Home / Gastroenterologia / Disfunção vesical e intestinal: uroterapia em crianças e adolescentes

Disfunção vesical e intestinal: uroterapia em crianças e adolescentes

Gastroenterologia, Pediatria, Urologia
Acesse para ver o conteúdo
Esse conteúdo é exclusivo para usuários do Portal PEBMED.

Para continuar lendo, faça seu login ou inscreva-se gratuitamente.

Preencha os dados abaixo para completar seu cadastro.

Ao clicar em inscreva-se, você concorda em receber notícias e novidades da medicina por e-mail. Pensando no seu bem estar, a PEBMED se compromete a não usar suas informações de contato para enviar qualquer tipo de SPAM.

Inscreva-se ou

Seja bem vindo

Voltar para o portal

Define-se disfunção vesical e intestinal (DVI) como uma combinação de, no mínimo, um dos sintomas intestinais, como constipação e encoprese, associado a um ou mais sintomas de trato urinário inferior (STUI). Os STUI englobam manifestações clínicas relacionadas a:

  • Modificações nas fases de armazenamento, como incontinência urinária e urgência miccional;
  • Esvaziamento vesical, como hesitação e jato urinário fraco;
  • E/ou outros sintomas, como manobras de contenção e disúria.

DVI e STUI atingem um número significativo de crianças e adolescentes (44,3%) que não apresentam alterações estruturais do sistema geniturinário ou neurológico. Sendo assim, esses pacientes são expostos a complicações relevantes que colocam a função do trato urinário superior em risco, como:

Ademais, a DVI pode acarretar isolamento, ansiedade e depressão.

Uroterapia e disfunção vesical e intestinal

O tratamento de primeira linha da DVI é a uroterapia, que compreende dois tipos de abordagem: não cirúrgica e farmacológica.

A uroterapia é dividida em dois tipos:

  • Uroterapia-padrão: inclui a informação e desmistificação sobre a função do trato urinário inferior (TUI), educação sobre como solucionar STUI específicos em cada caso, modificação de comportamento (como hábito intestinal e urinário regulares, postura adequada no toalete para eliminações), orientações sobre estilo de vida saudável (adequada ingestão hídrica, diminuição da ingestão de cafeína, dieta rica em fibras), programação de intervalo entre as micções, anotação de sintomas e hábitos de eliminação, reconhecimento da musculatura do assoalho pélvico e acompanhamento clínico sistemático;
  • Uroterapia específica: envolve técnicas de relaxamento de assoalho pélvico, biofeedback, eletroestimulação e cateterismo intermitente limpo.

A psicoterapia e a terapia cognitivo-comportamental compõem intervenções adicionais à uroterapia.

Revisão sistemática

Frente à imensa problemática que envolve crianças e adolescentes com DVI, Assis, Silva e Martins (2019) realizaram uma revisão sistemática intitulada “Urotherapy in the treatment of children and adolescents with bladder and bowel dysfunction: a systematic review”, publicada recentemente no Jornal de Pediatria. O objetivo dessa revisão foi identificar e descrever os protocolos e desfechos clínicos das intervenções de uroterapia em criança e adolescentes com DVI.

Metodologia

Essa revisão sistemática foi realizada em junho de 2018 nas seguintes bases: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), Excerpta Medica dataBASE (EMBASE), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library e PsycInfo.

As autoras incluíram ensaios clínicos e estudos quase-experimentais dos últimos 10 anos envolvendo crianças e/ou adolescentes com sintomas urinário e intestinal e aplicação de, pelo menos, um componente de uroterapia.

Mais da autora: Bronquiolite: revisão sistemática das diretrizes de prática clínica

Resultados

Foram incluídos 13 ensaios clínicos e 1 estudo quase-experimental. A qualidade metodológica desses estudos foi moderada. A realização de metanálise não foi possível devido à heterogeneidade da amostra e de delineamento metodológico dos artigos incluídos. A análise descritiva por meio de percentual simples demonstrou uma diminuição dos sintomas e melhora dos parâmetros de urofluxometria.

Foram identificados os seguintes componentes de uroterapia:

  • Orientação educacional;
  • Ingestão hídrica;
  • Diminuição do consumo de cafeína;
  • Posicionamento adequado para eliminação;
  • Treinamento do assoalho pélvico;
  • Micção programada;
  • Controle/manejo da constipação.

Conclusão

A revisão de Assis, Silva e Martins (2019) aponta resultados positivos na diminuição dos sintomas e na melhora dos parâmetros de urofluxometria com a utilização de uroterapia padrão como primeira linha de tratamento da DVI em crianças e adolescentes. As autoras recomendam futuras pesquisas que abordem a frequência, número e tempo para as consultas de uroterapia.

É médico e quer escrever para o Portal PEBMED? Inscreva-se aqui!

Autor:

Referência bibliográfica:

  • ASSIS, G. M.; SILVA, C. P. C.; MARTINS, G. Urotherapy in the treatment of children and
    adolescents with bladder and bowel dysfunction: a systematic review. J Pediatr (Rio J), v.95, n.6,p.628-641, 2019.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.