Página Principal > Colunistas > Endoftalmite pós-catarata: profilaxia com Moxifloxacino Intracameral vale a pena?
paciente iniciando cirurgia nos olhos

Endoftalmite pós-catarata: profilaxia com Moxifloxacino Intracameral vale a pena?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Questionar faz bem, então vamos iluminar uma pergunta importante a respeito da cirurgia de catarata, procedimento tão amplamente realizado na atualidade.

Catarata nada mais é que a opacificação da lente natural do olho, o cristalino, como já a descreveu Rolfinck em 1650. Apesar de fatores genéticos e ambientais influenciarem neste processo, é o fator temporal, a idade, o grande responsável pelo surgimento da catarata, que, portanto, não deve ser encarada como patologia e sim como uma característica de natureza fisiológica. Estima-se que 50% dos brasileiros acima dos 50 anos de idade tenham catarata, e que naqueles acima dos 80 anos, ela já esteja presente em cerca de 90%.

Com o progressivo aumento da expectativa de vida, cada vez mais pessoas necessitam realizar a cirurgia de catarata, e diante desta crescente demanda cirúrgica, vemo-nos estimulados a buscar ao máximo reduzir as taxas de complicações. Neste contexto, uma das mais temidas indubitavelmente é a endoftalmite, uma rara, porém grave, infecção intraocular, na maioria das vezes de origem bacteriana, que frequentemente leva à acentuada redução da acuidade visual e até mesmo a amaurose.

Mais do autor: ‘Smartphones e computadores aumentam incidência da Doença do Olho Seco em crianças’

As principais bactérias envolvidas na etiologia da endoftalmite pós-operatória aguda são, em ordem de frequência, Staphylococcus coagulase-negativos, Staphylococcus aureus e Streptococcus do grupo viridans. Todas com alta sensibilidade à ação do moxifloxacino, uma quinolona de quarta geração.

Em estudo publicado em janeiro deste ano, na revista Ophthalmology, e divulgado pela Academia Americana de Oftalmologia, pesquisadores analisaram a influência da administração intracameral de moxifloxacino na incidência de endoftalmite pós-operatória. Neste estudo retrospectivo, foi analisada a impressionante cifra de 600.000 cirurgias de catarata entre janeiro de 2014 e maio de 2016, sendo que na primeira metade dos pacientes não foi realizada aplicação de moxifloxacino intracameral, enquanto na segunda utilizou-se o antibiótico intraoperatório.

Os pesquisadores observaram uma sensível redução na incidência de endoftalmite no grupo que recebeu moxifloxacino intracameral profilático ao final da cirurgia, redução essa de 0,05% (P<0,001), o que representou na prática 150 casos a menos desta complicação. Outro aspecto importante foi a ausência de efeitos colaterais advindos do uso do moxifloxacino intracameral.

Considerando o potencial de dano inerente a endoftalmite pós-operatória, o estudo conclui que a aplicação profilática do antibiótico é válida, embora ainda sejam necessários novos estudos para avaliar a questão do custo benefício desta conduta, já que isso representaria um acréscimo no valor já elevado da cirurgia, dificultando ainda mais o acesso da população mais carente ao procedimento.

As melhores condutas médicas você encontra no Whitebook. Baixe o aplicativo #1 dos médicos brasileiros. Clique aqui!

Autor:

 

Referência:

  • Haripriya A., Chang D. F., Ravindran R. D. Endophthalmitis Reduction with Intracameral-Moxifloxacin Prophylaxis. Ophthalmology 2017:1-8

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.