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Salpingectomia: o método afeta a resposta ovariana à estimulação?

Para que ocorra a gravidez espontânea é necessário que a função tubária esteja preservada, uma vez que a fertilização e o desenvolvimento embrionário precoce ocorram na trompa de falópio. Alterações no funcionamento normal da trompa podem resultar em infertilidade e aumentar o risco de gravidez extrauterina, porém existem situações em que a salpingectomia deve ser ser considerada.

A gravidez ectópica tubária, especialmente se rota, possui como melhor opção terapêutica a cirurgia, bem como os casos de hidrossalpinge. Casos em que foi realizada a salpingectomia bilateral, a fertilização in vitro (FIV) passa a ser a única opção para atingir a gravidez, e a hiperestimulação ovariana é parte essencial do tratamento.

Foi realizada um metanálise com 25 estudos (4 prospectivos, 21 retrospectivos), envolvendo 1.935 pacientes que foram submetidos a salpingectomia e 2.893 que não o fizeram. A principal medida de resultado foi a resposta à estimulação. Foram usados como critérios e marcadores de resposta à estimulação: a dose de gonadotrofina para estimulação, a duração da estimulação, o nível máximo de estradiol, o número de oócitos colhidos e os níveis basais de hormônio folículo-estimulante (FSH).

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Os resultados foram comparados entre mulheres com salpingectomia (bilateral e unilateral combinada) e mulheres que não realizaram salpingectomia, foram obtidos os seguintes achados:

  • Os níveis basais de FSH foram significativamente aumentados, e a quantidade de gonadotrofinas utilizadas para estimulação foi maior no grupo de salpingectomia.
  • A duração da estimulação, o nível máximo de estradiol e o número de oócitos colhidos foram semelhantes.

Quando a salpingectomia bilateral foi comparada sem salpingectomia, foram obtidos os seguintes achados:

  • A dose de gonadotrofina, a duração da estimulação e o nível basal de FSH aumentaram significativamente.
  • O número de oócitos coletados foi menor.
  • O nível máximo de estradiol não foi afetado.

Quando a salpingectomia unilateral foi comparada sem salpingectomia, foram obtidos os seguintes achados:

  • Nenhum dos parâmetros estudados diferiu significativamente, exceto o número de oócitos coletados que foi menor no lado operado quando comparado com o ovário contralateral.

É importante minimizar as intervenções que podem comprometer a função ovariana em mulheres em idade reprodutiva. Uma vez alguns dos vasos sanguíneos que fornecem o suprimento sanguíneo ovariano são paralelos as tubas na mesossalpinge, podendo a salpingectomia comprometer reserva ovariana e a fertilidade no futuro. A salpingectomia pode ser necessária para tratar gestações ectópicas tubárias maiores ou rotas, já as menores e íntegras podem ser melhor tratadas com medicamentos visando preservar a função ovariana.

Em casos de hidrossalpinge, a fertilização in vitro irá apresentar taxa de sucesso baixa, sendo recomendada a salpingectomia. Nesses casos, no entanto, quando a reserva ovariana é baixa, uma abordagem mais conservadora pode ser oferecida em primeiro lugar. Isto poderia envolver salpingoplastia, oclusão proximal, ou oclusão histeroscópica dos tubos. Do ponto de vista da implantação, estas podem não ser as melhores opções, mas não devem interferir com a função ovariana.

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Atualmente, é possível oferecer a paciente inicialmente realizar a estimulação ovariana seguida da recuperação dos óvulos, estes após serem fecundados (embrião) são criopreservados , e só neste momento a paciente será submetida a salpingectomia, e em um terceiro momento ser realizada a transferência dos embriões previamente criopreservados. Em alguns casos esse procedimento não pode ser oferecido, em caso de pacientes que irão ser submetidas a tratamentos oncológicos por exemplo, uma vez que não há tempo hábil para tal procedimento, porém em casos onde não há contra-indicação essa conduta tem sido adotada por grandes parte dos infertileutas.

Contudo, vale ressaltar que essa metanálise foi baseada em 25 estudos, sendo a maioria deles retrospectivos com todas as suas falhas. Idealmente, várias opções de tratamento deveriam ser comparadas prospectivamente para assim podermos fazer recomendações sólidas baseada em evidências, porém atualmente a tendência entre os infertileutas é adotar esta conduta, uma vez que vem demonstrando melhor resposta.

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Referência:

  • Could Salpingectomy Affect Response to Ovarian Stimulation?. Medscape. Sep 29, 2016.

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