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Enfermeiros estão vulneráveis aos efeitos da síndrome de burnout

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Pesquisadores da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo (EPE/Unifesp) identificaram a existência de fatores preditores da síndrome de burnout em enfermeiros de uma unidade de terapia intensiva (UTI) de São Paulo.

Em agosto deste ano, o burnout foi oficializado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma síndrome crônica, sendo incluído na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que vai entrar em vigor em 1º de janeiro de 2022.

Ele é caracterizado como uma síndrome ocupacional, que pode acarretar em sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia, aumento do distanciamento mental do trabalho ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao trabalho, redução da eficácia profissional, gerando também irritabilidade e dores musculares.

“São estressores comuns no ambiente laboral dos enfermeiros: jornada de trabalho exaustiva, baixa remuneração, conflitos com colegas, complexidade dos procedimentos, falta de recursos pessoais e materiais”, analisa o pesquisador Eduardo Vasconcelos, que conduziu o estudo dentro do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Unifesp.

Burnout em enfermeiros

Os pesquisadores realizaram um estudo quantitativo, descritivo e transversal em um hospital universitário de grande porte da cidade de São Paulo. Foi utilizada a modalidade de amostragem não probabilística por conveniência.

Em um total de 91 participantes, os critérios de inclusão foram: ser enfermeiro assistencial, atuar em unidade de terapia intensiva ou nos setores de retaguarda das unidades de terapia intensiva.

A coleta dos dados aconteceu em julho de 2014. Os instrumentos utilizados foram o formulário de coleta de dados sociodemográficos e o Maslach Burnout Inventory (MBI) em sua versão Human Services Survey (HSS). Os participantes responderam aos questionários antes do início do horário de trabalho, que foram recolhidos após o término do plantão.

Foram observados altos níveis de exaustão emocional (47,2%) e de despersonalização (34,1%), assim como baixo nível de realização profissional (34,1%).

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Resultados

Desses 91 participantes, 81 (89,0%) eram mulheres, 57 (62,6%) eram solteiros, 65 (71,4%) não tinham filhos. A idade variou entre 22 e 59 anos, com média de 30,82 anos e desvio padrão de 6,42. A distribuição da faixa etária foi semelhante, 46 (50,5%) indivíduos tinham entre 30 e 59 anos e 45 (49,5%) tinham entre 22 e 29 anos. O setor com maior porcentagem de enfermeiros foi a unidade de terapia intensiva geral, com 18,7%.

O vínculo empregatício predominante foi o celetista (CLT), com 78 (85,7%) enfermeiros. Com relação ao turno, a maior porcentagem foi dos enfermeiros do noturno, com 34%.

Ressalta-se que a maior parte não possuía outro trabalho (93,4%), apresentava carga horária semanal entre 30 e 40 horas (53,8%), a duração das últimas férias foi de 30 dias (78,3%), tinham mais de cinco anos em terapia intensiva (41,8%), atendiam menos que dez pacientes por dia (80,2%) e participavam de capacitações no hospital (57,1%).

De acordo com os resultados do MBI, dos 91 enfermeiros, 78 (85,7%) não apresentaram a síndrome de burnout e 13 (14,3%) apresentaram.

O índice de enfermeiros com alta exaustão emocional, alta despersonalização e baixa realização profissional, respectivamente: 47,2%, 34,1% e 34,1%.

Das variáveis estudadas, a duração das férias foi a única que apresentou associação significativa com a ocorrência do Burnout (p=0,034, OR=3,92 com intervalo que exclui o valor de 1).

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Os enfermeiros que tiveram as suas últimas férias com duração de até 25 dias apresentaram 3,92 mais vezes a chance de apresentarem a síndrome em relação aos enfermeiros que tiveram as suas últimas férias com duração de 30 dias ou mais.

É possível observar que a porcentagem dos participantes com a presença do burnout foi mais elevada entre os que tiveram as últimas férias com até 25 dias do que para os que tiveram férias com duração de 30 dias ou mais (30,0% x 9,9%).

Conclusões

A prevalência de enfermeiros com a síndrome de burnout correspondeu a 14,3% da amostra. De acordo com os resultados obtidos, não houve associação significativa entre as variáveis estudadas e a ocorrência da síndrome, exceto com relação à duração das férias, sendo a única que apresentou associação significativa.

As limitações desse estudo estão relacionadas ao número de participantes envolvidos, que não permitiu generalizar os resultados. Além disso, o MBI-HSS não tem poder diagnóstico, ou seja, para a confirmação do burnout é necessário, preferencialmente, uma avaliação por um psiquiatra experiente.

Entretanto, os autores pretendem utilizar essa pesquisa como base para a elaboração de um programa de saúde ocupacional institucional, uma vez que com esses dados é possível compreender melhor os perfis de risco.

“A legislação trabalhista atual ainda apresenta pontos que mereciam ser discutidos em busca de melhorias no sentido de garantir por meio da lei que a saúde mental dos trabalhadores estará mais resguardada. O ideal é procurar não ultrapassar o período de 12 meses sem férias e não vender um terço das férias, uma vez que estes fatores podem favorecer o adoecimento”, adverte o pesquisador.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED.

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