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Febre hemorrágica brasileira por arenavírus: o que precisamos saber?

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Febres hemorrágicas virais são um grupo de doenças caracterizadas por febre e manifestações hemorrágicas, sendo geralmente graves e potencialmente fatais. Essa semana, o país teve o primeiro caso confirmado de febre hemorrágica brasileira após mais de 20 anos sem identificação de nenhum caso em território brasileiro.

Segundo o relato enviado ao Ministério da Saúde, trata-se de um indivíduo adulto, procedente de Sorocaba (SP). As manifestações iniciais eram odinofagia, dor epigástrica, náuseas, vertigem, xerostomia e mialgias. O paciente evoluiu com mialgia em membros, dispneia, febre alta, sonolência e confusão mental, hipotensão, conjuntivite bilateral, exantema difuso, agitação psicomotora, manifestações hemorrágicas e rebaixamento do nível de consciência. Passou a apresentar falência de múltiplos sistemas, evoluindo para óbito em 11 de janeiro.

Os exames laboratoriais evidenciaram leucopenia intensa, plaquetopenia leve, aumento de CK, bilirrubina e transaminases, além de alteração de TTPa, com TAP normal. O estudo metagenômico do vírus isolado de amostras clínicas identificou um novo vírus do gênero Mammarenavírus, um arenavírus, ainda sem espécie definida. Os resultados foram confirmados posteriormente por mais dois laboratórios.

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Arenavírus

Os arenavírus são vírus de RNA de fita simples que estão entre as seis famílias responsáveis pelos quadros de febre hemorrágica. São divididos em três gêneros, sendo o gênero Mammarenavírus capaz de infectar mamíferos. Na América do Sul, até o momento, haviam sido identificadas cinco espécies como causadoras de doença em humanos: vírus Junin (Argentina), vírus Machupo e Chapare (Bolívia), vírus Guanarito (Venezuela) e vírus Sabiá (Brasil).

Transmissão

A transmissão ocorre por inalação de aerossóis formados a partir de urina, fezes e saliva de roedores infectados.

Transmissão pessoa a pessoa é possível por contato próximo e prolongado com um indivíduo doente ou por contato com materiais biológicos, como sangue, urina, fezes, saliva, vômitos, sêmen ou outras secreções. Procedimentos laboratoriais ou de assistência que gerem aerossóis – como intubação orotraqueal, ventilação mecânica não invasiva e aspiração de vias áereas superiores – também são capazes de transmitir a doença.

Eventualmente, a transmissão pode acontecer por meio de mordeduras de roedores infectados.

Quadro clínico

O período de incubação é de geralmente seis a 14 dias, podendo variar de cinco a 21 dias.

Os sintomas iniciais são inespecíficos, abrangendo:

  • Febre;
  • Mal-estar;
  • Mialgia;
  • Dor epigástrica;
  • Dor retro-orbital;
  • Cefaleia;
  • Vertigem;
  • Fotofobia;
  • Constipação.

Com a progressão da doença, ocorrem sintomas neurológicos e comprometimento hepático, que pode ser grave.

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Além disso, pelo extravasamento capilar, o paciente pode desenvolver edemas, comprometimento pulmonar e evoluir para choque hemodinâmico. Sinais e sintomas dessa fase incluem:

  • Prostração extrema;
  • Dor abdominal;
  • Hiperemia conjuntival;
  • Rubor em face e tronco;
  • Hipotensão ortostática;
  • Hemorragia de mucosas, com petéquias e hemorragia conjuntival;
  • Hematúria;
  • Vesículas em palato;
  • Linfonodomegalia generalizada;
  • Hiporreflexia, meningite, encefalite ou tremores;
  • Edemas, principalmente em face e região cervical;
  • Congestão pulmonar;
  • Aumento de hematócrito, leucopenia com linfocitopenia e trombocitopenia.

Tratamento

O tratamento da febre hemorrágica brasileira é primariamente por meio de medidas de suporte. Ribavirina, um antiviral, tem sido utilizado em casos de infecção pelo vírus da febre do Lassa e especula-se que possa ter ação também sobre outros arenavírus.

Suspeita de febre hemorrágica brasileira: o que fazer?

Diante de um caso suspeito de febre hemorrágica brasileira, medidas de controle devem ser instituídas. O paciente deve ser atendido em quarto individual, em isolamento respiratório por aerossóis. Profissionais de saúde devem usar, além de equipamentos de precaução padrão, máscara N95 durante os cuidados com o paciente, especialmente em procedimentos que gerem aerossóis.

Casos suspeitos devem ser notificados de forma imediata ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) local para diagnóstico, investigação e orientação. O diagnóstico específico pode ser feito por meio de isolamento viral em culturas de células e camundongos recém-nascidos, detecção do genoma viral por PCR-RT, sequenciamento parcial ou total do genoma viral ou detecção de anticorpos IgM pelo método de ELISA.

Pelo risco de transmissão, as amostras só devem ser processadas em laboratórios com nível adequado de biossegurança.

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