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Gestação não planejada x trombose na contracepção

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Gestações não planejadas ocorrem com frequência em nossa população. Estima-se quase 50% dentre as gestações não foram planejadas, e é de fundamental importância o conhecimento da eficácia e riscos dos métodos contraceptivos. Dentre os diversos métodos, os hormonais combinados (anel vaginal, adesivo, pílula) apresentam uma menor eficácia quando comparados com os Dispositivos Intrauterinos (DIU) e laqueadura tubária, porém mostram-se com eficácia superior aos métodos de barreira e tabelinha. Dos contraceptivos hormonais, o mais usado é a pílula oral, entretanto esta não é isenta de efeitos colaterais. Mulheres que fazem uso desse método apresentam um aumento no risco de doença cardiovascular, bem como de tromboembolismo venoso (TEV).

O risco basal de TEV em mulheres em idade reprodutiva é de um a dois casos para cada 10 mil mulheres. Em usuárias de contraceptivos orais, o risco aumenta em quatro vezes, segundo estudos epidemiológicos, todavia permanece menor do que o risco estimado durante a gestação que é de 20 casos para cada 10 mil mulheres. O componente estrogênico da pílula atua como o principal fato de risco para  TEV, entretanto é dose dependente. Estudos evidenciam que contraceptivos hormonais combinados (adesivo, anel vaginal e pílulas orais) contendo progesterona de terceira ou quarta geração (norelgestromina, etonogestrel e drospirenona) possuem maior risco de TEV quando comparados com preparações contendo levonorgestrel.

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O componente estrogênico da pílula (etinilestradiol) promove um aumento do risco de TEV através da modulação hepática de fatores de coagulação. Estrogênios mais recentes, como o valerato de estradiol e o 17β- estradiol, não interferem ou possuem efeito mínimo sobre o metabolismo hepático. A progesterona isolada não aumenta o risco de TEV, porém progesteronas androgênicas atenuam o efeito do estrogênio, e as mais antiandrogênicas possuem menos impacto sobre os efeitos hepáticos induzidos pelo estrogênio.

A escolha do método contraceptivo deve ser realizada em conjunto com o paciente, através da anamnese e exame físico, e avaliando o risco para TEV, incluindo obesidade, história pessoal e familiar, diabetes, hipertensão, entre outros fatores. Pacientes com risco aumentado devem ser orientadas a usarem métodos que não aumentem ainda mais esse risco, como métodos contendo apenas progesterona, DIU e laqueadura tubária.

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No futuro, espera-se que tenhamos contraceptivos hormonais combinados contendo hormônios semelhantes aos naturais, que não promovam esse incremento no risco. Entretanto, atualmente os produtos disponíveis ainda apresentam um perfil tromboembólico favorável quando comparado com a gravidez, e, por conseguinte, devem ser oferecidos às pacientes com desejo de contracepção eficaz e sem contraindicações, a fim de evitar o aumento na taxa de gestações não planejadas.

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Referências:

  • Which Hormonal Contraceptives Pose a Lower Thrombosis Risk? Medscape. Dec 28, 2016.

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