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Segundo uma pesquisa publicada no periódico Allergy, as crianças de uma região rural da China tiveram frequências mais baixas de asma e de distúrbios atópicos do que as crianças da área urbana de Hong Kong, o que aponta para um efeito protetor do estilo de vida campestre. 

A asma é uma das doenças crônicas mais comuns na infância, e sua prevalência aumentou nas últimas décadas. Uma das descobertas epidemiológicas mais consistentes é que as crianças que vivem em ambiente agrícola estão protegidas do desenvolvimento de asma e alergias. Diante desses dados, o objetivo do estudo foi comparar a prevalência de asma e de distúrbios atópicos relacionados em crianças de Conghua e Hong Kong, áreas rural e urbana, respectivamente, na China, usando os questionários validados ISAAC Fase III. Os pesquisadores almejaram também identificar fatores ambientais que podem conferir proteção contra o desenvolvimento de asma em áreas rurais chinesas. 

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Criança em consulta para avaliar H. pylori e asma

Metodologia

Foi realizado um estudo epidemiológico transversal de base comunitária. Asma e sintomas alérgicos, bem como exposições ambientais, foram verificados. 

Questionários escritos do ISAAC Fase III foram distribuídos a todas as crianças com idades entre 5 e 8 anos nas creches/escolas convidadas e foram preenchidos pelos pais (ou responsáveis) em casa. O questionário foi desenvolvido com base no questionário ISAAC Fase III traduzido para o chinês utilizando um protocolo padronizado. Sintomas “atuais” referem-se a sintomas nos últimos 12 meses; “asma alguma vez” foi definido como ter sido diagnosticado com asma por um médico na vida; outros sintomas atópicos e diagnósticos como “rinite alérgica (RA)”, “rinoconjuntivite” e “eczema flexural” foram definidos de acordo com estudos anteriores. “Asma alguma vez” foi usado como variável de desfecho e sua associação com vários fatores ambientais e de estilo de vida foi avaliada. 

Resultados 

O estudo envolveu 14.118 crianças de Conghua (idade média, 6,6 anos; 53,5% meninos) e 3.145 crianças de Hong Kong (idade média, 6,5 anos; 52,6% meninos), todos com idades de 5 a 8 anos.  

Os resultados do estudo mostraram que a prevalência de sibilos atuais (nos 12 meses anteriores) foi significativamente menor na área rural de Conghua do que em Hong Kong (1,7% versus 7,7%, p< 0,001). Uma frequência mais baixa de asma também foi relatada em crianças rurais em comparação com suas contrapartes urbanas (2,5% versus 5,3%, p < 0,001). Além disso, 3,4% das crianças urbanas e 0,5% das crianças rurais apresentaram sibilos perturbadores do sono (odds ratio [OR] 7,1; P < 0,001). 

Quando comparadas com as crianças da área rural, as crianças da zona urbana também apresentaram frequências mais altas de sibilos induzidos pelo exercício (10,5% versus 6,9%), sintomas de rinoconjuntivite (22,2% versus 2,7%), eczema flexural (8,4% versus 4,3% ) e uso de medicamentos para asma (14,8% versus 1,7%) nos 12 meses prévios (todos, P < 0,001). As crianças da área urbana também apresentaram maiores frequências de diagnóstico de asma na vida (5,3% versus 2,5%), história de sibilos (16,9% vs. 5,8%), rinite alérgica (39,9% versus 8,7%), eczema (28,7% versus 21,7%) e uso de medicação para asma alguma vez na vida (25,5% versus 4%) em comparação com as crianças que viviam na zona rural (todos, P <0,001). 

Os pesquisadores observaram que menos crianças que viveram em uma fazenda versus crianças que nunca viveram em fazendo foram diagnosticadas com asma (2,1% versus 3,1%; OR = 0,67; P < 0,001). As crianças que viviam em uma fazenda também eram menos propensas a ter usado medicação para asma (3,7% versus 4,6%; OR = 0,81; P = 0,01) e eram menos propensos a ter rinite alérgica (OR = 0,59; P <0,001) em comparação com aqueles que não viviam em uma fazenda. Ademais, em comparação com crianças que nunca foram expostas a uma fazenda, mesmo as crianças da zona rural que só foram expostas a fazendas visitando seus vizinhos tiveram prevalência significativamente menor de rinite alérgica ao longo da vida (10% versus 12,8%; OR = 0,75; P <0,001) e uso de medicamentos para asma (4% versus. 5,2%; OR = 0,77; P = 0,03). 

Após o ajuste para fatores de confusão, as exposições a agricultura (odds ratio ajustada [aOR] 0,74, intervalo de confiança de 95% [IC 95%] 0,56–0,97) e a aves (0,75, IC 95% 0,59–0,96) foram os fatores mais importantes associados ao efeito protetor da doença na área rural. Análises adicionais ajustadas ao escore de propensão indicaram que tal proteção conferida pela vida no ambiente rural era principalmente atribuível à exposição às aves. 

O uso de travesseiro de espuma (aOR = 2,12; IC 95%, 1,14-3,93) e a umidade domiciliar (aOR = 1,58; IC 95%, 1,27-1,98) apresentaram os maiores riscos de asma entre as crianças de Conghua. Outros fatores de risco para asma diagnosticada por médico nessa população foram roupa de cama de fibra sintética, uso de medicação antiparasitária e piso de carpete.  

Conclusões 

O estudo confirma uma prevalência marcadamente menor de asma em crianças chinesas da zona rural quando comparadas com crianças da área urbana de Hong Kong. De acordo com os pesquisadores, a exposição à avicultura e à agropecuária ou a fatores não mensurados relacionados a eles pode explicar a menor prevalência de asma infantil em crianças do meio rural. Para eles, os dados complementariam os achados obtidos de diferentes populações rurais de todo o mundo. No entanto, os autores afirmam que são necessários mais estudos para determinar os potenciais mecanismos biológicos que explicam a proteção conferida pela exposição às aves. 

Comentário 

A asma é uma doença crônica que afeta milhões de pacientes em todo o planeta. Esse estudo abre portas para novos caminhos rumo a um maior entendimento sobre a enfermidade, o que possibilitará o desenvolvimento de melhores e mais práticas estratégias de prevenção primária e melhor qualidade de vida.   

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# Xing Y, Wang MH, Leung TF, et al. Poultry exposure and environmental protection against asthma in rural children [published online ahead of print, 2022 May 9]. Allergy. 2022;10.1111/all.15365. doi:10.1111/all.15365 
Referências bibliográficas:

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