Existe uma explicação para o aumento dos tique durante a pandemia?

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Será que estamos chegando ao final da pandemia? Os acontecimentos gerado pela pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2, trouxeram problemas sociais, econômicos, psíquicos, além do adoecimento e morte. O fim da pandemia pode estar próximo, mas seus efeitos podem se estender por muito tempo. Durante a pandemia doenças psíquicas e sintomas relacionados foram observados em constante progressão. Quadros ligados a ansiedade, depressão e estresse tiveram abruto aumento durante a pandemia. Sentimento de todos os tipos passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas. O medo a insegurança, o afastamento social e o aumento do uso de telas provocaram repentinamente uma modificação cognitiva- comportamental em adultos e crianças.

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Entre os diversos distúrbios que podem afetar crianças e adolescentes e adultos está o transtorno de tique. É um distúrbio neuropsiquiátrico que se caracteriza pela involuntariedade muscular múltipla. São movimentos musculares rápidos, múltiplos e rápidos que acontecem de forma não rítmica. Alteram o comportamento da pessoa e a autoimagem. O aumento durante a pandemia foi evidente, tornando o tema mais debatido pela sociedade acadêmica. Seu curso geralmente é leve, podendo ser grave e trazendo repercussões para a vida da pessoa. Ocorrem em 1 a cada 100 crianças, os meninos têm quatro vezes maior possibilidade de desenvolver o problema. A condição piora com o estresse e podem ser sintomas ligados aos transtornos de ansiedade. São observados em pessoas com Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e distúrbio de atenção com hiperatividade (TDAHO). Esta última doença é a que leva a maioria das crianças a desenvolver paralelamente o transtorno de tique.

Os tiques têm inicio súbito e progressivo geralmente começando entre os 4 e 6 anos, tendo entre 10 e 12 anos o momento de maior desenvolvimento da gravidade. Os tiques podem desaparecer espontaneamente e em um pequeno grupo a condição permanece, sendo necessário tratamento para sua melhoria. A terapia cognitivo-comportamental tem tido ótimos resultados para essas condição temporária. A etiologia sempre foi um problema clínico para os especialistas, no entanto, após a pandemia, com um aumento repentino dos tiques principalmente em crianças e adolescentes, algumas condições foram observadas.

Existe uma explicação para o aumento dos tique durante a pandemia?

Os transtornos de tique podem ser divididos em 3 categorias, são elas:

  • Transtorno de tique provisional: são transtornos únicos ou múltiplos, vocais ou não que acontecem por período inferior a 1 ano.
  • Transtorno de tique persistente: são transtornos únicos ou múltiplos, motores ou vocais ( não se manifestam conjuntamente), presentes por período maior que 1 ano.
  • Síndrome de Tourette: pode ser chamada de síndrome de Gilles de la Tourette, compõem um conjunto de tiques motores e vocais presente por mais de um ano.

Tais perturbações no adulto ou adolescente não podem estar ligada ao uso de drogas como a cocaína que pode gerar tais manifestações durante e após o uso. Os tiques podem manifestar um conjunto de comportamento em um breve período de tempo, podendo ser classificados  de acordo com tipo, intensidade e frequência. Podem ser motores ou vocais e se manifestarem de forma simples ou complexa. Vamos conhecer algumas manifestações:

Saiba mais: AAP 2021: estratégias não farmacológicas para ansiedade em adolescentes durante a pandemia

A modificação do comportamento de crianças e adolescentes na pandemia é evidente e alterou algumas apresentações de doenças já conhecidas como o transtorno de tique. Como já vimos, o transtorno geralmente afeta meninos, mas a nova onda que iniciou durante a pandemia afetou meninas adolescentes, que apresentaram tiques súbitos, de natureza complexa e bizarra. De acordo com o estudo inglês, entre os anos de 2019/2020, em clínicas especializadas em tiques no reino unido recebiam de 4 a 6 encaminhamentos por ano. Esse número passou a ser progressivo e agora tais centros recebem de 3 a 4 encaminhamentos por semana. Os sintomas apareceram em dois grupos diferentes, aquelas que apresentavam movimento involuntários semelhante aos tiques e um novo comportamento visto em relação aos tiques, de inicio florido. O comportamento tem se ligado a uma forma de manifestação de estresse e condições emocionais nas quais as crianças e adolescentes não sabem lidar.

Impacto da tecnologia

Uma evidência clara em estudos que estudam a condição é relativo ao uso de tecnologia. As mídias sociais estariam ligadas a quase todos os transtornos de crianças e adolescentes. O conteúdo presente em vídeos de diversas redes sociais, podem ter papel relevante no aumento da condição. Muitos das crianças e adolescentes relatam o aumento do comportamento após o consumo de vídeos das redes sociais. E quando promovem os tiques em tais redes sociais, ganhariam um reconhecimento e sentimentos de pertencimento pós-exposição, o que pode estar reforçando os sintomas. Cabe salientar que outros estudos ainda precisam esclarecer melhor quais condições elevariam o desenvolvimento dos transtornos de tique. O que fica evidente é que o aumento do uso de telas é disparador do desenvolvimento de transtornos diversos.

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