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Energético versus cafeína: efeitos no risco de hipertensão e arritmias

Existem atualmente mais de 500 produtos de bebidas energéticas disponíveis no mercado com finalidade de fornecer ao consumidor energia física e mental. As bebidas energéticas geralmente consistem em cafeína e outras substâncias que variam entre os produtos. A cafeína em doses <400 mg não é tipicamente considerada arritmogênica, mas pouco se sabe sobre os ingredientes adicionais em bebidas energéticas.

Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado, foi realizado com o objetivo de avaliar os efeitos do eletrocardiograma (ECG) e da pressão arterial (PA) do consumo de bebidas energéticas de alto volume em comparação com a cafeína. Foram incluídos voluntários saudáveis entre 18 e 40 anos de idade.

Os participantes consumiram 946 mL de bebida energética comercialmente disponível ou bebida controlada de 946 mL contendo 320 mg de cafeína, separados por um período de washout de 6 dias. ECG e PA foram obtidos no início do estudo e 1, 2, 4, 6 e 24 horas após o consumo de bebida.

Foram incluídos 12 homens e 6 mulheres (n=18). A média de idade foi de 26,7 ± 4,0 anos. Nove eram consumidores regulares de café (≥1 xícara de café por dia), 5 eram ocasionais e 4 relataram não consumir café. Quatro relataram uso regular de bebidas energéticas (≥ 1 lata por dia), 5 uso ocasional e 9 não utilizavam bebidas energéticas.

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A alteração no intervalo QT corrigido (QTc) a partir do baseline no grupo de bebida energética foi significativamente mais elevada do que no grupo cafeína às 2 horas (0,44 ± 18,4 ms versus -10,4 ± 14,8 ms, respectivamente, p=0,02). As alterações QT não apresentaram diferença nos outros períodos avaliados.

Tanto o grupo bebida energética como o cafeína aumentaram a PA sistólica de uma forma semelhante inicialmente, entretanto a PA sistólica foi significativamente maior às 6 horas quando comparada com o grupo cafeína (4,72 ± 4,67 mmHg versus 0,83 ± 6,09 mmHg, respectivamente, p=0,01).

A frequência cardíaca, PA diastólica, PA sistólica central e a PA diastólica central não mostraram evidência de diferença entre os grupos em nenhum momento.

O intervalo QTc e a PA sistólica foram significativamente mais elevados após o consumo de bebidas energéticas de alto volume quando comparado com cafeína isoladamente. Ensaios clínicos maiores validando estes resultados e avaliação de ingredientes não-cafeína dentro de bebidas energéticas devem ser realizados.

Veja também: ‘Consumo de chá e café e sua relação com risco de doenças cardiovasculares’

Autora:

Referência:

  • Fletcher EA, Lacey CS, Aaron M, Kolasa M, Occiano A, Shah SA. Randomized Controlled Trial of High‐Volume Energy Drink Versus Caffeine Consumption on ECG and Hemodynamic Parameters. J Am Heart Assoc. 2017 Apr 26;6(5). pii: e004448. doi: 10.1161/JAHA.116.004448.

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