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Diagnóstico de diabetes em amostra única de sangue: é possível?

Tempo de leitura: 2 minutos.

O diagnóstico de diabetes mellitus (DM) atualmente depende de, pelo menos, duas amostras de sangue para ser efetivado, com o objetivo de reduzir os falsos positivos. Porém, um estudo publicado no Annals of Internal Medicine propõe uma mudança nessa realidade. Os dados sugerem que pode ser possível diagnosticar a doença medindo a glicemia de jejum e a hemoglobina A1c (HbA1c) usando a mesma amostra de sangue sem exigir que o paciente retorne para uma segunda visita.

A American Diabetes Association (ADA) recomenda uma triagem inicial com glicemia de jejum, a HbA1c ou o teste oral de tolerância à glicose para diagnosticar a DM. Se os resultados excederem os limites de diagnóstico, eles aconselham um segundo teste (uma repetição do mesmo ou de um diferente), a menos que o paciente tenha sinais claros de hiperglicemia. Esse segundo teste deve ser realizado mediatamente, usando uma nova amostra de sangue para confirmação.

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O estudo realizado foi prospectivo e conhecido como Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC), realizado em quatro comunidades dos Estados Unidos. Participaram 13.346 indivíduos do ARIC, dos quais 12.268 não apresentavam diagnóstico de diabetes. O acompanhamento foi feito por 25 anos para incidência de diabetes, desfechos cardiovasculares, doença renal e mortalidade. Foi considerado DM confirmado não diagnosticado quando o paciente apresentava: níveis elevados de glicose em jejum (≥7,0 mmol / L [≥126 mg / dL]) e HbA1c (≥6,5%) a partir de uma única amostra de sangue.

Entre 12.268 participantes sem diagnóstico de diabetes, 978 tinham níveis elevados de glicose em jejum ou HbA1c no início do estudo (1990 a 1992). Entre estes, 39% tinham ambos (DM confirmado não diagnosticado), enquanto 61% tinham apenas uma medida elevada (DM não confirmado nem diagnosticado). A definição confirmatória tinha sensibilidade moderada (54,9%), mas alta especificidade (98,1%) para identificação de casos de diabetes diagnosticados durante os primeiros 5 anos de acompanhamento, com especificidade aumentando para 99,6% em 15 anos. O valor preditivo positivo de 15 anos foi de 88,7% em comparação com 71,1% para casos não confirmados. No estudo, DM confirmado não diagnosticado foi significativamente associado com doença cardiovascular/renal e mortalidade, com associações mais fortes do que o diabetes não confirmado.

Os resultados  mostram que usar a mesma amostra para glicemia de jejum e HbA1c teve um alto valor preditivo positivo para posterior diagnóstico de diabetes. As conclusões sugerem que os dois testes de uma amostra de sangue possam fornecer uma confirmação adequada do diabetes, permitindo que possamos pensar  na simplificação das diretrizes de diagnóstico de DM no futuro. Porém, é importante ressaltar que são necessários novos estudos para confirmar a confiabilidade desta proposta.

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Referências:

  • Selvin E, Wang D, Matsushita K, Grams ME, Coresh J. Prognostic Implications of Single-Sample Confirmatory Testing for Undiagnosed Diabetes: A Prospective Cohort Study. Ann Intern Med. [Epub ahead of print 19 June 2018] doi: 10.7326/M18-0091

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