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Entrópio involucional

Entrópio involucional: o enfraquecimento palpebral com a idade

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O entrópio involucional (senil) é caracterizado pela rotação interna da margem palpebral que empurra os cílios contra a córnea e o globo ocular. Consiste na degeneração senil dos tecidos elásticos e fibrosos da pálpebra. Afeta principalmente a pálpebra inferior, uma vez que a superior possui um tarso mais largo e mais estável.

Sua ocorrência é explicada por um conjunto de fatores: flacidez horizontal e instabilidade vertical da pálpebra causada por atenuação, deiscência ou desinserção dos retratores da pálpebra inferior; flacidez do septo orbitário com prolapso da gordura orbital para o interior da pálpebra inferior; e cavalgamento do músculo orbicular pré-septal sobre o pré-tarsal, que tende a mover a borda inferior do tarso anteriormente, para longe do olho, e a borda superior em direção ao olho, virando então a pálpebra para dentro.

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O atrito constante dos cílios na córnea em pacientes com entrópio de longa duração pode causar irritação, lacrimejamento, sensação de corpo estranho, injeção conjuntival e ceratopatia puntata superficial (erosões corneanas). Nos casos graves, podem ocorrer afinamento corneano, ulceração e formação de pannus. É fundamental, uma avaliação sob lâmpada de fenda minuciosa, para avaliação de tais alterações.

O tratamento temporário é feito com lubrificantes, quimiodenervação do músculo orbicular com injeção de toxina botulínica ou lentes de contato terapêuticas. A eversão da margem palpebral para longe do globo e a fixação dela em posição adequada com fita adesiva pode ser medida temporária útil também. Nos casos de ceratopatia puntata superficial pode ser prescrito pomada antibiótica três vezes ao dia.

Para a correção permanente, o tratamento cirúrgico costuma ser necessário. Proporciona excelentes resultados tanto do ponto de vista funcional quanto estético, conferindo ao paciente lubrificação corneana adequada e conforto. É realizado um “encurtamento” da pálpebra inferior através de um corte cirúrgico realizado no canto lateral com pontos de fixação e remoção de parte do músculo orbicular com o intuito de restabelecer a pálpebra para sua posição correta.

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Autor:

Pedro Netto

Graduado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF) ⦁ Pós-graduado em Medicina do Trabalho pela Universidade Federal Fluminense (UFF) ⦁ Pós-graduado em Medicina da Família pela Universidade Aberta do SUS (UNASUS)/ UERJ ⦁ Residente em oftalmologia no Hospital Federal dos Servidores do Estado-Rio de Janeiro (HFSE).

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