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Dia Internacional da Mulher (8M) — Reflexões da enfermagem

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Coautoria: 

Isabelle Gaspar. Enfermeira – Residência em Saúde da Mulher (HESFA/UFRJ), Mestrado em Enfermagem (EEAN/UFRJ) e Especialização em Gênero e Sexualidade (CLAM/IMS/UERJ).

A enfermagem é uma profissão majoritariamente feminina, seja no nível auxiliar, técnico ou superior, mais de 84% dos profissionais são do sexo feminino, segundo a Pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil – 2013. FIOCRUZ/COFEN. Por esta razão, é importante celebrarmos o Dia Internacional da Mulher, uma data que requer uma reflexão sobre o papel da mulher na sociedade, além de ter o objetivo de evidenciar o valor do sexo feminino, defendendo sua autonomia e direitos, sem deixar de trazer à tona situações de injustiças e abusos que as mulheres sofrem diariamente, somente por serem mulheres.

Leia também: Vivências como enfermeira por Mariana Marins [Jornadas de Enfermagem]

Dia 08 de março — dia internacional da mulher

História

Na história da profissão, alguns nomes são marcantes, como: Florence Nigthingale (1820-1910), que cuidou dos feridos na Guerra da Criméia e fundou a primeira Escola de Enfermagem, no Hospital Saint Thomas em Londres, e Anna Néri (1814-1880), pioneira da enfermagem brasileira, que trabalhou na Guerra do Paraguai e dá nome a primeira escola de enfermagem no Brasil e nos moldes modernos, pautado no modelo americano e com corpo docente formado por enfermeiros, a Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Esses nomes têm tamanha importância para a história da enfermagem no Brasil e no mundo que, recentemente, foram homenageadas por Maurício de Sousa Produções, transformando as icônicas personagens da Turma da Mônica, Magali e Mônica, nas duas pioneiras da enfermagem.

Logicamente que, além dessas, existem outras enfermeiras que se tornaram marcos para o processo de evolução e consolidação da enfermagem enquanto ciência, tendo em vista que foram criadoras de teorias que dão suporte teórico e orientam o Processo de Enfermagem, perpassando por suas etapas: coleta de dados, diagnósticos de enfermagem, planejamento das ações, intervenções de enfermagem e avaliação dos resultados. Algumas delas são:

  • Dorothea Orem – criadora da Teoria do Autocuidado;
  • Imogene King – criadora da Teoria de Sistemas de Interação de Enfermagem e da Teoria de Realização de Metas;
  • Wanda Horta – brasileira e criadora da Teoria das Necessidades Humanas Básicas;
  • Sister Callista Roy – criadora da Teoria da Adaptação;
  • Virgínia Henderson – criadora da Teoria das Definições das Práticas de Enfermagem.

Embora denota-se o papel das mulheres no processo de formulação, aprimoramento e execução das práticas concernentes à profissão de enfermagem, assim como seu papel desempenhado em diferentes esferas de gestão de políticas públicas na área de saúde, ainda se observa a erotização da imagem das enfermeiras. Para exemplificar, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) publicou em seu site, no ano de 2021, que a atriz brasileira Bruna Marquezine se fantasiou como “enfermeira sexy” para uma festa e postou fotos e vídeos em suas redes sociais para dezenas de milhões de seguidores.

Essa atitude não pode ser considerada inócua, tendo em vista que a veiculação de informações depreciativas nas mídias sociais pode repercutir de maneira danosa para as mulheres enfermeiras brasileiras. É importante salientar que vivemos em um país misógino em que a luta contra a violência de gênero deve ser diária, uma vez que de acordo com o Atlas de Violência 2021 (CERQUEIRA et al, 2021) o SIM/Datasus indicou que 3.737 mulheres foram assassinadas, enquanto outras 3.756 foram mortas de forma violenta mas sem indicação da causa em 2019.

Vale salientar que as mulheres enfermeiras, além de profissionais da enfermagem, desempenham diversos papéis: são mães, filhas, esposas, donas de casa, vizinhas, amigas. Devido ao acúmulo de funções, é comum encontrarmos mulheres na enfermagem com esgotamento mental, diagnóstico de Síndrome de Burnout, estresse e ansiedade. Ademais, enfrenta-se, também, uma alta carga de trabalho para garantir seus salários ─ muitas vezes sendo necessário manter mais de um vínculo trabalhista ─ e sustentar o seu lar. Nos últimos dois anos, inclusive, observou-se uma incansável doação por sua carreira e pelas vidas dos entes queridos devido a pandemia da covid-19.

Saiba mais: O cuidado dos profissionais de enfermagem com as mulheres em situação de violência

Nesse sentido, foi criado o Projeto de Lei 2564/2020 que institui o piso salarial para enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e parteiras. Atualmente, existem enfermeiros que recebem R$ 2.424,00 por 40 horas trabalhadas e com a aprovação do PL passariam a receber R$ 4.750,00. Importa destacar, que pisos salariais semelhantes já são comuns em diversas profissões.

Em síntese, neste dia internacional da mulher não nos deem flores: não sexualizem a enfermagem, nos ofereçam um ambiente sem assédio e apoiem a PL 2564/2020!

  • Mariana Marins. Enfermeira, especialista em saúde da família. Mestre em educação pela Universidade Federal Fluminense. Experiência na gestão de unidade básica de saúde no Município do Rio de Janeiro e atualmente Gestora em Saúde no Município de Maricá.

Referências bibliográficas:

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