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Faço ou não corticoide na sepse grave?

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A definição mais aceita na comunidade científica para sepse é uma síndrome clínica, associada a uma disfunção orgânica que decorre de uma resposta desregulada do hospedeiro frente a uma infecção. Assim, o mecanismo mais envolvido é a resposta imunológica e, nesse contexto, o tema de maior conflito é a corticoterapia. Isso porque, muitos estudos multicêntricos apresentam dados e conclusões conflitantes, que distanciam de um consenso sobre a utilização ou não de corticoides.

A sepse é uma das síndromes mais prevalentes em todo mundo, principalmente, em unidades de terapia intensiva (UTIs) estando associada a altos índices de morbimortalidade e elevados custos nos gastos com saúde. Diante da complexidade da sua fisiopatologia e os inúmeros mecanismos imunológicos envolvidos há dificuldade em avaliar e individualizar as indicações de tratamento.

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Nesse sentido, ao avaliar as recomendações de sociedades, quanto a corticoterapia, observamos no caso da “Surviving Sepsis” que o uso de corticoides não é indicado genericamente na sepse, mas sim nos casos de choque séptico refratário a reposição volêmica e vasopressores. Acompanham essa recomendação a Euopean Society of Intensive Care, mas ressalta ainda a utilização em situações mais específicas como na síndrome do desconforto respiratório agudo, pneumonia adquirida na comunidade e meningite. Assim também recomenda a Canadian Association of Emergency Physicians Sepsis e Japaneses Society for Intensive Care Medicine. A National Institute for Health and Care Excellence não faz recomendações sobre essa discussão.

Portanto, observa-se que a maioria das organizações que estudam o tema recomenda o uso de corticoides na sepse, especificamente, em pacientes com choque séptico refratário a ressuscitação volêmica e no uso de drogas vasoativas. Além disso, as citadas organizações relatam estudos que constatam benefícios como a redução do tempo de internação e no uso de ventilação mecânica. Ressaltando sempre que a conduta deve ser individualizada.

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Referências:

  • Lamontagne F, Rochwerg B, Lytvyn L, et al. Corticosteroid therapy for sepsis: a clinical practice guideline. BMJ 2018;362:k3284
  • Rhodes A, Evans LE, Alhazzani W, et al. Surviving Sepsis campaign: international guidelines for management of sepsis and septic shock: 2016. Intensive Care Med 2017; 43: 304-77.
  • Bruno JJ, Dee BM, Anderegg BA, Hernandez M, Pravinkumar SE. US practitioner opinions and prescribing practices regarding corticosteroid therapy for severe sepsis and septic shock. J Crit Care 2012;27:351-61.
  • Annane D, Pastores SM, Rochwerg B, et al. Guidelines for the diagnosis and management of critical illness-related corticosteroid insufficiency (CIRCI) in critically ill patients (part I): Society of Critical Care Medicine (SCCM) and European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) 2017. Intensive Care Med 2017; 43: 1751-63.
  • Pastores SM, Annane D, Rochwerg B. Corticosteroid Guideline Task Force of SCCM and ESICM. Guidelines for the diagnosis and management of critical illness-related corticosteroid insufficiency (CIRCI) in critically ill patients (part II): Society of Critical Care Medicine (SCCM) and European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) 2017. Crit Care Med 2018; 46:146-8.
  • Green RS, Djogovic D, Gray S, et al. CAEP Critical Care Interest Group. Canadian Association of Emergency Physicians Sepsis Guidelines: the optimal management of severe sepsis in Canadian emergency departments. CJEM 2008; 10:443-59.
  • Tavaré A, O’Flynn N. Recognition, diagnosis, and early management of sepsis: NICE guideline. Br J Gen Pract 2017; 67:185-6.
  • Nishida O, Ogura H, Egi M, et al. The Japanese Clinical Practice Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2016 (J-SSCG 2016). J Intensive Care 2018; 6:7.
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