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Efeito do oseltamivir em pacientes de baixo risco com Influenza

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O uso de oseltamivir para tratamento de Influenza está associado a menor duração de sintomas, especialmente se iniciado nas primeiras 48h de sintomatologia. Entretanto, poucos estudos avaliaram seu impacto na transmissibilidade do vírus. Um estudo clínico randomizado e duplo-cego realizado em homens e mulheres não-gestantes nos Estados Unidos, Argentina e Tailândia procurou avaliar a eliminação de vírus em pacientes com sintomas gripais após três dias de tratamento com oseltamivir ou com placebo.

virus da influenza, que é combatido com o oseltamivir

Eliminação do vírus com oseltamivir

Os pacientes recrutados apresentavam pelo menos um sintoma respiratório (tosse, dor de garganta ou sintomas nasais) iniciado há menos de 48h, não apresentavam nenhuma condição associada a maior risco de desenvolvimento de complicações por Influenza e apresentavam testes positivos para Influenza A ou B (PCR ou testes rápidos). Após inclusão no estudo, os indivíduos foram randomizados para receber oseltamivir 75mg, 12 /12h por 5 dias ou placebo. Swabs de nasofaringe foram coletados nos dias 0, 3 e 7, amostras de sangue foram coletadas nos dias 0, 3, 7 e 28 e a presença de sintomas foi avaliada 2x/dia dos dias 0 a 7, 1x/dia dos dias 8 a 14 e novamente no dia 28.

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No total, foram analisados os dados de 556 participantes, sendo 366 (66%) da Tailândia, 178 (32%) dos Estados Unidos e 12 (2%) da Argentina. A média de idade foi de 36 anos (18-64 anos) e a média de horas de sintomas antes da procura por atendimento médico foi de 28h. Pela avaliação inicial realizada nos locais de atendimento, a maioria dos pacientes estava infectada com Influenza A (70%) e estava moderadamente sintomática. Em ambos os braços, a média de carga viral de Influenza detectada foi semelhante. A adesão à medicação também foi semelhante nos dois grupos do estudo.

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Resultados

Dos 556 participantes, 449 entraram na análise final. Dos 220 participantes no grupo que recebeu oseltamivir, 99 (45%) apresentaram detecção viral no dia 3 do tratamento. No grupo placebo, essa proporção foi de 131 em 229 participantes (57,2%), o que representou uma diferença de 12,2%, a qual foi estatisticamente significativa. A diferença foi maior nos que foram incluídos e, portanto, receberam oseltamivir, ainda nas primeiras 24h de sintomas (43,1% vs. 62,%, respectivamente).

Quando os dados foram estratificados por tipo de vírus, a diferença se manteve nos casos de pacientes infectados com Influenza tipo A: 38,6% de detecção no grupo que recebeu oseltmavir vs. 59,3% no grupo placebo. Entretanto, nos infectados com Influenza tipo B não houve diferença entre os grupos (56,5% vs. 52,9%, respectivamente). Na avaliação de sintomas, não houve diferença entre o tempo para melhora clínica entre os que fizeram uso de antiviral e os que receberam placebo.

Os resultados demonstram que o uso de oseltamivir foi capaz de reduzir a detecção de vírus Influenza em amostras de nasofaringe de pacientes infectados, o que sugere benefício na redução de transmissibilidade. Contudo, essa diferença só foi encontrada com o tipo A do vírus, o que é consistente com outros estudos que questionam a eficiência do oseltamivir contra Influenza tipo B. Além disso, não houve diferença no tempo para resolução dos sintomas, o que levanta a questão de se há real benefício na utilização de antiviral em pacientes de baixo risco para complicações.

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Autora:

Referência bibliográfica:

  • Beigel, JH, Manosuthi, W, Beeler, J, Bao, Y, Hoppers, M, Ruxrungtham, K, Beasley, RL, Ison, M, Avihingsanon, A, Losso, MH, Langlois, N, Hoopes, J, Lane, HC, Holley Jr., HP, Myers, CA, Hughes, MD, Davey, RT. Effect of Oral Oseltamivir on Virological Outcomes in Low-risk Adults With Influenza: A Randomized Clinical Trial. Clin Infec Dis 2019
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