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Dieta do Mediterrâneo pode melhorar a depressão em idosos

Tempo de leitura: 3 minutos.

Você já ouviu falar da dieta do Mediterrâneo? Ela já se tornou bem conhecida entre profissionais da saúde e tem prometido melhoras no controle de diversas doenças crônico-degenerativas.

O segredo dessa dieta é que, mais que uma dieta, ela diz respeito a um estilo de vida. A dieta, em si, é composta por grandes quantidades de vegetais, frutas, grãos, nozes e azeite; consumo moderado de carne branca (especialmente, peixe) e álcool; e pequenas (na verdade, mínimas) quantidades de carne vermelha e açúcar.

Porém, a filosofia por trás da dieta também engloba outros aspectos do estilo de vida saudável, incluindo atividades físicas, convivência com amigos e família, redução do estresse e outros.

Não parece surpreendente que ela tenha se mostrado tão benéfica, não é mesmo?

Nas pesquisas, a aderência a esse estilo de vida tem mostrado redução na incidência de doenças cardiovasculares, obesidade, demência e (surpresa, ou não) transtornos de humor. O problema é que, até hoje, os estudos se concentraram na população adulta, de forma que os extremos ficaram de fora das análises.

A importância disso é o clássico de sempre: a população está envelhecendo. Logo, a saúde do idoso se torna um tema essencial a cada ano. Além disso, a maior incidência de todas essas doenças crônicas e degenerativas é na terceira idade. Idade que, inclusive, é muito acometida pela depressão.

Estima-se que cerca de 20% dos idosos vivenciarão episódios depressivos pelo menos uma vez. E, assim como a hipertensão ou o diabetes, a depressão é responsável por piora da morbidade e mesmo internações hospitalares, resultando em perda de qualidade de vida e maiores custos em termos de saúde pública.

Depressão e alimentação

E outra tendência em psiquiatria tem sido seu lado nutricional. Ou seja, descobrimos que a dieta interfere na saúde mental mais do que se acreditava. Há evidências bem sólidas de como a dieta pode ser usada para tratar depressão. Por isso, uma equipe da Hellene Open University, na Grécia, realizou um estudo transversal com 154 idosos (média de idade de 71 anos).

No estudo, os sujeitos foram submetidos a à Escala de Depressão Geriátrica e à Escala de Insônia de Atenas, além de uma caracterização detalhada do hábito dietético. Em geral, a maior parte da população tinha uma adesão parcial, porém moderada, da dieta do Mediterrâneo. Quase 25% tinham depressão moderada ou grave e cerca de um terço tinham problemas relacionados ao sono.

Os resultados mostraram que para cada unidade a mais de frutas ingeridas no dia, o risco de desenvolver depressão era 20% menor. Para cada unidade reduzida na ingesta de carne e álcool, o risco era 36% e 28%, respectivamente.

Leia mais: Perda auditiva em idosos está relacionada com aumento no risco de depressão

Ou seja, a relação entre os itens da dieta e a prevalência de depressão nesses idosos foi bem clara. E esses são apenas alguns dos achados. A inovação da pesquisa vem do foco específico na população idosa. Infelizmente, essa é uma das primeiras e, portanto, ainda são precisas muitas mais para que possamos ter evidências sólidas quanto ao uso da dieta do Mediterrâneo na terceira idade.

Conclusão

De qualquer forma, a iniciativa abre a possibilidade de usar a dieta como tratamento, e não só como forma de prevenção para uma terceira idade mais saudável. Além disso, a mensagem fica clara: nunca é tarde para começar a cuidar da saúde (física e mental).

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Referências:

  • CASSELS, Caroline. Mediterranean Diet May Keep Late-Life Depression at Bay. 2019. Via Medscape. Disponível em: <https://www.medscape.com/viewarticle/913284#vp_1>. Acesso em: 23 maio 2019.
  • Natalie Parletta, Dorota Zarnowiecki, Jihyun Cho, Amy Wilson, Svetlana Bogomolova, Anthony Villani, Catherine Itsiopoulos, Theo Niyonsenga, Sarah Blunden, Barbara Meyer, Leonie Segal, Bernhard T. Baune & Kerin O’Dea (2019) A Mediterranean-style dietary intervention supplemented with fish oil improves diet quality and mental health in people with depression: A randomized controlled trial (HELFIMED), Nutritional Neuroscience, 22:7, 474-487, DOI: 10.1080/1028415X.2017.1411320

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