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criança vista de cima dormindo na cama

Dormir pouco pode aumentar o risco de adoecimento e morte

Tempo de leitura: 3 minutos.

Segundo os critérios do DSM-V (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed.) e da ICSD-3 (International Classification of Sleep Disorders- version 3), a insônia é caracterizada pela dificuldade de iniciar o sono, continuar dormindo ou despertar precocemente, apesar de adequada oportunidade para dormir, acarretando em prejuízo no funcionamento do indivíduo durante o dia. Deste modo, o conceito de insônia não está relacionado diretamente à quantidade de horas dormidas, mas sim à má qualidade do sono.

Entretanto, dados do estudo Penn State Adult Cohort, apresentados este ano no 31st Annual Meeting of the Associated Professional Sleep Societies – SLEEP 2017 sugerem que a quantidade de horas dormidas merece maior atenção devido às implicações prognósticas.

Neste estudo, 1.741 indivíduos foram acompanhados por um período médio de 16 anos e aqueles que dormiram menos de 6h/dia obtiveram risco aumentado em aproximadamente 2 vezes de morrer por causas cardíacas e cerebrovasculares, o que não foi observado no grupo que dormiu mais de 6h/dia.

Um braço deste estudo, com 1.344 indivíduos, avaliou a interação entre síndrome metabólica e duração curta do sono, observando maior taxa de mortalidade não só por doença cardíaca e cerebrovascular, como também por todas as causas de morte no grupo com síndrome metabólica e tempo de sono menor que 6h/dia1,2.

Este não é o primeiro estudo a mostrar relação entre poucas horas de sono e aumento da morbi-mortalidade. O estudo MORGEN3 (Monitoring Project on Risk Factors and Chronic Diseases in Netherlands), publicado em 2011, já havia chegado a conclusões semelhantes, mas a avaliação das horas de sono foi feita de maneira subjetiva através de questionários, enquanto no Penn State Adult Cohort foi realizada medida objetiva do tempo total de sono através de polissonografia.

O motivo para a insônia associada à curta duração do sono estar associada a piores desfechos parece estar relacionada ao fato de insones que dormem pouco apresentarem desequilíbrio disautonômico com hiperatividade simpática e ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, levando ao aumento dos níveis de cortisol e ACTH4. As consequências são maior incidência de hipertensão, diabetes e resistência insulínica nestes pacientes, fatores de risco intimamente ligados às doenças cardio e cerebrovasculares5.

A insônia associada à duração do sono curta também já foi relacionada a maiores taxas de incidência de depressão5 e pior desempenho em tarefas relacionadas a atenção dividida e memória de trabalho6.

Apesar das evidências sugerindo que este fenótipo esteja associado a uma maior morbi-mortalidade, ainda não existe um consenso estabelecendo critérios e tratamento diferenciado para este subtipo de insônia.

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Referências:

  • 1) Fernandez-Mendonza J. The insomnia with short sleep duration phenotype: an update on it’s importance for health and prevention . Curr Opin Psychiatry. 2017 Jan;30(1):56-63.
  • 2) Fernandz-Mendonza J, Fan He, Caitlin LaGrotte, Alexandros N. Vgontzas, Duanping Liao, Edward O. Bixler. Impact of the Metabolic Syndrome on Mortality is Modified by Objective Short Sleep Duration , Journal of the American Heart Association. 2017;6:e005479
  • 3) Hoevenaar-Blom MP; Spijkerman AMW; Kromhout D; van den Berg JF; Verschuren WMM. Sleep duration and sleep quality in relation to 12-year cardiovascular disease incidence: the MORGEN Study. SLEEP 2011;34(11):1487-1492
  • 4) D’Aurea C, Poyares D, Piovezan RD, et al. Objective short sleep duration isassociated with the activity of the hypothalamic-pituitary-adrenal axis in insomnia. Arq Neuropsiquiatr 2015; 73:516 –519
  • 5) Bathgate CJ, Edinger JD, Wyatt JK, Krystal AD. Objective but not subjective short sleep duration associated with increased risk for hypertension in individuals with insomnia. Sleep 2016; 39:1037 –1045
  • 6) Fernandez-Mendoza J, Shea S, Vgontzas AN, et al. Insomnia and incidente depression: role of objective sleep duration and natural history. J Sleep Res2015; 24:390– 39
  • 7) Shekleton JA, Flynn-Evans EE, Miller B, et al. Neurobehavioral performance impairment in insomnia: relationships with self-reported sleep and daytime functioning. Sleep 2014; 37:107– 116.

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