Especialistas alertam sobre o risco iminente do aparecimento de novos vírus - PEBMED

Especialistas alertam sobre o risco iminente do aparecimento de novos vírus

Sua avaliação é fundamental para que a gente continue melhorando o Portal Pebmed

Quer acessar esse e outros conteúdos na íntegra?

Cadastrar Grátis

Faça seu login ou cadastre-se gratuitamente para ter acesso ilimitado a todos os artigos, casos clínicos e ferramentas do Portal PEBMED

O Portal PEBMED é destinado para médicos e profissionais de saúde. Seu conteúdo tem o objetivo de informar panoramas recentes da medicina, devendo ser interpretado por profissionais capacitados.

Para diagnósticos e esclarecimentos, busque orientação profissional. Você pode agendar uma consulta aqui.

As alterações climáticas, a pobreza e o aparecimento de novos vírus podem parecer três fenômenos distintos, independentes, mas estão “profundamente interligados”, alertou Emmanuel de Merode, diretor do Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo (RDC), em entrevista à imprensa internacional.

O país, na sua grande biodiversidade e debilidade econômica, é particularmente propenso ao surgimento de novos vírus que podem ser transmitidos de animais para seres humanos. Tal como o novo coronavírus, que está na base da pandemia de Covid-19.

O aparecimento de outros novos vírus potencialmente perigosos para os seres humanos na República Democrática do Congo é iminente. “É uma questão de tempo”, assegura a jornalista da agência EPA Amélia Goldsmith, que, em conjunto com o fotógrafo Hugh Kinsella Cunningham e com o apoio do Pulitzer Center, se deslocou ao país no sentido de investigar o problema.

Leia também: CROI 2021: pandemias de HIV e Covid-19 e desenvolvimento de vacinas

Aqui no Brasil, o virologista e chefe substituto do Laboratório de Vírus Respiratório e Sarampo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fernando do Couto Motta, falou em março, durante o Foro Inteligência, sobre o risco iminente da chegada de novos supervírus.

O especialista alertou que os vírus deverão trazer cada vez mais prejuízos, devido à modificação do ambiente — seja por meio do aquecimento global, da derrubada de florestas, da abertura de estradas ou da domesticação de animais silvestres.

“Essas situações nos colocam em contato com novos reservatórios de parasitas e forçam os vírus a se adaptar, com a busca de novos hospedeiros como o ser humano”, explicou Fernando Motta.

Especialistas alertam sobre o risco iminente do aparecimento de novos vírus

Tome as melhores decisões clinicas, atualize-se. Cadastre-se e acesse gratuitamente conteúdo de medicina escrito e revisado por especialistas

“Vírus adormecidos podem acordar”

Para a doutora em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do curso de Biomedicina da Universidade Estácio de Sá, Maíra de Assis Lima, além do aparecimento de novos vírus, poderemos acompanhar o surgimento de vírus que estão adormecidos por milênios.

“Com o aumento constante da população mundial, o persistente problema de saneamento básico, a invasão de ambientes naturais e as crises ambientais, vírus antes “adormecidos” ou com baixa probabilidade de infectar os seres humanos se tornam iminentes. Ademais, a alta capacidade de mutação dos vírus, ou seja, a sua habilidade de mudar as suas características constantemente podem agravar esse cenário e tornam o desenvolvimento de tratamentos para as enfermidades causadas por eles ainda mais difícil”, alertou a especialista em entrevista ao Portal de Notícias da PebMed.

Segundo a professora Maíra Lima, há fortes indícios de que a origem do vírus HIV, que causa a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), veio dos chimpanzés, dados que foram afirmados por pesquisadores de uma equipe das universidades de Nottingham, na Grã-Bretanha; Montpellier, na França; e Alabama, nos Estados Unidos, por exemplo.

Vírus desconhecidos e novas variantes

Apesar dos avanços científicos, estes agentes patogênicos surpreendem com o seu alto poder de replicação e letalidade. Mutações que levariam séculos para ocorrer em seres complexos (como nós, seres humanos) podem ser observadas em algumas semanas de vida desses vírus.

“Locais populosos e com baixo controle sanitário se tornam propícios para o surgimento de novos vírus e enfermidades, a exemplo do sul da China, onde a concentração de pessoas é muito alta e o contato com animais domesticados ou selvagens é muito próximo. E estes, muitas vezes, servem como alimento sem passar por uma inspeção mais rigorosa quanto à sua origem ou a presença de microorganismos patogênicos”, ressaltou a professora de Biomedicina Maíra Lima.

Saiba mais: Cuidado Paliativo em epidemias e pandemias: uma rápida revisão para a Covid-19

Como a SARS e a Covid-19 provaram, atualmente é muito fácil para um parasita pegar um avião e aparecer em outro lugar do mundo. “Portanto, não fique surpreso se outras grandes epidemias se alastram pelo mundo mais vezes”, observou o virologista Fernando Motta.

Qual é a saída?

Felizmente, a ciência de hoje está muito avançada, “tanto que o código genético do novo coronavírus, causador da Covid-19, foi identificado e compreendido dentro de um mês”, pontuou Maíra Lima.

No entanto, os testes clínicos demandam tempo e uma análise criteriosa. Ademais, as características genéticas podem variar entre as diferentes populações, fazendo com que o resultado de um medicamento ou vacinas seja diferente quando comparado, por exemplo, europeus e latino americanos.

“O desenvolvimento de tecnologias para tratar as viroses é rápido e a demora está nos testes que devem ser realizados para garantir a confiabilidade e a eficiência ao novo produto desenvolvido”, esclareceu a professora de Biomedicina.

Para o pesquisador da Fiocruz, a saída para lidar com esse problema está nas vacinas. “Somos um dos poucos países produtores de vacinas. O Brasil sempre importou tecnologia para adaptar e produzir a própria vacina, temos esse conhecimento”, destacou Fernando Motta na entrevista.

Já a professora de Biomedicina lembrou que é importante que as pessoas entendam que o mundo está sujeito ao surgimento de novas doenças e pandemias a todo o momento. No entanto, temos a descoberta de novos medicamentos e vacinas que tratam dessas enfermidades a cada dia.

“A solução deste problema está na maneira como interagimos com a natureza, que é algo que deve ser pensado e considerado quando falamos do surgimento de novas patologias”, enfatizou Maíra Lima.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Autor(a):

Referências bibliográficas:

O Portal PEBMED é destinado para médicos e profissionais de saúde. Seu conteúdo tem o objetivo de informar panoramas recentes da medicina, devendo ser interpretado por profissionais capacitados.

Para diagnósticos e esclarecimentos, busque orientação profissional. Você pode agendar uma consulta aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Entrar | Cadastrar