Reflexões acerca do cuidado ao usuário em uso abusivo de álcool e drogas

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A dependência do álcool e das drogas é um problema de saúde pública em todo o mundo. É comum identificarmos usuários que fazem os seus usos abusivos com fatores sociais prejudicados, como, violência, distanciamento do vínculo familiar, dificuldades com relação à adesão de empregos formais, baixo índice de escolaridade, pobreza e outros vícios. Nesse sentido, além de gerar impactos na saúde do indivíduo, de maneira biológica, o abuso também afeta os seus meios socioculturais. Com base nisso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o consumo excessivo uma doença.

Por se tratar de uma doença, é possível pensar que o indivíduo doente necessite de cuidados para sua recuperação, com garantia de longitudinalidade do cuidado. Ademais, observa-se que diante dos fatos relatados, é importante a construção de políticas públicas que visem o cuidado integral, ao considerar a prevenção, a recuperação e a reabilitação.

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Reflexões acerca do cuidado ao usuário em uso abusivo de álcool e drogas

Prevenção

As ações de promoção à saúde são importantes mecanismos para prevenir as doenças e agravos. Antes de desenvolver uma ação é necessário conhecer a população que possui maior risco à sua exposição. No caso do uso abusivo de álcool e drogas, sabe-se que são identificados de forma mais comum na população masculina, e, em geral, iniciam o uso de álcool de forma mais precoce que as mulheres. Cabe destacar que o uso de álcool e tabaco é um dos ramos da Política Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem (PNAISH).

A PNAISH destaca que: “O uso abusivo do álcool é responsável por 3,2% de todas as mortes e por 4% de todos os anos perdidos de vida útil. Na América Latina, cerca de 16% dos anos de vida útil perdidos estão relacionados ao uso abusivo dessa substância. Este índice é quatro vezes maior do que a média mundial.” (BRASIL, 2008).

Cabe destacar que, pessoas que fazem uso tanto o álcool, quanto outras drogas (maconha, cocaína, crack, anfetaminas…), experimentam pela primeira vez na sua juventude. O início precoce dessas substâncias pode resultar em diversos problemas de saúde como a gastrite, os problemas respiratórios, os problemas cardiovasculares, os problemas neurológicos, os problemas psiquiátricos, os cânceres, dentre outros.

Nesse contexto, é imprescindível que os governos invistam em Políticas Públicas com ferramentas de prevenção à saúde, ainda em tenra idade. Alguns exemplos são as ações do Programa Saúde na Escola (PSE) desenvolvido por equipes de Atenção Primária ou, até mesmo, ações comunitárias para conscientizar a população sobre a prevenção de álcool e drogas.

Recuperação

Com relação à recuperação, indivíduos que procurem as unidades de saúde com objetivo de cessar o uso do álcool e de outras drogas devem ser estimulados e auxiliados, por meio de uma equipe interdisciplinar e de uma rede de apoio — ESF, NASF, CAPS-Ad, CAPS — a fim de garantir acesso e cuidado. Outros pontos de acesso se relacionam com o atendimento emergencial e este pode ter estreitas diferenças de acordo com o Estado e Município. Mas cabe ressaltar que a Atenção Primária é a maior das portas de entrada do serviço de saúde.

É comum que profissionais atuantes da Atenção Primária, não se sintam preparados ou desenvolvam até uma barreira de cuidado com usuários de álcool e outras drogas. A psicofobia é um termo que está sendo utilizado para tratar esta aversão de cuidado no serviço de saúde. Por isso, é importante compreender que o cuidado à pessoa com qualquer sofrimento psíquico é de responsabilidade também das equipes da Estratégia da família, do contrário é possível se ter uma ruptura no cuidado voltado à integralidade e assim provocar sérios desvios nos princípios inerentes a proposição do cuidado que buscará sempre a universalidade e a equidade dos processos de cuidar.

Reabilitação

É preciso observar que os indivíduos que apresentarem complicações, devido ao uso abusivo dessas substâncias, sejam acolhidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e direcionados às redes secundárias e terciárias, caso necessário.

A Atenção Primária é responsável como porta de entrada desses usuários, bem como a construção do vínculo e o direcionamento aos demais serviços de atenção à saúde.

Na rede de atenção à saúde mental  temos dispositivos comunitários de ajuda e o Centro de atenção psicossocial (CAPS). Na referência do CAPSad, especializado no cuidado a pessoas vulneráveis ao uso de álcool e outras drogas, temos um serviço mais especializado que buscará medidas de cuidado e ressocialização, com foco na redução de danos e no cuidado em território. Antes do desenvolvimento da rede de saúde mental e da lógica de serviço pautada em um clínica ampliada, era comum o usuário crônico de álcool ou outras drogas, não ser tratado ou ser depositado em casas de recuperação que não possuíam o foco na ressocialização. Esse processo afastava o usuário da família, de suas relações, do trabalho, podendo este muitas vezes nem voltar para casa.

Um problema de saúde pública

Medidas de enfrentamento ao uso e abuso de álcool e outras drogas se tornou um problema de saúde pública. O álcool sem dúvidas é a droga que mais gera danos a nossa sociedade. O usuário de álcool para além dos problemas físicos que pode levar o usuário a morte, ainda é responsável por diversos problemas sociais como acidentes de trânsito e violência intrafamiliar. Outras drogas que estão no ranking de drogas perigosas, tais como a cocaína e o crack, têm levado milhares de pessoas à destruição de suas vidas pelo avassalador efeito de dependência.

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Por isso, é necessário que possamos olhar muito mais para as medidas preventivas com crianças e adolescentes, assim como foi feito com o tabaco que reduziu o número de usuários drasticamente. A escola é o melhor local para que as equipes de saúde possam estabelecer um processo educacional sobre essas questões, junto a educadores e a própria família. Além disso, o fortalecimento da Atenção Primária faz com que o serviço de saúde possa chegar até a casa das pessoas, afetando famílias inteiras.

Em colaboração com: Rafael Polakiewicz¹

¹Doutorando em Ciências do Cuidado em Saúde (UFF), Mestre em Ciências do Cuidado em Saúde (UFF) e Especialista em Atenção Psicossocial.

Referências bibliográficas:

Autor(a):

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