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Estimulação da medula espinhal de alta frequência em pacientes com neuropatia diabética dolorosa

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A polineuropatia é uma complicação comum nos pacientes diabéticos, que pode cursar com neuropatia dolorosa. Esta pode ser manejada por terapias medicamentosas, como o uso de gabapentina, pregabalina, duloxetina, e não medicamentosa, como estimulação espinhal. No que tange terapia medicamentosa, evidências apontam taxas de resposta para pregabalina com 4 a 12 semanas de acompanhamento de 47%, enquanto duloxetina com 8 a 12 semanas de seguimento alcança 42% a 59%. A estimulação da medula espinhal de alta frequência (10 kHz) já foi testada em outros contextos, demonstrando-se taxas de resposta de 76% para lombalgia em 6 meses, 80% em 36 meses, 81% para dor em membros inferiores (MMII) em 6 meses, 78% para dor cervical axial e 88% para dor nos membros superiores aos 6 meses.

No dia 5 de abril de 2021 foi publicado no JAMA Neurology um ensaio clinico randomizado de Petersen et al para testar a eficácia da estimulação da medula espinhal de alta frequência (10 kHz) em pacientes com neuropatia diabética dolorosa.

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Estimulação da medula espinhal de alta frequência em pacientes com neuropatia diabética dolorosa

Método

Foram incluídos pacientes com diagnóstico de neuropatia diabética dolorosa com sintomas por 12 meses ou mais que eram refratários ao tratamento com gabapentina ou pregabalina e pelo menos a uma outra classe de analgésico, intensidade de dor nos membros inferiores de >= 5 na escala visual analógica (EVA). Os principais critérios de exclusão foram HbA1c maior que 10%, índice de massa corporal maior que 45, dosagem diária de opioide maior que 120 mg de morfina e intensidade de dor nos membros superiores de 3 ou mais na EVA.

Foram selecionados 216 pacientes para a randomização, 103 pacientes foram randomizados para o grupo tratamento clínico-medicamentoso e 113 pacientes para o grupo tratamento clínico-medicamento associado à estimulação medular espinhal. Os parâmetros de estimulação incluíram frequência de 10 kHz, largura de pulso de 30 microssegundos fornecida via bipolo, e faixa de amplitude de 0,5 a 3,5 mA. O desfecho primário foi um composto de eficácia e exame neurológico estável exigindo 50% ou mais de alívio da dor por EVA, sem uma piora significativa dos déficits neurológicos basais no acompanhamento de 3 meses.

Resultados

No acompanhamento de 3 meses, 5% do grupo controle tiveram pontuações EVA de dor de 3 ou menos em comparação com 78% do grupo intervenção (RRR 73,2%; IC de 95%, 63,5-82,9; P <0,001). Não havia déficits neurológicos relacionados à estimulação medular. Após 6 meses de seguimento, o grupo controle manteve a taxa de 5%, com 1% de remissão da dor, enquanto o grupo intervenção alcançou 85% de melhora, com 60% de remissão. Além disso, ao longo do estudo houve piora da dor em 52% no grupo controle e 2% no grupo intervenção.

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Notou-se, ainda, melhora significativa em desfecho secundário composto nos testes motores, sensoriais ou reflexos. Após seguimento de 6 meses de 62% no grupo intervenção vs 3% no grupo controle.

Considerações

Por se tratar de um estudo não cego, é preciso considerar a possibilidade de efeito placebo pelo tratamento com o dispositivo. Um seguimento mais longo pode ajudar a arrefecer esse efeito. Os autores relatam que manterão o seguimento por 24 meses, o que resultará em evidências mais a longo prazo acerca dessa terapia.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Petersen EA, et al. Effect of High-frequency (10-kHz) Spinal Cord Stimulation in Patients With Painful Diabetic Neuropathy: A Randomized Clinical Trial. JAMA Neurol. 2021 Apr 5. doi: 10.1001/jamaneurol.2021.0538.
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