Educação Médica

Dia do professor: adversidades, desafios e aprendizados da educação médica na pandemia

Tempo de leitura: 2 min.

A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe muitas adversidades, desafios, mas também aprendizados. Na área da educação médica não foi diferente. A necessidade de revisão da formação acadêmica dos profissionais de saúde brasileiros nunca foi tão urgente.

A crise sanitária evidenciou a capacidade de resposta dos profissionais de saúde perante as inúmeras adversidades. Com equipes sobrecarregadas e poucos recursos, os profissionais e estudantes em atuação foram desafiados diariamente e à exaustão a exercer habilidades de comunicação, de gestão e trabalho colaborativo, além de competências técnicas.

Diante de uma realidade desafiante e dinâmica, com novas necessidades de protocolos sanitários, a educação médica no país foi colocada em xeque (e ainda está), o que possibilita profundas reflexões sobre a formação de competências para o trabalho profissional em contextos de incerteza.

“A pandemia foi uma surpresa dolorida para a humanidade e para medicina, ou melhor, para a saúde. Um desafio! Nos cursos de medicina, muitas escolas deram continuidade às atividades teóricas via remota e houve um esforço hercúleo para nova forma de aprender a aprender a ensinar através de capacitações, novas tecnologias e aprimoramento das existentes. Novas formas de planejamento face às adaptações, retorno gradual e progressivo, protocolos rígidos de higienização e segurança sanitária, suporte emocional aos discentes, colaboradores, docentes, inovação pedagógicas e de avaliação”, ressaltou a médica patologista Mércia Margotto, coordenadora do curso de Medicina da faculdade Santo Agostinho, da Bahia, que faz parte da Afya Educacional, em entrevista ao Portal PEBMED.

Saiba mais: Educação médica continuada em gestão e inovação: qual é a sua importância?

Necessidade de adaptação do currículo

A pandemia de Covid-19 propiciou uma oportunidade singular para os estudantes perceberam a dinâmica do conhecimento e da atuação médica, e como é essencial ter o domínio de determinados assuntos para responder a ameaças diárias contra a saúde.

Neste novo cenário, as universidades se viram obrigadas a adaptar o currículo para incluir nas disciplinas médicas questões específicas relacionadas à infecção por uma doença pouco conhecida, como a racionalização de recursos, segurança do trabalho, cuidados especiais relacionados aos pacientes, mudanças na autonomia e restrições pessoais.

Mudança na didática

Sem quase tempo nenhum de preparo, diretores e coordenadores viram-se na necessidade urgente de mudar toda a sua modalidade de ensino. Professores e alunos precisaram adaptar-se à nova modalidade rapidamente. E o grande desafio de conseguir manter o ritmo e a qualidade do ensino, mesmo sem a presença física, exigiu o aprendizado de novas competências.

E a educação médica, que sempre foi pautada em competências importantes, como profissionalismo, manter a conexão com os alunos e se comunicar bem, precisou abraçar outras novas para conseguir se encaixar no cenário desafiador de uma emergência de saúde pública de proporções mundiais.

O ensino pelo exemplo

“Tivemos que aprender, fazendo. Com muita paciência, resiliência e coragem. Na impossibilidade de aulas presenciais, fomos desafiados a criar novas formas de aprendizagem. Isso além da capacidade de re-significar o esforço e a criatividade, o que ainda tem sido nossos instrumentos para manter esse fundamental vínculo de encantamento com os estudantes no ambiente escolar mesmo à distância. Aliás, sempre digo que o docente deve ser sempre um entusiasta, com brilho nos olhos, que encanta e flui em sala de aula como um barco em ondas suaves”, finalizou a coordenadora médica Mércia Margotto.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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