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Dia Nacional do Pakinsoniano: conheça os avanços no combate à doença de Parkinson

Tempo de leitura: 2 minutos.

Após 202 anos do famoso trabalho de James Parkinson descrevendo a doença que levaria seu nome, continuamos em busca por novos tratamentos modificadores de doença e, ultimamente, da cura. Muito se avançou no entendimento da patologia e de como ela afeta diferentes sistemas de nosso corpo.

Nesta quinta, 4 de abril, é comemorado o Dia Nacional do Parkinsoniano, como forma de aumentar a conscientização e promover o debate sobre a doença e o que significa conviver com o transtorno, tanto para o paciente quanto para o familiar. Temos observado avanços farmacológicos, cirúrgicos e desenvolvimento de estratégias de reabilitação. Em particular, a visão mais recente se baseia em evidências crescentes do envolvimento intestinal precoce.

De forma interessante, um artigo publicado em outubro do ano passado na Science Translational Medicine revelou um possível elo entre o apêndice cecal e o surgimento da doença. Neste estudo houve uma chance 19,3% menor de se desenvolver a doença de Parkinson do que no grupo que não sofreu apendicectomia. Somam-se aos dados que sugerem a progressão da alfa-sinucleína (proteína tida como causadora da doença) do intestino, via nervo vago, até o tronco encefálico.

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Ainda este ano devemos ver o lançamento de novas formas de fornecimento de Levodopa, sendo algumas que procuram contornar a absorção intestinal do fármaco. Já liberado pelo FDA (órgão regulador dos EUA) e em lançamento na América do Norte, o pó inalatório de Levodopa (INBRIJA) mostrou-se eficaz no tratamento intermitente do período OFF, com latência de início de cerca de 10 minutos. Outra novidade em desenvolvimento é a “pílula-acordeão” (NCT02605434 – Estudo fase 3) que uma vez ingerida, sofre expansão no estômago e promete entregar lentamente o fármaco ao intestino delgado.

Vê-se, também, o investimento em terapias com anticorpos monoclonais. Em 2018 a comunidade científica viu o estudo Pasadena tomar corpo ao avançar para a fase 2. O estudo baseia-se na ação da molécula Prasinezumabe (PRX002) com foco na alfa-sinucleína mal-enovelada (misfolded) e mais propensa a formar os agregados tóxicos. O estudo de fase 1 foi considerado promissor ao revelar que a molécula foi bem tolerada e reduziu os níveis séricos da proteína.

Por outro lado, muitos pesquisadores vêm com cautela a aprovação do avanço dos estudos, uma vez que carecem modelos animais fidedignos da doença de Parkinson e que, apesar de focar na proteína mal-enovelada, o PRX002 também reduziu o nível da alfa-sinucleína fisiológica, sendo que desconhecemos o efeito a longo prazo dessa redução. Por outro lado, a noção do surgimento de patologias particulares aos cuidadores tem feito com que cursos específicos e grupos de apoio tenham sido desenvolvidos como forma de prevenção.

Continuamos com o esforço conjunto da comunidade científica e de pacientes e seus familiares na luta contra essa doença que incapacita tantas pessoas e ainda permanece sem cura. Conviver com Parkinson é um esforço e uma lição diária de vida. Pequenas vitórias e histórias constantes de superação inspiram os envolvidos em construir os próximos anos dessa jornada. Felizmente, contamos atualmente com maior suporte clínico e a promessa de novos avanços em um futuro próximo.

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Referências:

  • SERVICK, Kelly. Seeds of Parkinson’s disease may hide in the appendix. Science Translational Medicine. Acesso em abril de 2019. doi:10.1126/science.aav9158

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