Fatores reprodutivos estão associados ao risco de fraturas no pós-menopausa?

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A osteoporose é uma epidemia silenciosa, estima-se que o risco de fratura por osteoporose no mundo seja o mesmo de um acidente cardiovascular. E quando falamos especificamente de mulheres na pós-menopausa, esse risco se multiplica.

Sabemos que o estrogênio é um grande fator protetor da massa óssea. Muitos estudos já demonstraram que a idade da menarca e menopausa estão associadas à densidade mineral óssea na pós-menopausa: quanto mais precoce a menarca e/ou mais tarde a menopausa, menor o risco de fraturas osteoporóticas futuras devido ao maior tempo de exposição ao estrogênio.

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Novos estudos

Nestas últimas semanas, o JAMA publicou um novo estudo, uma coorte de base populacional de 1.272.115 mulheres coreanas investigando se os fatores reprodutivos femininos isoladamente estão associados a fraturas em mulheres na pós-menopausa.

Foram então avaliados: idade na menarca, idade na menopausa, paridade, amamentação e uso de hormônio exógeno, a partir questionário autoaplicável. E, então, esses dados foram relacionados a incidência fraturas vertebrais, quadril e outros sítios osteoporóticos.

A média de idade da população do estudo foi de 61,0 anos. A média geral de idade na menarca foi de 16,4 anos e na menopausa foi de 50,1 anos. O período reprodutivo médio foi de 33,6 anos. Em comparação com mulheres sem fraturas (n = 1.082.232), as mulheres com fratura incidente (n = 189.883) eram provavelmente mais velhas (idade média, 63,7 vs 60,5 anos), multíparas ( 92,8% vs 91,0%), menarca tardia (média idade na menarca, 16,7 vs 16,4 anos), menopausa precoce (idade média na menopausa, 49,9 vs 50,1 anos), um período reprodutivo mais curto (33,3 vs 33,7 anos) e uma duração da amamentação de 12 meses ou mais (74,0% vs 67,8%) e nunca ter usado terapia hormonal(82,6% vs 80,1%) ou anticoncepcional oral (80,0% vs 79,8%).

Paridade e risco de fraturas osteoporóticas

O aumento da paridade está associado a uma redução no risco de fratura osteoporótica entre as mulheres na pós-menopausa. Os níveis séricos de estrogênio aumentam muito durante a gravidez para níveis aproximadamente 20 a 30 vezes acima de seu pico durante o ciclo menstrual normal. Essa exposição acentuada ao estrogênio durante cada gravidez pode reduzir o risco de fratura da mulher.

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O estudo propõe também que algumas mulheres nulíparas podem ser “subférteis”, produzindo menos estrogênio durante o ciclo menstrual do que as mulheres mais férteis e, portanto, apresentam maior risco de fratura.

Foi observado que as mulheres primíparas tiveram um risco menor de todas as fraturas do que as mulheres nulíparas, mas a multiparidade não mostrou uma associação significativa com o risco de qualquer fratura.

Amamentar pode reduzir risco de fratura de quadril e aumentar risco de fratura de demais sítios

Embora se acredite que a perda óssea durante a lactação seja restaurada 6 a 12 meses após o desmame por mecanismos pouco conhecidos, o estudo propõe que a duração prolongada do aleitamento materno aumenta o risco de qualquer fratura, bem como de fratura vertebral.

No entanto, também foi observado um risco reduzido de fratura de quadril em mulheres que amamentaram comparado às que não. Uma metanálise publicada em janeiro de 2020 já havia relatado que a incidência de fratura de quadril osteoporótica diminuiu com a extensão do tempo de amamentação. Outros pesquisadores relataram uma associação entre maior duração da lactação e menor DMO na coluna lombar, mas não no colo femoral ou no quadril total.

A perda esquelética é mais profunda no osso trabecular do que no osso cortical durante a lactação: a vértebra é composta, principalmente, de osso trabecular, enquanto quadril é em grande osso cortical. O osso trabecular é mais metabolicamente ativo do que o osso cortical, e então, mais suscetível do que o osso cortical a influências hormonais e reduções na reserva de cálcio.

Pílula e risco de fratura osteoporótica

Os anticoncepcionais orais combinados também podem melhorar a densidade óssea por mecanismos biologicamente plausíveis, mas existe uma controvérsia considerável nesse assunto. Apesar de outros estudos demonstrarem essa associação positiva, este trabalho atual surpreendentemente revelou um achado pequeno, porém estatisticamente significante de um risco aumentado de fraturas entre aquelas pacientes que haviam usado pílula combinada por 1 ano ou mais.

Por fim, este estudo constatou que os fatores reprodutivos femininos foram independentemente associados à incidência de fraturas entre as mulheres na pós-menopausa

Até o momento, este foi o maior estudo que avaliou associação de fatores reprodutivos femininos com risco de fratura. A ferramenta de risco de fratura da Organização Mundial da Saúde (FRAX) é a mais utilizado para estimar fraturas osteoporóticas, integrando fatores de risco clínicos, mas ainda não inclui fatores reprodutivos,

Espera-se que esses fatores sejam incorporados aos algoritmos existentes conforme mais dados adicionais estejam disponíveis.

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Referências bibliográficas:

  • Yoo JE, Shin DW, Han K, Kim D, Yoon JW, Lee D. Association of Female Reproductive Factors With Incidence of Fracture Among Postmenopausal Women in Korea. JAMA Netw Open.2021;4(1):e2030405. doi:1001/jamanetworkopen.2020.30405
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