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medico segurando um remedio e escrevendo uma prescricao

Diarreia: veja as principais orientações do novo guideline do IDSA (parte 2)

Tempo de leitura: 4 minutos.

Recentemente foi publicado pelo IDSA (Infectious Disease Society of America) uma atualização do seu guideline de diarreia infeciosa de 2001. Na primeira parte desse especial, falamos sobre os sinais clínicos e diagnóstico. Agora, vamos abordar o tratamento e prevenção.

TRATAMENTO

Quando iniciar tratamento empírico nos casos de diarreia com sangue?

  • Em imunocompetentes, iniciar antibioticoterapia empírica apenas nas seguintes situações:
    – Menores de 3 anos, com suspeita de etiologia bacteriana;
    – Na presença de febre, dor abdominal, diarreia sanguinolenta e disenteria bacilar (sangue frequente nas fezes, febre, cólicas abdominais e tenesmo), com diagnóstico presumido de shigelose;
    – Pessoas com história de viagens internacionais recentes apresentando febre maior ou igual à 38.5ºC e/ou sinais de sepse.
  • A escolha empírica de antimicrobiano deve ser de uma fluorquinolona, como o ciprofloxacino ou um macrolídeo, como a azitromicina.
  • Em menores de 3 meses, prefere-se cefalosporinas de 3º geração, como ceftriaxone, ou outra opção com alcance neurológico; azitromicina também é uma opção.
  • Em contatos assintomáticos de pacientes com diarreia com sangue não é recomendável o uso empírico de antimicrobianos, mas deve-se informar sobre medidas de prevenção e controle de infecção.
  • Em infecções por E. coli O 157 e outras E. coli produtoras de toxina Shiga, terapia empírica com antimicrobianos deve ser evitada.

Quando iniciar tratamento empírico nos casos de diarreia aquosa, prolongada ou persistente?

  • Na maioria das pessoas com diarreia aquosa aguda, prolongada ou persistente, e sem história de viagem internacional recente, o tratamento a antibioticoterapia empírica não é recomendado.

Tratamento direcionado pela etiologia: qual antibiótico escolher?

Os tratamentos direcionados pela causa podem ser conferidos na tabela abaixo (clique para ampliar):

Modificado do guideline de Diarreia Infecciosa pela IDSA 2017

Como devemos administrar a terapia de reidratação?

  • Terapia de reidratação oral (TRO) de osmolaridade reduzida (<= 270 mmol/L), deve ser iniciada em todas as crianças e adultos com diarreia aguda leve ou moderada, de qualquer etiologia, e naqueles com quadros leve ou moderados associados à vômitos e diarreias severas.
  • Em pacientes impossibilitados ou intolerantes TRO, a solução pode ser realizada por sonda nasogástrica.
  • A administração de soluções isotônicas endovenosas, como cristaloides é indicada em casos de falha na administração da TRO, em casos de desidratação severa, choque ou alteração do estado mental.

Quanto à alimentação, quando iniciar?

  • Em lactentes, o consumo leite materno deve ser mantido durante o quadro ou imediatamente após o início da terapia de reidratação.
  • Em adultos, a dieta habitual deve ser retomada durante o quadro ou imediatamente após o início da terapia de reidratação.

Quando iniciar medicamentos para alívio de sintomas?

  • Terapia com agentes antimotilidade, antináuseas ou antieméticos podem ser considerados em pacientes adequadamente hidratados, mas não devem ser entendidos como substituto para a terapia hidroeletrolítica.
  • Drogas com ação antimotilidade, como a Loperamida, devem ser evitadas em menores de 18 anos de idade com diarreia aguda.
  • Loperamida pode ser realizada em adultos imunocompetentes com diarreia aquosa aguda, mas deve ser evitada em qualquer suspeita de megacólon tóxico ou de febre associada.
  • Medicamentos antináuseas ou antieméticos, como a ondasertrona, podem ser prescritos com intenção de melhorar a tolerância oral à terapia de reidratação em pacientes maiores de 4 anos de idade.

Qual o papel dos probióticos e da suplementação de zinco?

  • Probióticos podem ser oferecidos para alívio da severidade e duração dos sintomas em adultos e crianças imunocompetentes com quadro de diarreia infecciosa ou associada ao uso de antimicrobianos.
  • Suplementação oral de zinco reduz a duração da diarreia em crianças de 6 meses à 5 anos de idade que residem em áreas com alta prevalência de deficiência de zinco ou com sinais de desnutrição.

PREVENÇÃO

  • Higiene das mãos após uso de banheiros, após a troca de fraldas, antes e depois de preparar alimentos, antes de comer, antes de manipular lixo e após tocar animais ou manipular suas fezes, especialmente em locais públicos, como zoológicos.
  • Medidas de controle de infecção, nos cuidados e manejo de pacientes com diarreia, são o uso de luvas, higiene das mãos com sabão e água, ou soluções sanitárias alcoólicas, principalmente antes e após o manejo de tais pacientes.
  • Armazenamento, higiene e cozimento adequado de alimentos.
  • Pacientes com diarreia devem evitar piscinas, parques aquáticos e contato sexual com outras pessoas no seu período sintomático.

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Referências:

2 Comentários

  1. cecilia margarida schmolz de mattos

    muito elucidativo

  2. Uripide martinez

    Gosto muito adoro o aplicativo muito actualisado

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