base de dados nacionais ingleses o Dr. Lilfrod e colegas investigou a associação entre a ooforectomia bilateral e as consequências na saúde dessas mulheres com um seguimento de 6,2 anos.

O grupo das pacientes submetidas à ooforectomia bilateral apresentou maior incidência diagnóstica de neoplasia ovariana após a cirurgia, todavia esse resultado foi atribuído a um viés inicial de ooforectomia de ovários suspeitos. Entretanto, essas pacientes apresentaram uma maior taxa de admissão hospitalar em virtude de doenças cardiovasculares isquêmicas, tentativa de suicídio, neoplasia de pulmão, bexiga e cólon.

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O grupo das mulheres que conservaram o ovário apresentou um discreto aumento da  taxa diagnóstica de câncer de mama quando comparado com as ooforectomizadas bilateralmente, entretanto apresentaram menor incidência de neoplasia pulmonar, vesical e de   cólon.

A taxa de mortalidade nas pacientes ooforectomizadas bilateralmente foi 40% maior que nas pacientes com preservação do tecido ovariano, evidenciando uma relação de uma morte para cada 240 cirurgias aproximadamente, em 10 anos. Quando excluídos os casos de óbito por neoplasia ovariana, a diferença foi ainda maior.

No grupo de conservação de tecido ovariano, a taxa de mortalidade por doença cardíaca e neoplasias foi aproximadamente metade do encontrado nas mulheres ooforectomizadas bilateralmente. Apesar da alta taxa de tentativa de suicídio (aproximadamente 2%), não houve diferença entre os estudos, segundo os pesquisadores.

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“Para mulheres submetidas à histerectomia por doenças benignas há uma série de estudos que sugerem que a conservação do ovário é benéfica para a saúde a longo prazo. A escolha de se preservar ou remover os ovários deve ser individualizada com base no perfil de risco específico de uma mulher” , segundo o Dr. Jason D. Wright, chefe da divisão de oncologia ginecológica da Faculdade de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Columbia, em Nova York.

Desse modo, apesar dos últimos estudos virem evidenciado que a ooforectomia bilateral promove um maior risco de doenças cardiovasculares isquêmicas e alguns tipos de neoplasias, cabe a nós médicos termos bom senso e individualizarmos as nossas condutas diante de cada paciente, analisando os cofatores de riscos da pacientes para podermos escolher a melhor conduta, sempre expondo para a paciente os riscos existentes nas possibilidades terapêuticas sugeridas.

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